O melhor é acabar com a Humanidade

Por a 15 de Julho de 2022

Vítor Cunha, administrador da JLM&A

Há uma fórmula possível para acabar com os atropelos ao planeta, podendo ainda salvá-lo do apocalipse: vamos destruir a Humanidade. É verdade que não somos o único fator de deterioração da vida na Terra, mas nesta fase seremos o principal. Um planeta sem pessoas permitiria a regeneração de muitas espécies, a salvação de outras, a recuperação dos oceanos e, melhor ainda, uma mudança substantiva na dieta dos gatos, que poderiam voltar a comer ratos como antigamente: não há pior petisco que ração seca.

Adoro o campo, as árvores e as flores, jarros e perpétuos amores. Uma vez parti um pé a jardinar. Normalmente trato as minhas plantas melhor do que os meus filhos biológicos. A goiabeira maior que tenho no jardim, de resto, cresce mais responsavelmente que o meu filho e até cheira melhor. Dito isto – para que ninguém duvidasse do amor que tenho à vida e à natureza – deixem-me confessar a aversão total aos horríveis fanáticos, sonsos e falsos ambientalistas do croquete.

O ambientalismo fanático tem expressões diversas: desde o hippie que gosta tanto da Natureza que até a fuma, ao beto milionário que já destruiu tanto a paisagem que agora diz não querer ver outros a destruí-la mais, especialmente se for nas imediações do seu quintal. O beto verde (para além de ser do Sporting), anda de Range Rover a gasolina 5.0, voa várias vezes por ano para destinos exóticos, gasta milhares de metros cúbicos de água a regar a relva do jardim que não usa e opõe-se vivamente a que outros construam ao lado da sua casa de férias, seja na Comporta, seja no Alentejo profundo. Há um outro grupo mais difícil de catalogar: classe média-alta, cabelo sujo, jeans rasgados, cerveja na mão. Organizam-se nas redes e nos jornais, juntam-se no “teams” todas as noites para magicar como vão matar os capitalistas especuladores do imobiliário, isto enquanto aguardam pelo cheque mensal do paizinho ou da Segurança Social.

Há também grupos de criaturas com défice de atenção, chantagistas, ativistas porque sim, negociantes (do tipo “se eu te vender um parecer não chateio mais” ou “se me comprares um estudo eu calo-me”), entre outras agremiações mais ou menos selvagens, interesseiras, mentirosas e desonestas. O PCP de Aveiro e a sua costela de promotor imobiliário que se propõe destruir uma casa histórica para construir um prédio, obviamente, não se enquadra em qualquer destes grupos: provavelmente pertence à linha Robles, o que é uma história completamente diferente da dos miseráveis especuladores de Direita.

Estas classificações são apenas, obviamente, caricaturas. Qualquer semelhança com alguém que possamos conhecer é pura coincidência.

O equilíbrio de interesses, a defesa da paisagem, a preservação das espécies, ou o combate à construção selvagem são bons princípios e devem ser defendidos. O que não gosto – mesmo – é dos bifrontes que praticaram o mal e advogam o bem. Não gosto de ver pessoas a serem instrumentalizados por agentes de negócios “verdes” e da moda. Não suporto essas criaturas que impunemente nos tratam como atrasados mentais: sim, os que perseguiram o eucalipto, agora defendem-no; os que queriam mais energias alternativas, agora lutam contra o solar e o fotovoltaico; os que não queriam a prospeção em Aljezur agora queixam-se do preço da energia. E por aí adiante.

Qualquer atividade gera um impacto e a nossa função é mitigá-lo de forma razoável e em respeito pelos valores em confronto. Se se quiser acabar com os efeitos da nossa atividade, acabe-se com os autores. Lobos e cordeiros poderão prosperar, mesmo sabendo que os segundos serão sempre o jantar dos primeiros.

Artigo de opinião assinado por Vítor Cunha, administrador da JLM & Associados

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