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“Se os criadores digitais se tornam marcas, por que não tornar as marcas criadoras de conteúdos?”

Em entrevista exclusiva ao M&P, Inês Ramada Curto e Pedro Filipe-Santos, sócios em Portugal da brasileira Snack Content, partilham sobre como as marcas devem capitalizar o vídeo social, a abordagem a este formato e o percurso que os traz até à empresa, que está a investir €500 mil no mercado nacional

Catarina Nunes
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“Se os criadores digitais se tornam marcas, por que não tornar as marcas criadoras de conteúdos?”

Em entrevista exclusiva ao M&P, Inês Ramada Curto e Pedro Filipe-Santos, sócios em Portugal da brasileira Snack Content, partilham sobre como as marcas devem capitalizar o vídeo social, a abordagem a este formato e o percurso que os traz até à empresa, que está a investir €500 mil no mercado nacional

Catarina Nunes
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Catarina Nunes
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Um ano e meio depois de trazerem do Brasil o estúdio de marketing digital Snack Content, Inês Ramada Curto e Pedro Filipe-Santos, codiretores executivos da Snack Portugal, falam sobre a empresa que quer transformar marcas em criadores de conteúdos digitais, focando-se na criação de linhas editoriais para marcas nas redes sociais e respetiva materialização em formatos de vídeo social.

Nesta abordagem, a estratégia e a execução são baseadas na Snack CBI (Community Building Intelligence), uma metodologia construída e testada no Brasil desde há 13 anos, que indica não só os temas para conteúdos que mais ressoam nas redes sociais como as melhores opções de criadores, trazendo-os para dentro dos canais das marcas. Isto em vez de se canalizar os investimentos para as plataformas dos influenciadores, permitindo às marcas o aumento das audiências nos seus canais e a construção de comunidades digitais próprias.

O podcast do Prémio Cinco Estrelas e da Betway, e a criação de conteúdos de vídeo ‘always on’ para a Haier são os projetos que a Snack Portugal já tem no ar. Em entrevista exclusiva ao M&P, Inês Ramada Curto e Pedro Filipe-Santos partilham as suas visões sobre como as marcas devem capitalizar o vídeo social, a abordagem da Snack Content a este formato em ascensão e o percurso que os traz até à empresa, que está a investir €500 mil no mercado nacional.

Meios & Publicidade (M&P): Como é que a Snack Content vem do Brasil para Portugal, com vocês como sócios?

Pedro Filipe Santos (PFS): Existia há 10 anos quando foi comprada, há três anos, pela B&Partners, e começou a expansão quando Bazinho Ferraz, fundador e presidente da B&Partners, percebeu que o modelo da Snack podia ser replicado.

O José Maria Abecassis, que nós conhecemos, e o sócio dele estão a ajudar a formatar o negócio da Snack e a levantar capital, para que seja exportável para outros países, como Itália e Estados Unidos, onde já estamos em Milão e Los Angeles. O José Maria disse-lhes que tinha os sócios perfeitos em Portugal, eu e a Inês. (ver caixa com perfis)

M&P: Qual é a atividade do B&Partners e qual é a área da Snack Content?

PFS: É um grupo que trabalha várias áreas de comunicação, ativação de marca, produção de eventos e, desde há três anos, ‘social video’, que é o que a Snack faz. Criamos e produzimos conteúdos de vídeo para redes sociais. Se nos pedirem também fazemos fotos, mas não é o nosso ‘core’.

M&P: Quem são os acionistas da Snack em Portugal?

PFS: Nós os dois, cada um com 15%, e a Snack Brasil com 70%, através do Vítor [Knijnik] e do Nelson [Botega], que são os fundadores que venderam a Snack à B&Partners, mas continuam na empresa.

M&P: Quanto é que vocês investiram?

Inês Ramada Curto (IRC): Estamos a investir com trabalho, não há um investimento financeiro.

M&P: Qual é investimento que a Snack Brasil está a fazer em Portugal?

PFS: Começámos em novembro de 2022, estamos a fazer um ano e meio. Até chegarmos ao break-even, daqui a dois ou três anos, não será difícil estarmos a falar de um investimento de €500 mil.

M&P: No que é que se destaca a proposta de valor da Snack?

IRC: A Snack CBI (Community Builder Intelligence), que já vem formatada do Brasil, e consiste na criação de comunidades digitais através de uma metodologia data driven. Somos uma empresa que não dá um passo sem consultar dados, com softwares que fazem a leitura de todos os canais em todas as redes sociais.

Percebemos quais são as melhores trends, o thumbnail que funciona melhor, o melhor texto, as palavras mais usadas, o vídeo que tem um envolvimento maior e o criador com melhor desempenho, entre outros indicadores.

M&P: Quais são as mais valias desses dados?

IRC: Estes dados dão-nos vários insights, com os quais a nossa equipa de inteligência – tanto de conteúdos como de casting de criadores digitais – já consegue apresentar ao cliente uma proposta que, à partida, será vencedora porque tem os melhores insights dos últimos 30 dias, sete dias ou três anos.

PFS: Temos ferramentas que nos permitem perguntar, por exemplo, quantos vídeos foram publicados em Portugal em todas as redes sociais – ele responde 3 milhões. Se perguntarmos só no Instagram, ele responde 1,5 milhões. Se perguntar quantos destes 1,5 milhões falam em comida, ele responde que são 100 mil.

Se destes 100 mil pedir os 50 mais vistos, ele mostra a lista dos vídeos mais vistos. Se, entre estes mais vistos, perguntar quais são os que falam em pasta italiana, ele apresenta-me 15. Destes 15, pergunto quais é que foram vistos por pessoas entre os 15 e os 25 anos e por aí fora. Conseguimos filtrar completamente tudo.

M&P: É um software exclusivo da Snack?

IRC: Usamos dois ou três programas de dados de Silicon Valley, que é preciso pagar para ter acesso como se tem à GfK ou à Marktest. O programa é um produto básico. O que faz parte da metodologia CBI é a maneira como se usa e interpreta o programa, e se retira dele insights onde assenta a estratégia. O Excel pode ser usado de mil e uma formas, é um canivete suíço, e o CBI é parecido.

PFS: Por exemplo, alguém gosta de vídeos de música e de praia. O que é que uma coisa tem a ver com a outra? É aqui que entramos e conseguimos relacionar uma coisa com a outra, fazendo camadas de interesses sobrepostos, para definir uma comunidade com gostos similares.

Se estamos a trabalhar iogurtes ou pensos higiénicos, a nossa metodologia permite tratar cada marca com a mesma formatação, embora sejam targets e produtos diferentes. A jusante e a montante, nós conseguimos prever o que pode acontecer e medir os resultados. Na Snack. só produzimos o que sabemos que vai funcionar e mexer o algoritmo.

M&P: Como é que conseguem ter essa certeza?

PFS: Somos Google Partner e TikTok Partner e temos acesso a informação privilegiada, que nos permite perceber o que muda a cada mês porque os algoritmos mudam todos os meses.

M&P: As trends também mudam?

PFS: As trends não têm a ver com o algoritmo, são formatos em que os criadores de conteúdos decidem começar a fazer determinada coisa, como os vídeos com desafios. O algoritmo depois pega e vê que há uma coisa nova que está a gerar buzz e dá-lhe um push. O algoritmo não trabalha sozinho, precisa que um criador de conteúdos tenha uma coisa pertinente, original e fresca, como alguns desafios.

M&P: Nos conteúdos de vídeo, há muitas empresas especializadas ou o que há mais é departamentos dentro de agências?

IRC: O pão com manteiga são agências de publicidade. Há agências a fazer conteúdos, mas duvido que sejam baseados em dados. Uma coisa é trabalhar com dados à posteriori, como todas trabalham. Com dados a montante, para traçar uma estratégia em cima disso, não conheço nenhuma empresa em Portugal que o faça.

PFS: O que há é na base do ‘achómetro’, em que o conteúdos falam sobre aquilo que já sabemos, mostram uma série de lugares comuns e o guião é escrito com base nisso. Não fazemos isto. Criamos o diálogo que as pessoas já estão à procura nas redes sociais, a narrativa que as pessoas querem consumir e que temos dados que a comprovam.

Quando um destino fica na moda, não é só porque uma agência de viagens baixou o preço. É porque as pessoas começaram a falar nisso, os criadores de conteúdos foram lá e mostraram o destino. Isto cria o interesse em consumir conteúdos desse destino e as pessoas começam a seguir esses criadores porque todas as semanas têm conteúdos sobre as coisas mais giras, por exemplo nas praias na Tailândia, em Bali ou em Ibiza.

IRC: Com os nossos softwares, conseguimos ajustar facilmente o conteúdo, que está sempre a mudar. Quando se faz uma campanha em media tradicional, já não se consegue mudar.

PFS: O melhor exemplo que posso dar é a diferença entre o petroleiro e o semi-rígido, que somos nós. O petroleiro, que é um canal de televisão, lança uma novela e se estiver a correr mal, só começa a ser corrigida depois de terem gravado 90 episódios. O petroleiro demora várias milhas até conseguir mudar o rumo, nós não.

M&P: Qual foi a primeira marca que trabalharam?

IRC: A Wells com o podcast da enfermeira Carmen, mas ainda não existia a Snack Portugal nem participámos no projeto. A Snack Brasil subcontratou uma produtora em Portugal. Connosco, o primeiro projeto foi o podcast do Prémio Cinco Estrelas, que fazemos ainda hoje, com o À Descoberta das Cinco Estrelas.

Criámos também o canal de YouTube deles porque, à semelhança de qualquer outro prémio, só são falados quando há prémios, uma vez por ano. Com o ‘always on’ de comunicação com um podcast por semana, 52 episódios por ano, conseguimos falar da marca o ano inteiro.

PFS: Organicamente, em um ano, conseguimos 25 mil subscritores no canal do YouTube do Cinco Estrelas e queremos chegar aos 100 mil até o final do ano, também organicamente.

M&P: Qual é o formato?

IRC: Há uma apresentadora, a Sofia de Castro Fernandes, que entrevista diretores de marketing das marcas premiadas, sobre temas que os nossos dados mostraram que são tendência e que podem ser relevantes. Não é um programa de autoelogio, com a marca a dizer que ganhou o prémio porque é a melhor.

Pode falar, por exemplo, sobre retenção de talento nas empresas ou sobre a segurança que devemos ter com os meios digitais de pagamento. Fazemos tudo: a estratégia, a ideia, o formato, os guiões, os cenários, a imagem, os cortes de edição e, quando existem media pagos, também fazemos plano de meios na parte digital.

M&P: O vosso software também dá para fazer plano de meios?

PFS: Como somos parceiros da Google e do TikTok, os nossos dados permitem-nos perceber onde é que deve ser promovido e reforçado o algoritmo, para atingir determinado target e objetivo. Nem tudo passa por deitar um balde de dinheiro, passa muito pelos hashtags que se usam, pelos metadados, pela hora a que é feita a publicação e pelo corte que se escolhe.

IRC: Não se investe em 40 minutos de podcast, investe-se num corte que tem 30 segundos e vai-se investindo aos poucos.

PFS: Cria-se uma comunidade com os cortes, não é com o episódio principal inteiro. Os algoritmos favorecem a permanência em cada conteúdo. Se um vídeo durar 15 segundos e for visto durante 14 segundos, a seguir o algoritmo vai dar outro exatamente parecido e assim sucessivamente.

M&P: Que outros clientes ou projetos têm?

PFS: Fazemos o podcast patrocinado pela Betway, o Um Para Um com o Pedro Pinto, que é publicist de desportistas e faz entrevistas a atletas portugueses que trabalham fora e que se distinguem nas suas áreas.

Estamos a fazer consultoria para uma marca multinacional, que não podemos referir ainda porque o contrato não está assinado, que já produz conteúdos. Estamos a fazer-lhe um plano estratégico para otimizar a maneira como os conteúdos são produzidos.

M&P: Além destes podcasts, têm mais algum numa base regular?

PFS: Neste momento não. Estamos a fazer a produção de conteúdos para a Haier, com pequenos episódios sobre arrumação de frigoríficos, um ‘always on’ de seis meses.

M&P: O ‘always on’, na prática, significa o que é?

PFS: Diria que é as marcas terem um canal temático próprio, com os conteúdos que querem transmitir, mas de uma maneira que seja conteúdo de entretenimento e não publicidade.

IRC: O que as marcas fazem muitas vezes é ter o que chamamos de Depósitube, DepósiTok e DepósiGram, que são formas de depositar campanhas em redes sociais. Mas esses conteúdos não são nativos dessas redes sociais.

PFS: A conta de YouTube do Meo, por exemplo, tem o discurso do presidente da Meo, a campanha de Natal, o making-of do Meo Sudoeste, a campanha do Regresso às Aulas e uma ativação de marca.

Depois, estão dois meses sem publicar e, de repente, publicam três dias seguidos. Além de isto não ser o que o algoritmo quer e precisa, também não é aquilo que as pessoas que seguem as redes sociais querem. As pessoas querem fidelizar-se, querem consumir conteúdos.

M&P: Quais são os valores de faturação da Snack e quanto é que cobram aos clientes?

IRC: A Snack global, que está presente em São Paulo, Lisboa, Milão e Los Angeles, faturou €15 milhões em 2023, e cobra em média cerca de €50 mil por marca, por 12 meses de um ‘always on’ de vídeos, com estratégia, inteligência de dados, criatividade e produção. Temos empresas em que, para um ano de ligação com a Snack, cobramos mais de €100 mil como temos outras que cobramos €20 mil.

Depende se querem chave na mão de vídeos para o ano inteiro, com criatividade, estratégia, produção, gravação, inteligência de dados e de casting, análise de dados e acompanhamento estratégico, ou se querem uma parcela do menu da Snack.

M&P: Trabalham clientes que a Snack tem no Brasil ou em outras geografias?

IRC: Ainda não estamos a fazer essa ponte. No Brasil, por exemplo, trabalhamos a Boticário, que já comunica como um criador de conteúdos digitais, em linha com a nossa máxima ‘se os criadores viram marcas, porque é que a marca não pode virar criadora e começar a comunicar exatamente como eles?’.

A expressão ‘always on’ vem da ideia de comunicar com uma grelha de conteúdos, como faz um canal de televisão, habituando a comunidade a esses conteúdos.

M&P: Qual é a estratégia que seguem no casting de criadores?

IRC: Quando fechamos um ‘always-on’ de conteúdos para uma marca, é preciso fazer o casting para não se apostar numa influenciadora com um perfil como o da Madalena Abecassis, e fazer crescer a comunidade dela, mas ir buscar criadores pequenos, médios ou grandes, para os trazer para a marca. É como construir o elenco dos Morangos com Açúcar, em que o ‘squad’ serve a comunicação da marca.

PFS: Os Morangos com Açúcar tiveram sete temporadas e sete castings diferentes. Ou seja, o que é mais importante é a marca, o conceito e a linha editorial. O que propomos é criar uma linha editorial para as marcas, com base em dados, com várias temporadas.

Não interessa qual é o casting, o que é certo é que a marca mantém-se, mesmo que no primeiro ano seja o Pedro Teixeira e a Rita Pereira, e no ano a seguir sejam outros quaisquer.

M&P: Quais são os critérios de escolha nesse casting?

IRC: A nossa inteligência de dados vai buscar a pessoa certa para fazer o conteúdo para a marca. Isto é feito no Brasil, onde temos 30 pessoas só a trabalhar inteligência de dados.

M&P: Não há espaço para um criador que não entrega os melhores resultados, mas que tenha uma dimensão pessoal que justifique a escolha e que os brasileiros desconhecem?

PFS: Isso é cair no erro do ‘achómetro’.

IRC: É o que fazíamos antes, sem dados. É achar que determinada pessoa comunica bem um conteúdo. No entanto, quando é preciso alguém que fale sobre ténis, vai-se buscar alguém que é ex-jogador, árbitro de ténis ou treinador.

PFS: Há um filme em que o Brad Pitt é treinador de uma equipa de beisebol e vai buscar só jogadores de segunda e terceira linha, porque os dados estatísticos diziam que em 20 jogos, a probabilidade de ele marcar com esses jogadores era superior à média, mesmo que os adversários tivessem o Cristiano Ronaldo.

Se não queremos ou não temos dinheiro para ter uma Madalena Abecassis, vamos encontrar as ‘rising stars’ que possam ser uma Madalena Abecassis e que os dados nos apresentaram. Depois, trabalhamos com o cliente e, aí sim, podemos ponderar uma pessoa com uma personalidade que se encaixa melhor com a marca, mas os dados já nos mostraram cinco pessoas.

M&P: Na Haier vão trabalhar com que criador?

IRC: Com a Rita Carvalho de Matos, que é a nossa Marie Kondo, porque a Haier quis fazer conteúdos sobre organização de frigoríficos. Podíamos ter ido buscar a Cristina Ferreira ou a Rita Pereira, mas nenhuma delas tem a ver com organização nem com frigoríficos. A Rita Carvalho de Matos tem a ver com organização e nunca fez conteúdos para frigoríficos nem cozinhas.

PFS: Em Portugal, aliás, estamos a inovar. Nunca ninguém mostrou como é que se arruma uma cozinha, ao contrário da arrumação de closet, que é um tema que toda a gente faz.

M&P: A Rita Carvalho de Matos não é conhecida?

IRC: Há muitas pessoas que estão fora do radar das marcas, como estão fora do conhecimento geral, mas os nossos softwares apanham essas pessoas. Em Portugal, há cerca de 63,5 mil criadores e, dentro deste painel, os nossos softwares pesquisam e dão-nos os criadores para comunicar frigoríficos e organização, por exemplo, e podem aparecer 10, 50, 300.

O que o programa dá, e daí ser indiferente estar no Brasil ou em Singapura, é as melhores pessoas que comunicam todos os temas e áreas, com os filtros que quisermos, como abaixo de X anos ou abaixo de 100 mil subscritores, etc.

PFS: É encontrar territórios com comunidades de conversa, por exemplo sobre beleza, que nem a L’Oréal nem a Garnier ocupam e que descobrimos todos os dias. Ou criamos comunidades possíveis, que as marcas não estão a ocupar, esta é a beleza dos dados.

M&P: Esses criadores têm de trabalhar em exclusivo para essas marcas?

PFS: Não, desde que não seja no mesmo território. Um Bruno Nogueira, por exemplo, pode estar a apresentar um programa num canal e a fazer shows de stand-up. Mas não pode fazer um programa semelhante num canal da concorrência.

M&P: Qual é a razão da denominação Snack Content?

PFS: Antigamente, estávamos três horas a ver um programa de televisão, como o Festival da Canção ou os Jogos Sem Fronteiras. Consumíamos conteúdos como se fosse um cozido à portuguesa. Neste momento, as pessoas consomem conteúdos curtos, em snacks. Quando estamos à espera do Uber, temos cinco minutos e vemos três vídeos no TikTok.

Ou estamos à espera para uma consulta e vemos dois vídeos no Instagram. Consumimos os conteúdos à nossa medida, em qualquer lugar, como e onde queremos. Nas últimas eleições legislativas, houve 300 horas de comentários sobre debates e entrevistas de 20 minutos…

IRC: E o ‘short’ ganhou.

PFS: Depois, tivemos o short do short, que são os cortes dos comentários sobre o debate, no YouTube. O ‘always on’ é ter um canal que me vai alimentando com estes snacks de conteúdos. Isto em todas as áreas, porque ninguém vai a uma banca de jornais e quer uma revista sobre desporto. Quer uma revista sobre ténis, surf, motociclismo, etc.

IRC: O negócio digital aproxima-se muito do negócio das bancas, da imprensa especializada, como o M&P.

PFS: Trabalhamos as marcas como uma grelha horizontal, com o conteúdo principal e conteúdos ‘hub’, ‘hero’ e ‘help’.

M&P: Quais são as diferenças entre esses conteúdos?

IRC: Os ‘hero’ têm uma produção mais elevada e podem ser uma série ou um documentário, que têm robustez e são mais pontuais. Os ‘hub’ e ‘help’ são os que fazem o colchão do canal, como dicas, listas, tutoriais, pergunta e resposta, que são formatos digitais típicos.

M&P: Qual é o foco principal da Snack Content?

PFS: Criar comunidades para as marcas, aumentando a sua própria audiência em vez de a marca estar a pôr um balde de dinheiro na Madalena Abecassis, na Tripeirinha, n’A Pipoca Mais Doce ou em outros quaisquer. Em vez de gastar dinheiro a aumentar a comunidade desses influenciadores, o investimento é feito no próprio canal das marcas.

M&P: Como é que a Snack aparece no Brasil?

PFS: Antes da Snack, o Vítor e o Nelson tinham a Rede Snack, um agregador de canais no YouTube de criadores que tinham comunidades que geravam dinheiro com as marcas que se queriam associar a esses canais. Eles decidiram virar o jogo para serem as marcas a terem os seus próprios canais e falaram com os criadores para eles manterem os canais, mas passarem a ser a cara de marcas e venderem esse serviço.

Antes disto, o Vítor era vice-presidente de criação da Young&Rubicam, agora VML, e o Nelson era diretor de criação e começaram a perceber que o conteúdo era rei. A publicidade, agora, aliás, está cada vez mais virada para o conteúdo e o que ganha Ouro em Cannes são casos de responsabilidade social, com três minutos.

M&P: A preferência por esse tipo de campanhas tem a ver com os próprios consumidores, as pessoas, estarem à procura de emoções?

PFS: Sim, a procura de narrativas. Agora não se vendem carros, vendem-se como marcas que ajudam as pessoas a serem mais felizes.

IRC: Uma das tendências da publicidade é exatamente impactar emoções e inspirar, para se tornar ligeiramente conteúdo.

PFS: É uma coisa das novas gerações, que entendem que as marcas têm de devolver à sociedade aquilo que ganham. É uma maneira de combater a imagem capitalista que as marcas têm. Os millennials são muito de esquerda e socialmente ativos, e as marcas perceberam que não podem só estar a vender. Têm de mostrar que partilham as dores e têm empatia com os seus problemas e ansiedades.

M&P: Para quem comunica, faz publicidade e trabalha marcas, isso torna o trabalho mais difícil ou mais fácil?

IRC: Mais fácil.

PFS: O nosso trabalho na Snack ficou mais fácil. O Marcelo Lourenço, diretor criativo da Coming Soon, escreveu uma crónica sobre ter estado num júri de prémios de criatividade, em que apareceu uma campanha que ele achou brilhante e estava toda a gente a votar nela. De repente, alguém disse “epá, não vamos votar nessa que isso é apenas publicidade”.

E ele disse, “onde é que chegámos? Já tenho saudades das campanhas em que queremos vender o produto e não uma ONG”. Estamos no campeonato da publicidade, não estamos no campeonato da responsabilidade social, nem as agências são ONG.

IRC: Às vezes, os conteúdos tornam-se publicidade por causa desse viés. Se não lhe for dada a dimensão emocional, informativa e intuitiva, que estimule os sentidos, fica só como publicidade.

PFS: Outro aspeto é que o YouTube, ou outra rede social, não distingue se é um criador a fazer os conteúdos ou se é uma marca. Para o algoritmo, ,é indiferente se é uma marca ou uma pessoa quem cria, o que lhe interessa é o conteúdo.

M&P: O utilizador faz essa distinção?

IRC: Distingue. Quer bons conteúdos, independentemente de serem de uma marca ou de um criador.

PFS: Por isso, a importância da nossa metodologia de dados, que nos diz o que o espetador quer ver.

M&P: Em termos da vossa estrutura física, os estúdios e os equipamentos audiovisuais, como é que chegaram a estas instalações [os antigos estúdios da Valentim de Carvalho, na Cruz Quebrada]?

PFS: Desde a pandemia, em 2020, já estava aqui com a Briskman, que se mantém.

IRC: Trabalhei há 15 anos na Valentim de Carvalho, no piso 6. Este edifício não era um cowork. Tinha a Valentim de Carvalho e a LMK Vídeo.

M&P: Quais são as características deste espaço que encaixam nas vossas necessidades?

IRC: Uma empresa como a Snack, que está em crescimento, precisa de espaço. Em Lisboa, é difícil, o espaço é muito limitado e é difícil encontrar um sítio onde se consiga expandir para mais 100 ou 200 metros quadrados de área.

PFS: Aqui, se tivermos um projeto especial, conseguimos arranjar uma sala em que podemos pôr seis pessoas, dois guionistas, dois editores e dois gestores de redes sociais, durante três meses a trabalhar. Começámos com 50 metros quadrados e agora já ocupamos 300 metros quadrados, isto no espaço de um ano.

IRC: Tivemos mais clientes e trabalhos, aos quais precisámos de dar resposta.

PFS: No filme Campo de Sonhos, o personagem do Kevin Costner é um cultivador de milho que ouve uma voz a dizer-lhe para construir um campo de beisebol. A voz diz-lhe: ‘if you build it, he will come’. Se ele construísse um campo de beisebol, o Mickey Mantle, uma das vedetas do beisebol, iria aparecer.

Ele constrói, e toda a gente na terra chama-lhe maluco, mas há um dia em que os fantasmas dos melhores jogadores de beisebol aparecem e jogam, e ele e a família são os únicos espetadores do jogo. Na minha vida, usei sempre essa frase e nunca me dei mal. Se construir o campo, os jogadores aparecem. Se estiver preparado para ter trabalho, o trabalho aparece.

 

O criativo publicitário e a produtora de TV
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Meios & Publicidade (M&P): Qual foi o vosso percurso e como é que chegam à Snack Content?

Pedro Filipe Santos (PFS): Comecei em 1992 na Publicis, como visualizador, diretor de arte, onde estive quatro anos até sair para montar a minha agência, a Sumo, que vendi em 2001 para ir para Amesterdão, durante um ano, para trabalhar como freelancer. Foi quando conheci o branded entertainment, que estava a dar os primeiros passos.

Trabalhei com a agência 180 Amsterdam, que tinha a conta mundial da Adidas, que fazia uns formatos baseados nos filmes de 30 segundos ou vídeos longos, muito para televisão e product placement. Quando voltei para Portugal, criei uma produtora que fosse um híbrido entre o que sei sobre publicidade e o que a minha sócia, que é a minha mulher, sabe sobre televisão.

Eu e a Ana [Antunes] montámos a produtora Briskman, que começou com conteúdos exclusivamente para marcas. Primeiro, pensávamos no segmento da marca e, depois, víamos qual era o conteúdo que servia melhor, em vez de criar um formato de televisão e, depois, arranjar patrocinadores. Fui produtor e realizador na MTV Portugal e ainda continuo como produtor executivo da Briskman, mas é a Ana, a minha mulher, quem está à frente da produtora.

Inês Ramada Curto (IRC): Trabalhei com o Pedro na TVI, onde na altura era produtora. Fizemos juntos alguns formatos, como o Querido, Mudei a Casa e o Querido, Comprei Uma Casa, para a Remax. Fiz produção televisiva até 2022, em produtoras que faziam conteúdos para a SIC, TVI e RTP, e, em estação de televisão, na TVI e no canal Q, em formatos como novelas, séries e concursos.

M&P: Já tinham pensado transitar para o vídeo social?

IRC: Depois da pandemia, senti que o mundo mudou e que eu mudei com o mundo. Percebi que a televisão estava sustentada na publicidade, que investia cada vez menos em televisão, e que parte desses investimentos estavam assentes em conteúdos. Pensei que queria estar do lado do conteúdo, onde estão as pessoas, aquilo que consomem e o que as faz aproximarem-se de um produto, serviço ou ideia.

A televisão já tinha o conceito de ‘branded content’, mas nunca foi uma aposta, porque as fichas na televisão são todas postas em ‘broadcast’, que é o ‘core’, a galinha dos ovos de ouro. Inclinei-me muito mais para o lado dos conteúdos e tive a sorte de o Vítor e o Nelson quererem expandir o negócio para Portugal.

Eu e o Pedro já tínhamos a paixão pelos conteúdos, a Snack já trabalhava no conceito ‘always on’ e nós os dois já estávamos a pensar em projetos juntos.

PFS: Foi uma feliz coincidência, porque estava a estudar como é que conseguia transformar a Briskman numa fábrica de conteúdos. O mercado de televisão, tal como existe em Portugal, é uma fórmula que está muito fechada a novidades. Uma produtora independente como a Briskman, ou se alguém quiser montar uma produtora do zero, tem duas hipóteses: não faz nada e passa fome ou então representa um formato internacional que foi um sucesso em 42 países.

O que acontece, normalmente, é que as grandes multinacionais em Portugal, como a Shine Iberia, a Freemantle e a SP Televisão, já têm esses formatos todos reservados e ninguém consegue entrar no mercado. Quando se vai a Cannes ao MIPCOM tentar comprar formatos, já está tudo reservado e os canais não arriscam em ideias novas porque a pressão é muito alta.

Compra-se e faz-se o Big Brother durante 20 anos porque funciona. Não se compra uma ideia minha ou sua porque não se sabe se funciona.

M&P: Quais são os vossos cargos e funções?

IRC: Somos os dois codiretores executivos da Snack Portugal e as nossas responsabilidades e funções definiram-se organicamente. Conhecemo-nos há 20 anos e nunca nos sentámos a dizer ‘eu faço isto, tu fazes aquilo’.

O Pedro é totalmente criativo e faz a parte criativa e técnica, de criação de equipas e realização, enquanto eu sou mais de números, estratégia, pagamentos, atendimento e gestão de clientes.

Temos equipas subcontratadas, que fazem captação e edição de imagem, maquilhagem e guarda-roupa, por exemplo. O gabinete jurídico está em Portugal, a parte estratégica está em Itália, a inteligência de dados e o casting de criadores está no Brasil.

 

Unidos na reinvenção no digital
–––

Meios & Publicidade (M&P): Do que é que vocês estavam à procura?

Pedro Filipe-Santos (PFS): Eu e Inês, quando nos encontrávamos, estávamos sempre a ver qual seria o próximo passo. Tentava perceber como é que podia transformar as marcas e os formatos que fizemos na Briskman em algo 100% digital.

Por coincidência, surgiu a Snack com o conceito ‘always on’, que é o que sempre fizemos, mas como uma lógica de produção sustentada por dados e apenas para o digital, sem levar os camiões de equipamentos e de luzes como na publicidade, sem ter as fichas técnicas com 150 pessoas como é em televisão, com estruturas quase de guerrilha, pequenas e leves, que consigam ser absolutamente rentáveis e exequíveis porque esmagam o preço na fonte, na produção, mas conseguem o objetivo que é ter conteúdos diários, semanalmente.

M&P: Já estavam alinhados para fazer isso?

Inês Ramada Curto (IRC): Estávamos alinhados para fazer ‘branded content’, mas a Snack deu-nos uma visão de negócio em que era possível crescer e escalar muito mais rápido, porque já tinha uma estrutura pensada, trabalhada e sólida, no Brasil.

Concluímos que fazia todo o sentido explorarmos o que queríamos fazer através da Snack, que tinha ainda o lado data driven que não tínhamos pensado inicialmente.

PFS: Não tínhamos uma estrutura montada, estávamos a definir o que é que podíamos entregar que fosse diferente do que toda a gente faz.

Não íamos acrescentar nada se fossemos montar mais uma agência de comunicação 360 ou de marketing. Somos muito criativos e temos muita experiência, mas há 100 mil pessoas que são criativas e têm experiência.

Sobre o autorCatarina Nunes

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Há uma nova rede social portuguesa para idosos

Socialização, entretenimento e navegação na internet são algumas das funcionalidades da plataforma (na foto) da startup portuguesa Sioslife, que pretende combater o isolamento social na terceira idade e está disponível para os utentes de cerca de 600 instituições

A startup Sioslife lança a primeira rede social para idosos em Portugal, que  já conta com mais de 16 mil utilizadores, dirigida a quem se encontra em instituições de cuidados para a terceira idade ou autónomo em casa. Disponível a partir de 19 de junho, a plataforma permite que a população sénior faça novas amizades e comunique entre si, através de chamadas, videochamadas e partilha de conteúdos, entre outras funcionalidades.

“Esta é uma rede social dedicada exclusivamente às pessoas mais velhas e tem como objetivo combater o isolamento social, um dos principais problemas associados ao envelhecimento. É uma rede social completamente diferente daquilo que conhecemos e destaca-se pela interface de utilização super simples. Com dois ou três toques no ecrã é possível encontrar amigos na comunidade e estabelecer uma relação de amizade, com apenas mais um toque inicia-se uma videochamada e o dia destas pessoas muda por completo”, explica em comunicado de imprensa Jorge Oliveira, CEO e fundador da Sioslife.

Com a mesma denominação da empresa que a criou, Sioslife, esta rede social pode ser acedida em exclusivo através dos sistemas interativos de inclusão digital da Sioslife (tablets e computadores), presentes em cerca de 600 instituições em Portugal, mas também em Espanha e no Brasil. Tem como base a solução tecnológica da ageTech, de Braga, que em 2023 levantou €2,3 milhões numa ronda de capital. A solução tecnológica facilita o contacto e a partilha de dados entre utentes, profissionais e cuidadores das instituições envolvidas. Socialização, entretenimento e navegação na internet são algumas das funcionalidades disponíveis, adaptadas de forma segura para pessoas com menor literacia digital.

 

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Incubeta compra empresa de análise de marketing Persuasion Technologies

A integração da empresa malaia permite à Incubeta oferecer informações mais abrangentes sobre o comportamento do consumidor e o desempenho das campanhas, habilitando os clientes das duas empresas a alcançar resultados de marketing otimizados com maior precisão e eficiência

A Incubeta, empresa que desenvolve, comercializa e implementa soluções de marketing digital, anunciou a aquisição da Persuasion Technologies, companhia tecnológica sediada na Malásia. Apesar de a nova marca Persuasion by Incubeta já estar a ser usada, a conclusão do negócio ainda está, todavia, sujeita a aprovação por parte das entidades reguladoras, um processo de validação burocrática que ainda decorre.

Fundada em 2010, a Persuasion Technologies, que é um dos parceiros certificados do Google Cloud Platform (GCP) na região da Ásia-Pacífico, é especializada em análises de marketing. A integração da Persuasion Technologies permite à Incubeta oferecer informações mais abrangentes sobre o comportamento do consumidor e o desempenho das campanhas, habilitando os clientes das duas empresas a alcançar resultados de marketing otimizados com maior precisão e eficiência.

“Esta fusão estratégica melhora significativamente as nossas capacidades de aproveitar as análises avançadas e a tecnologia em ‘cloud’ para redefinir a eficácia de marketing e a otimização de campanhas”, informa a Incubeta em comunicado de imprensa, acrescentando que “a aquisição contribui para que a empresa amplie os seus serviços de cloud marketing e de inteligência artificial”.

Responsável por impulsionar o ROI e as análises de marketing para mais de 500 empresas, a Persuasion Technologies desenvolveu o seu próprio ‘data warehouse’ de marketing e clientes, o Datalaksa, um serviço de análise de dados, criação de painéis e automação de marketing. “A Persuasion by Incubeta terá acesso ao leque completo de serviços e soluções da Incubeta, incluindo a Seamless Technology, permitindo-lhe oferecer aos clientes um pacote completo de marketing digital”, refere o comunicado.

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Dentsu Creative é finalista em Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (com vídeo)

O projeto ‘Improbable Housemates’ (‘Dá Espaço À Partilha’) já tinha chegado à ‘shortlist’ na categoria de Direct, em Consumer Services/Business to Business e Single Market Campaign, mas sem ser premiado

O ‘Improbable Housemates’ da Dentsu Creative está na ‘shortlist’ do Cannes Lions 2024 na categoria Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Cidades e Comunidades Sustentáveis), com o website para a Meo, que junta jovens estudantes à procura de casa com idosos que vivem sozinhos e procuram companhia.

Esta plataforma deu origem a uma campanha de Natal, com um filme realizado por Marco Martins. O projeto, em português ‘Dá Espaço À Partilha’, que é agora candidato a Leão em Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, já tinha chegado à ‘shortlist’ do festival de Cannes na categoria de Direct, em Consumer Services/Business to Business e Single Market Campaign, mas sem ser premiado.

 

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NetAudience: TVI reforça liderança e aumenta vantagem em relação à SIC

O Ranking NetAudience de Entidades da Marktest volta a ser liderado pela TVI em maio, com uma diferença ainda maior em relação à SIC, que ocupa o segundo lugar da tabela. O Ranking NetAudience de Redes da Marktest é dominado pela Nónio, com um alcance de 62,4%, mais 0,6% face ao mês anterior

Em maio, a TVI não só voltou a liderar o Ranking netAudience de Entidades da Marktest, com um alcance de 37,4%, como quase duplicou a diferença em relação à SIC, que ocupa novamente o 2º lugar, com 33,5%. Em abril, a diferença tinha sido de 2,2%. Em maio, atingiu os 3,9%. Os dois canais estão separados por 331.575 utilizadores, uma vez que as plataformas digitais do canal da Media Capital registaram um alcance de 3.212.649 indivíduos e as da estação da Impresa chegaram a 2.881.074 consumidores. Em abril, a diferença tinha sido de 189.777.

O 3º lugar da tabela é ocupado pelo Correio da Manhã, com um share de 33,4% e 2.866.317 leitores, revela a análise de audiências auditadas, agora divulgada. Em comparação com o mês anterior, o título da Medialivre caiu 0,2% e perdeu 20.631 leitores.

Em 4º lugar, figura o JN, com 31,7%, à frente da NiT, que perde uma posição e desce para o 5º, com 28,7%, apesar de ter crescido 1,4% face a abril. A 6ª posição é ocupada pelo Expresso, com 28,4%. O Observador mantém-se em 7º lugar, com 24,4%, a mesma percentagem conseguida pela Flash, que figura na 8ª posição. O 9º lugar do ranking, que a Marktest apresenta mensalmente desde maio de 2019 com os números relativos ao alcance agregado dos títulos das entidades subscritoras com tráfego auditado, é novamente ocupado pelo OLX, com 22,9%.

Com 19,1%, a RTP, que regressa à tabela, fecha o top 10, ocupando o lugar que em abril pertenceu ao Diário de Notícias, que desce para a 11ª posição, com 18,7%. A empresa pública de rádio e televisão conquistou 1.644.175 leitores, mais 35.413 do que o jornal do Global Media Group.

 

 

O Ranking netAudience de Redes da Marktest referente ao mês de maio é dominado pela Nónio, com um alcance multiplataforma de 62,4%, mais 0,6% face a abril, correspondente a 5.362.617 indivíduos. A segunda posição é ocupada pela Media Capital, em 2º lugar com 48% e 4.123.004 pessoas alcançadas. Em 3º lugar, surge a Medialivre, com 44,4%, mais 0,2% do que a Impresa, que figura em 4º lugar com 44,2%.

Estão separadas apenas por 14.338 indivíduos, dado que a rede da antiga Cofina terminou o mês com 3.810.697 utilizadores e a da dona da SIC com 3.689.629. O Global Media Group volta a fecha o top 5 deste ranking, com 41,7%, um aumento de 1,2% em comparação com abril.

 

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VML faz campanha para nova assinatura global do Santander (com vídeo)

Com produção da Garage, a campanha multimeios abrange televisão, exterior, display e redes sociais, além dos canais próprios do Santander, e estará no ar até agosto

‘Começa Agora’ é a nova assinatura global do Santander, desenvolvida em conjunto com todos os países onde o banco tem operações, que está a ser lançada com uma campanha criada pela VML e produzida pela Garage Films. O primeiro dos dois vídeos vai para o ar a 18 de junho, ao qual se seguirá o segundo em julho.

“A campanha tem dois temas principais, habitação e educação, que têm uma relevância na sociedade e pretendemos  mostrar o nosso papel e impacto”, refere um porta-voz do Santander, em declarações ao M&P.

O conceito criativo baseia-se na premissa de que a vida é feita de mudanças e que cada um decide o quê, quando e como o quer fazer. O Santander apresenta-se como o banco que está disponível para materializar esses desejos e projetos, mesmo quando parecem difíceis de alcançar. Desta forma, o Santander posiciona-se como um banco próximo das pessoas e a campanha irá abordar temas como empreendedorismo, transição energética (na foto), empoderamento financeiro e literacia financeira.

A campanha multimeios abrange televisão, exterior, display e redes sociais, além dos canais próprios do Santander.

 

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Cannes Lions 2024: Conheça os vencedores dos Grandes Prémios (com vídeos)

Health&Wellness, Health for Good, Print&Publishing, Radio&Audio, Outdoor e Pharma são algumas das categorias cujos prémios já foram anunciados

A 71a edição do Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions, a decorrer em Cannes entre 17 e 21 de junho, já tem vencedores. Na categoria Health & Wellness, a campanha da The Last Barf Bag para a Dramamine rendeu à FCB Chicago o Grande Prémio. O minidocumentário de 12 minutos, produzido pelo Interpublic Group of Companies e pela Sunny Sixteen, explora a subcultura dos sacos para enjoos, traçando o perfil de quatro colecionadores que exibem aqueles que consideram ser os seus tesouros.

Child Wedding Cards, a campanha da UN Women idealizada pela Impact BBDO Dubai, para defender a elevação da idade mínima de casamento para os 18 anos no Paquistão, conquistou o Grande Prémio na categoria Health For Good. O país é, com mais de 4,6 milhões, o sexto do mundo com mais noivas infantis, uma realidade que a organização pretende combater.

Na categoria Print & Publishing, a campanha Recycle Me, da Coca-Cola, onde o logotipo da marca surge com uma aparência desconfigurada, foi a distinguida. Desenvolvida pela WPP Open X em colaboração com a Ogilvy New York, foi inicialmente lançada na Argentina, no México e no Brasil, antes de ser divulgada globalmente.

The Misheard Version, campanha da Golin London que recupera a canção “Never gonna give you up”, um êxito internacional do britânico Rick Astley, ganhou o Grande Prémio na categoria Radio & Audio. Encomendada pela Specsavers, empresa que disponibiliza serviços de audiologia e oftalmologia, a campanha de sensibilização pretende combater o estigma em relação aos testes auditivos.

Na categoria Outdoor, venceram a Lola MullenLowe e a Colenso BBDO. A agência criativa sediada em Madrid viu reconhecidas os anúncios Stairs, Corner e Doorstep, da campanha ‘Find your summer’ para a Magnum, com imagens a preto e branco de consumidores a saborear gelados num dia de inverno.

A agência neozelandesa Colenso BBDO foi distinguida pela campanha Adoptable, também na categoria Outdoor. Produzida pela Nexus Studios para a Pedigree, apela a uma adoção animal responsável, dando a oportunidade a cães que vivem em abrigos, à espera de novos donos, a serem as estrelas de anúncios publicitários da marca.

Na categoria Pharma, foi distinguida a Magnetic Stories da Area 23, agência de Nova Iorque da IPG Health Network Company, com produção da Bro Cinema e realização de Mário Patrocínio. Encomendada pela Siemens Healthineers, trata-se de um projeto que transforma os sons do exame por ressonância magnética em protagonistas de uma coleção de audiolivros infantis.

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Marketing

João Ova Lopes é novo gestor global de patrocínios da Heineken

Na nova função em Amesterdão irá estar responsável pela gestão de parcerias globais da Heineken, com principal destaque para a UEFA (Liga dos Campeões) e Fórmula 1

João Ova Lopes é o novo gestor global de patrocínios da The Heineken Company, com responsabilidade sobre parcerias e patrocínios da marca de cerveja. O profissional troca Lisboa por Amesterdão, após cerca de seis anos na Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, onde desempenhou várias funções de gestã0 de marca.

Licenciado em Gestão na Católica Lisbon SBE, e com mestrado e pós-graduação em Gestão de Marketing e Marketing Digital, respetivamente, João Ova Lopes passou por empresas como a Tabaqueira (Philip Morris International) e a EDP Comercial, antes de iniciar o percurso na área das bebidas.

Na nova função, em Amesterdão, o marketer irá estar responsável pela gestão de parcerias globais da marca Heineken, com principal destaque para a UEFA (Liga dos Campeões) e a Fórmula 1.

The Heineken Company é uma das principais cervejeiras mundiais e, para além da marca de cerveja com o mesmo nome, detém marcas internacionais como Amstel, Desperados, Birra Moretti, Tiger e muito mais.

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Cannes Lions 2024: Bar Ogilvy ganha Leão de Bronze com ‘The Endangered Typeface’

O projeto vencedor em Digital Craft (Data Visualisation) é uma tipografia em que cada letra representa uma espécie animal e à medida que o número desses animais diminui, a letra correspondente a essa espécie desaparece. “O maior vencedor foi a natureza”, considera José Carlos Bomtempo, CCO e sócio da Bar Ogilvy

Catarina Nunes

A Bar Ogilvy foi distinguida no Cannes Lions 2024 com um Leão de Bronze na categoria Digital Craft (Data Visualisation), com o ‘The Endangered Typeface’, soube o M&P. O projeto desenvolvido em parceria com a Associação Natureza Portugal (ANP), em colaboração com o World Wide Fund for Nature (WWF), pretende sensibilizar a sociedade para a atual sexta extinção em massa de espécies no planeta, que se caracteriza pela perda de biodiversidade.

“Uma ideia tão animal só poderia ganhar Leão. Mas, trocadilhos à parte, o maior vencedor foi a natureza”, comenta José Carlos Bomtempo, CCO e sócio da Bar Ogilvy, em declarações ao M&P.

‘The Endangered Typeface’ é uma fonte viva para proteger toda a vida animal. Nesta tipografia, cada letra representa uma espécie animal e à medida que o número desses animais diminui, a letra correspondente a essa espécie desaparece proporcionalmente. A fonte é atualizada com dados da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da International Union for Conservation of Nature (IUCN).

No Dia Mundial da Vida Selvagem, a 3 de março, os parceiros deste projeto lançaram uma edição limitada de serigrafias numeradas, alertando para a extinção massiva de espécies em curso no planeta. A coleção de serigrafias (na foto) é composta por 25 posters, um para cada letra/animal, destacando o nível de ameaça de cada espécie e o número restante. Ao fazer um donativo mínimo de €50, qualquer pessoa poderá escolher uma letra e receber um dos posters em casa. Todo o dinheiro angariado reverte para os projetos de conservação natural da ANP/WWF.

Sobre o autorCatarina Nunes

Catarina Nunes

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Comunicação

Companhia das Soluções reforça marketing de influência e reorganiza área de media

A comemorar duas décadas, a agência de comunicação portuense, que acaba de conquistar a assessoria de imprensa da One e dos centros comerciais da CBRE, promove Mariana Cottim a coordenadora de media e Luísa Marques a coordenadora de marketing de influência

A Companhia das Soluções está a alargar a oferta de serviços de marketing de influência, uma área que Luísa Marques, até agora gestora de contas e coordenadora de equipas, passa agora a coordenar. Mariana Cottim, que tinha as mesmas funções, também é promovida, assegurando a coordenação de media, uma área que ganha autonomia com a criação do novo cargo.

“Sentimos que era necessário termos pessoas dedicadas a estas duas grandes áreas, dois eixos principais da agência, compreendendo os players envolvidos em cada uma, definindo e implementando a estratégia geral da agência”, justifica ao M&P Sónia Pereira, CEO e fundadora da Companhia das Soluções.

Agilizar processos e aumentar a eficiência da organização é uma das pretensões da atualização de funções. “O cliente e o nosso serviço estão no centro de tudo o que fazemos, as equipas são hoje mais autónomas e colaborativas. Ao celebrarmos o 20º aniversário, aproveitamos para olhar para o nosso percurso e projetar o futuro. Com isso, construímos uma nova versão da agência, pensada para ser uma organização mais ágil, humana e com impacto”, refere a responsável.

Guess, Tous e JBL são os novos clientes da Companhia das Soluções, que acaba também de conquistar a comunicação dos centros comerciais da CBRE Portugal e da marca de relógios One. “Será um trabalho centrado em assessoria mediática para ambas as marcas, que poderá ser complementado com outras áreas”, sublinha Sónia Pereira. “Acreditamos que é uma excelente oportunidade para demonstrarmos o nosso valor, a dedicação das nossas equipas e a elevada qualidade do serviço que prestamos”, acrescenta.

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Bar Ogilvy cria campanha para produtos de marca própria da Auchan (com vídeos)

Auchan Baby e Auchan Bio são as duas submarcas que integram a campanha multimeios, que conta com a criatividade da Bar Ogilvy e produção da Jungle Corner. O planeamento de meios é da EssenceMediacom Portugal

Idealizada pela Bar Ogilvy e produzida pela Jungle Corner, a nova campanha multimeios da Auchan põe em destaque a variedade de produtos de marca própria que esta cadeia de grande distribuição disponibiliza na rede de lojas que detém de norte a sul do país. Realizados por Paulo Grade, os spots publicitários que a integram têm direção criativa executiva de José Bomtempo, direção de arte de Gabriel Mendes, redação de César Silva e sonoplastia da Estrela de Alcântara.

Auchan Baby e Auchan Bio são as duas primeiras submarcas promovidas pela campanha. “Ao longo do ano, vão surgir mais filmes publicitários centrados noutros produtos. Esta campanha estará presente em televisão, rádio, digital, outdoors e nas plataformas online da marca”, informa o retalhista em comunicado de imprensa. O planeamento de meios é da responsabilidade da EssenceMediacom Portugal.

“Na Auchan existem várias gamas e produtos que nos diferenciam dos concorrentes. Com esta nova campanha queremos aproximar-nos tanto de quem consome os nossos produtos, como de quem os compra, e demonstrar que, à semelhança das coisas que só temos em nossa casa, também há coisas que só encontramos na Auchan”, esclarece Solange Farinha, diretora de marketing, de cliente e de digital da Auchan Retail Portugal.

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