Venda das rádios leva lucros da Media Capital para os 40,8 milhões no semestre

Por a 12 de Agosto de 2022

O grupo Media Capital passou de um prejuízo de 8,5 milhões  de euros no primeiro semestre de 2021 para um resultado líquido de 40,8 milhões no mesmo período em 2022. Para este resultado contribuiu a conclusão da alienação do negócio de rádios à Bauer Media Audio no montante de 69,6 milhões e que gerou uma mais-valia líquida de 46,5 milhões de euros.

Em comunicado enviado à CMVM, o grupo dirigido por Mário Ferreira informa que atingiu níveis de endividamento líquido “mais baixos da sua história” (16,1 milhões de euros), isto quando no final de 2021 se situava nos 62,2 milhões de euros.

Analisando as contas, no primeiro semestre os rendimentos operacionais da Media Capital cresceram 70 por cento para 123,9 milhões de euros quando, no mesmo período de 2021, haviam sido de 72,8 milhões. Excluindo o efeito da venda das rádios à Bauer Media Audio, os rendimentos operacionais cresceram 6 por cento para os 77,4 milhões de euros, sendo que estes números ainda incluem cinco meses do negócio das rádios integradas no grupo.

Os gastos operacionais cresceram dois por cento para os 76,1 milhões de euros em 2022. O EBITDA consolidado do grupo no primeiro semestre ascendeu a 1,3 milhões de euros, que compara com os dois milhões negativos no mesmo período de 2021.

Receitas publicitárias: “tendência clara de convergência para os valores pré-pandemia”

As receitas de publicidade da Media Capital registaram um crescimento de 9 por cento no primeiro semestre, face a igual período de 2021. “Este crescimento é suportado não só pela recuperação do mercado publicitário que, no primeiro trimestre de 2021 ainda se encontrava algo afetado pela pandemia, sobretudo no negócio das Rádios, mas também pela forte dinâmica de recuperação da posição da TVI e da consolidação da posição da CNN Portugal entre os canais de cabo. Os valores de investimento publicitário nos mercados de televisão em sinal aberto, cabo e digital apresentam uma tendência clara de convergência para os valores pré-pandemia, sendo que no caso do digital a tendência é de superação”, refere o grupo, que indica, que, no caso do mercado das rádios, “assiste-se a uma maior resistência da retoma nos valores de investimento, que continuam ainda inferiores aos pré-pandémicos”.

O grupo detalha que a publicidade no segmento televisão registou uma variação positiva de 8 por cento, enquanto que no segmento Outros (que inclui as áreas do digital, assim como a holding e os serviços partilhados do grupo), a subida atingiu os 9 por cento. “Já no segmento de Rádio & Entretenimento o crescimento foi de 12 por cento, sendo de destacar que o crescimento ocorre mesmo na situação de comparação de cinco meses no primeiro semestre de 2022, com seis meses completos do período homólogo”, refere o grupo em comunicado.

Desempenho dos segmentos televisão, audiovisual e rádio

No segmento de televisão, que engloba os canais TVI, CNN Portugal, TVI Internacional, TVI Ficção e TVI Reality, os rendimentos operacionais totais crescerem 5 por cento no primeiro semestre para os 64,6 milhões. Os rendimentos de publicidade tiveram um crescimento de 8 por cento para os 44,6 milhões. Os gastos operacionais apresentam um aumento de 2 por cento, para os 68,1 milhões, “reflexo da continuação da aposta nos conteúdos oferecidos, com especial relevância para o investimento na informação e, em particular, no canal CNN Portugal”, justifica o grupo. A operação televisão resultou num EBITDA negativo de 3,5 milhões, uma melhoria “relevante” face aos 5,7 milhões no mesmo período de 2021.

No caso das rádios, em que só são contabilizados os resultados até 31 de maio, o EBITDA ascendeu a 3,1 milhões de euros, mais 50 por cento face aos 2,1 milhões do período homólogo. Os rendimentos de publicidade da operação que então detinha a Comercial, M80 e Cidade cresceram 12 por cento para os 7,5 milhões de euros. Os outros rendimentos operacionais cresceram para os 889 mil euros, resultado “de maiores rendimentos associados a direitos musicais”. Os gastos operacionais aumentaram 1 por cento para os 5,2 milhões.

Já a Plural atingiu um total de rendimentos operacionais de 16,2 milhões de euros durante o primeiro semestre de 2022, apresentando um decréscimo de 2 por cento face ao mesmo período de 2021. Já os gastos operacionais subiram 8 por cento atingindo os 16,0 milhões de euros, “resultado de uma aposta clara na qualidade de produção dos conteúdos”, assegura o grupo. O EBITDA foi de 0,2 milhões de euros, que compara com 1,6 milhões de euros do primeiro semestre de 2021, ou seja, uma quebra de 90 por cento.

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