APCT: JN e Público com motivos para sorrir num primeiro trimestre pouco animador para a imprensa generalista

Por a 31 de Maio de 2022

O Jornal de Notícias foi o único título de informação geral capaz de contrariar a tendência de erosão na circulação impressa paga que tem fustigado a imprensa generalista nacional e que voltou a ser uma realidade neste primeiro trimestre de 2022. O diário detido pelo Global Media Group vendeu, em média, 23.459 exemplares por edição entre os meses de janeiro e março, o que traduz um crescimento de 4,4% na circulação impressa paga na comparação com o período homólogo. No primeiro trimestre de 2021, que ficou marcado por um segundo confinamento face ao agravamento da situação pandémica, o Jornal de Notícias vendia, em média, 22.472 exemplares por edição.

Numa análise mais alargada, incluindo a circulação digital paga, são apenas dois os títulos com motivos para sorrir, encerrando o primeiro trimestre com saldo positivo. Ao diário da Global Media, que cresceu igualmente na circulação digital paga e vê assim aumentar a sua circulação total paga em 6,8% neste arranque de 2022, junta-se o Público. Apesar de recuar ligeiramente nas vendas em papel, o diário da Sonaecom fecha o primeiro trimestre com uma subida de 12,3% na circulação total paga graças a um crescimento no digital que vem mexer inclusivamente com a liderança neste indicador: o Público posicionou-se, entre janeiro e março, como o jornal com maior circulação digital paga em Portugal, ultrapassando o Expresso.

No papel, com a exceção isolada do Jornal de Notícias, o mais recente relatório da APCT, relativo ao primeiro trimestre de 2022, volta a colocar em evidência as dificuldades enfrentadas pela imprensa portuguesa na tentativa de contrariar a erosão das vendas, tendência que já se fazia sentir há vários anos e que acabaria por ser agravada na sequência da pandemia de covid-19. Com uma média de 51.929 exemplares vendidos por edição nestes primeiros três meses do ano, o Expresso mantém o estatuto de jornal com maior circulação impressa paga no mercado português, assumido pela primeira vez no primeiro semestre do último. No entanto, depois de ter sido aquele que melhor resistiu ao impacto da pandemia em 2021, encerrando o ano com um recuo de 6,8% num contexto em que os restantes títulos do segmento registaram quebras no patamar dos dois dígitos, os números do semanário da Impresa neste primeiro trimestre de 2022 traduzem um recuo de 11% comparativamente ao trimestre homólogo, altura em que as vendas se situavam nos 58.337 exemplares por edição.

O Correio da Manhã, que vendia, em média, 51.056 exemplares por edição entre janeiro e março de 2021, inicia pela primeira vez um ano na segunda posição e abaixo da fasquia dos 50 mil exemplares, tendo vendido uma média de 46.569 exemplares por edição no primeiro trimestre de 2022. O diário da Cofina regista assim uma quebra de 8,8%. O Jornal de Notícias, que continua a ser o terceiro jornal mais vendido, é, como já referido, o único a apresentar uma evolução positiva, vendo a sua circulação impressa paga aumentar 4,4% na comparação entre os primeiros trimestres de 2021 e 2022. Uma subida que não acontece em banca, onde o título detido pelo Global Media Group, à semelhança dos restantes jornais generalistas, apresenta também uma evolução negativa. Analisando com maior detalhe os números do jornal, o crescimento da circulação impressa paga assenta num aumento das assinaturas em papel, que passaram dos 2.549 exemplares para os 4.052 (+59%), e das vendas em bloco, dos 451 exemplares para os 862 (+91%).

A tendência descendente volta a fazer-se sentir no Público e no Diário de Notícias, embora o primeiro apresente um grau de resistência superior. Com uma média de 11.443 exemplares vendidos por edição entre janeiro e março, o diário da Sonaecom regista um recuo de apenas 1,7% face aos 11.640 exemplares vendidos em média no mesmo período do ano anterior. Já o título detido pelo Global Media Group vê a sua circulação impressa paga diminuir 7,3%, passando de uma média de 2.815 exemplares vendidos por edição no primeiro trimestre de 2021 para 2.609 exemplares no trimestre de arranque deste ano.

No quadro geral, apesar de o mais recente relatório da APCT voltar a traçar o retrato de um setor que enfrenta há largos anos uma continuada erosão das suas vendas em papel, é de salientar aquela que será uma das quebras menos expressivas dos últimos anos. Correio da Manhã, Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Público, os quatro diários generalistas auditados, venderam em média, e no seu conjunto, menos 3.903 exemplares por edição, um recuo de 4,4% relativamente à circulação impressa paga registada entre janeiro e março de 2021. Comparando os números de encerramento de 2021 com o ano de 2020, a quebra era na ordem dos 13,3%, com os quatro títulos a venderem, em média e no seu conjunto, menos 13.749 exemplares por edição.

Já no segmento das newsmagazines, as quebras entre o primeiro trimestre de 2021 e o primeiro trimestre de 2022 chegam aos 15,4%. Apesar de uma redução de 14,7%, dos 27.834 para os 23.733 exemplares vendidos por edição, a Visão mantém a liderança assumida no primeiro semestre do último ano. Com uma média de 20.276 exemplares vendidos por edição, a Sábado regista uma quebra na ordem dos 16,1% face ao primeiro trimestre de 2021, altura em que a publicação da Cofina vendia em média 24.154 exemplares por edição.

Ao contrário dos números da circulação impressa paga, não há exceções à perda de expressão de jornais generalistas e newsmagazines quando se analisam as vendas em banca. O Público surge como o título menos castigado, recuando 1,19%. Seguem-se, ainda no patamar de um dígito, o Jornal de Notícias (-4,76%) e o Correio da Manhã (-8,82%). Com quebras na ordem dos dois dígitos nas vendas em banca surgem o Expresso (-10,07%), Sábado (-13,94%), a Visão (-14,38%) e o Diário de Notícias (-38,27%).

Novo líder no digital

O Público assume pela primeira vez o estatuto de jornal mais vendido no digital, até aqui detido pelo Expresso, ao ver a sua circulação digital paga atingir uma média 45.648 nos primeiros três meses de 2022, uma subida de 16,5% na comparação com o período homólogo, altura em que se situava nos 39.182. O semanário da Impresa ocupa agora a segunda posição com uma circulação digital paga de 44.053, média que compara com os 50.649 registados no primeiro trimestre do ano anterior, o que traduz uma quebra de 13%. Um resultado que terá sido, em parte, condicionado pelo impacto do ataque informático que, recorde-se, visou os meios da Impresa no início deste ano. No terceiro lugar mantém-se o Jornal de Notícias, que vê a sua circulação digital paga reforçada em 22,7%, passando dos 3.416 no primeiro trimestre do último ano para os 4.190 no trimestre de arranque deste ano. Também com evolução positiva, a mais expressiva em termos percentuais, surge o Correio da Manhã, quarto neste indicador, com uma média de 2.834, um crescimento na ordem dos 37,9% face aos 2.055 registados no primeiro trimestre de 2021. Já o Diário de Notícias, com uma média de 1.591, apresenta uma quebra de 21,5%.

Entre as newsmagazines, a Visão, líder do segmento na circulação impressa paga, vê a Sábado distanciar-se cada vez mais na circulação digital paga. A publicação detida pela Cofina dispara 113,6% neste primeiro trimestre, passando de 2.560 para 5.467, enquanto a newsmagazine editada pela Trust in News vê a sua circulação digital paga recuar 18,7%, para os 2.122.

Tal como tem acontecido nos últimos anos, apesar do crescimento registado por vários títulos na circulação digital paga, são poucos os casos em que este incremento compensa as quebras registadas na circulação impressa paga. Público e Jornal de Notícias são, segundo os dados divulgados no mais recente relatório da APCT, os únicos títulos de informação geral a registar saldo positivo, com crescimentos igualmente ao nível da circulação total paga. No caso do diário da Sonaecom, o crescimento na circulação total paga é de 12,3%, passando dos 50.822 para os 57.091, enquanto o título detido pelo Global Media Group cresce 6,8%, dos 25.888 no primeiro trimestre de 2021 para 27.649 nestes primeiros três meses de 2022. O Expresso, que segue líder na soma da circulação impressa paga e da circulação digital paga e que habitualmente apresenta também saldo positivo, regista nesta primeiro trimestre de 2022 um recuo de 11,9%, de uma média de 108.986 nos primeiros três meses de 2021 para 95.982 entre janeiro e março deste ano.

Com saldo negativo ficam o Correio da Manhã, com 49.403 (-7%) e o Diário de Notícias, com 4.200 (-13,2%). Nas newsmagazines, também com saldo negativo, a Visão lidera com 25.855 (-15,1%), seguida de muito perto pela Sábado, com 25.743 (-3,6%).

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