Como a música e o som ativam os nossos cérebros

Por a 25 de Novembro de 2022

Basta constatar o naming nos grandes festivais de música para se entender o poder da mesma quando associada a uma marca. Parece-me natural que as empresas recorram ao som e à música para reforçar a sua marca sempre que a mesma aparece, sendo esta uma forma de estimular um vínculo emocional designado por “self-connection”, uma forma de viabilizar/facilitar a relação entre consumidor e marca.

A música dá uma voz, através da qual a marca comunica, tornando-se um veículo de comunicação ativo e eficaz, facilitador da captação da atenção dos ouvintes, de os envolver numa atmosfera criada pelas emoções transmitida pela sua composição, proporcionando, de certa forma, uma experiência sensorial. Tem o poder de gerar emoções, criar sentimentos, cativar a atenção, facilitar a compreensão e memorização de mensagens, persuadir consumidores para novos comportamentos de consumo.

É assim desde o início do século XX e com a ajuda da neurociência, estudos comprovaram a forma como a mesma atinge zonas específicas do nosso cérebro. E o que é que a música/som é realmente capaz de ativar nos nossos cérebros? Aqui precisamos de recorrer à neurociência.

A música é um tipo de linguagem e isso tem sido muitas vezes negligenciado. Música, ou som em geral, sendo uma linguagem, é capaz de ativar áreas semânticas do cérebro – as mesmas que estão ativas quando alguém fala connosco. Scheier refere que muitos cientistas veem a música como um precursor da linguagem, evolutivamente falando. Podem ativar-se conceitos semânticos através do som, como por exemplo “inspiração” ou “escapismo”.

Não se tratam de emoções e proporção, afirma, mas antes de uma discussão sobre quais são os conceitos semânticos que precisamos desencadear. Peretz diz-nos que a música tem sido descrita como “viva, pública, improvisada, espontânea, participativa e social”. Oliver Sacks afirma que a música, canções e dança são partes integrantes da vida humana e que quase todos os seres humanos (e talvez até alguns animais) têm preferências e atividades musicais particulares pelo seu poder de induzir experiências prazerosas e recompensadoras. Janata concluiu nos seus estudos sobre o cérebro que depois de apenas 15 segundos a ouvir música, as mesmas regiões do cérebro que imitam e compõem sequências de ação, são fortemente ativadas, mesmo que sejamos forçados a ficar parados.

Isto ajudará a perceber a importância da utilização do sound branding na atual comunicação, por ser a combinação da física acústica, da psicologia da perceção, das narrativas sónicas,uma junção da ciência e da arte baseada na perceção, na emoção e na estética.

Artigo de opinião de Elvis Veiguinha, diretor geral da Dmix e doutorando em Arte dos Media (sound branding)

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