Lisbon November Tweets

Por a 15 de Novembro de 2022

Luís Mergulhão, CEO do Omnicom Media Group Portugal

Mais e mais estudos – Em épocas de crise, com as dificuldades das empresas em atingirem os seus objetivos de vendas, estas são sempre tentadas a lançar no mercado estudos que fundamentem as opções de investimento de forma aparentemente mais precisa, e com informação mais fina. O setor dos media não está isento destas iniciativas e, de repente, somos de novo inundados de estudos (e softwares associados), “imprescindíveis” para a atividade e comunicação das marcas, que terão de ser pagos pois têm, naturalmente, associados os custos inerentes à sua produção. O balanço fica sempre por fazer, pois quem os concebe, disso faz o seu negócio, e quem comunica, se não tiver de os pagar, deles sempre pode precisar, nem que seja para ter mais informação. Todavia, os riscos terão de ser assumidos por quem giza tais estudos, e não necessariamente por quem julgam que os deverão obrigatoriamente comprar e pagar. Tudo isto num mundo e ecossistema onde a automação e a simplicidade têm cada vez mais um papel crucial na eficácia, produtividade e resposta imediata para a comunicação das marcas que contribuam para a conversão (imediata ou mediata) em vendas.

Monopólio naturais, que não deixam de ser monopólios – A dimensão do nosso mercado remete-nos, por vezes, para situações onde acaba por não haver lugar, por razões de viabilidade económica ou de convenções, para mais do que um operador em muitas das áreas conexas com os media. Temos, ao mesmo tempo, a sorte de os ter localizados e a operar no nosso mercado, e a desdita de serem monopólios, embora naturais. Aqui, também, haverá que ter de ambos os lados – quer de quem assim se tornou quer de quem é deles clientes – um cuidado redobrado para que os (também naturais) malefícios de qualquer monopólio, não venham a ter uma expressão menos positiva, senão mesmo danosa, para o funcionamento do mercado.

Cash e dívida – Estamos a viver um período muito interessante ao nível dos media. Tal deriva, antes de tudo, da sua necessidade de reposicionamento face às plataformas globais, à maior importância/valor dos conteúdos, e à facilidade da sua distribuição/consumo destes por diversos canais. Agora, acresce a liquidez de capitais que sempre, em épocas de crise, surge, com a necessidade de encontrar outras aplicações alternativas, quer constituam um “porto” menos exposto ao risco quer mais seguro face às suas origens. Neste movimento inesperado, por rápido, existe ao mesmo tempo, nos media, a necessidade de pay back de investimentos feitos, ou de amortizar/reestruturar dívida caso ela tenha sido necessária para esses investimentos. Não se tratando de um setor qualquer, pela sua importância social e nacional estratégica, haverá que acompanhar os movimentos que possam ocorrer. E estará tudo mais perto do que se poderia pensar.

Short tweets:
Netflix – Entrada pouco auspiciosa da Netflix na oferta publicitária, num ano que pouco corre bem para aquela plataforma. A publicidade, essa, veio para ficar, como contrapeso para ofertas mais agressivas de custo de mensalidade para os subscritores;

Google cada vez mais local? – A adesão anunciada do Google Portugal ao instituto que, no nosso país, desenvolve uma atividade de Auto Regulação Publicitária só pode ser aplaudida, mesmo que depois, na prática, se torne difícil à plataforma de o assegurar totalmente, dados os perfis e IP de acesso muito diferentes e situados em países e regiões de origem distintas.

Artigo de opinião assinado por Luís Mergulhão, CEO do Omnicom Media Group Portugal

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