Júri de Design de Cannes analisou dois trabalhos portugueses para grande prémio. Venceu o “uso do meio mais primitivo para executar uma ideia: um lápis”

Por a 22 de Junho de 2022

Viton Araújo e Edson Athayde, em Cannes

Lisa Smith, diretora criativa executiva da agência Jones Knowles Ritchie e presidente do júri da categoria de Design, que atribuiu o primeiro grande prix de sempre a uma agência portuguesa, destaca a simplicidade da ideia por detrás do projeto Reconstituição Portuguesa como o argumento para a decisão do júri em premiar a FCB Lisboa. Em conferência de imprensa declarou que outro trabalho português foi um forte candidato a grande prémio.

“O grande prémio de design deste ano mostra o poder de uma ideia simples – a liberdade – e o uso do meio mais primitivo para executá-la: um lápis”, declarou a designer norte-americana, que conduziu a avaliação dos trabalhos inscritos.

Outros dois projetos estiveram em cima da mesa para ganhar o grande prémio em Design. Segundo a presidente do júri, tratou-se de Tatil Design para o Carnaval do Rio e o CO2AT para a Azgard, projeto assinado pelas agências portuguesas Stream and Tough Guy e This is Pacifica, distinguidos com ouro esta terça-feira.

“Debatemos longamente se um livro devia ser um grand prix numa época em que temos toda a tecnologia e inovação ao nosso alcance, mas o simbolismo de desfigurar uma Constituição fascista com poemas, usando palavras selecionadas do documento histórico, e com ilustrações que cobriam a superfície que restava, não era apenas a mais elevada forma de craft e execução, mas enviava uma bonita mensagem de liberdade de expressão, que agora muitas crianças nas escolas portuguesas aprenderão ao longo dos próximos anos”, descreveu Lisa Smith. O projeto Reconstituição Portuguesa, liderado pela dupla criativa da FCB Lisboa, Viton Araújo e Diego Tórgo, deu origem a um livro publicado pela Companhia das Letras (Penguin Random House). O livro foi lançado no dia 25 de Abril no Museu do Aljube, no âmbito das comemorações dos 48 anos da Revolução dos Cravos.

No entanto, segundo admitiu a presidente do júri de Design, a decisão entre os jurados não foi unânime, uma vez que que o projeto que consistia numa publicação em papel estava a concorrer contra outras campanhas fortes que envolviam tecnologia e inovação. “Foi por causa da ideia e da execução, e também pelo impacto, já que este livro vai viver nas escolas, fará parte da educação”, disse Lisa Smith, citada pela AdAge. “Não se trata de ter mais visualizações e do que representou em media, mas sim do impacto a longo prazo que terá na cultura e nos portugueses no futuro”, apontou.

A competição Design Lions contava com 1.058 inscrições, que se traduziram em seis ouros, 10 pratas e 21 bronzes, além do grande prémio para a FCB Lisboa. O festival termina sexta-feira, até lá há mais sete finalistas portugueses que podem chegar a leão.  

(notícia atualizada)

Deixe aqui o seu comentário