Conselho de Redacção da TSF reage a criticas de Carlos Vaz Marques

Por a 3 de Setembro de 2021

O Conselho de Redacção da TSF reagiu hoje às acusações, que considera injustas,  feitas por Carlos Vaz Marques no dia 17 de Agosto, no Facebook.  “Nunca pensei, ao fim de mais três décadas de dedicação, vir a ser colocado pelo Global Media Group, actual detentor da marca TSF, na situação atentatória da minha dignidade profissional a que estive sujeito nos últimos meses., dizia o jornalista, que, dizendo-se alvo de “bullying profissional”, decidiu avançar com um processo em tribunal contra a entidade patronal.  

“O texto de despedida divulgado por Carlos Vaz Marques faz, no entanto, um ataque totalmente injustificado a uma redação que não pode nem deve ser envolvida no meio de um processo que objetivamente é, apenas, laboral”, dizem agora os representantes dos jornalistas.

“No texto CVM considera que, nos últimos meses, passou por uma “situação atentatória” da sua dignidade profissional por ter sido “colocado numa equipa de turno” e pelo facto de a sua atividade se ter limitado, “nos dias em que houve alguma coisa para fazer”, a tarefas como “telefonemas de circunstância e à recolha de curtas declarações telefónicas gravadas a respeito de temas correntes, frequentemente sem qualquer relevância noticiosa””, enquadra o CR, antes de fazer quatro “esclarecimentos”.

Sobre a acusação de “bullying profissional”, os representantes dos jornalistas afirmam que “a utilização daquelas expressões só pode ser entendida à luz do facto de estar em curso um litígio com a administração do GMG. Mas os membros eleitos do CR não podem deixar de lamentar que sendo CVM um profissional com décadas de experiência e conhecedor do peso das palavras, não tenha demonstrado a menor intenção de separar as águas, acabando por envolver outros jornalistas nesta acusação”. Isto, ao dizer “vi-me durante meses sob uma situação que só posso descrever como uma forma de bullying profissional”. A acusação feita por Carlos Vaz Marques “é especialmente grave ao associá-la diretamente ao trabalho na equipa em que foi integrado”, dizem.

 “Fui colocado numa equipa de turno e ao longo dos últimos meses a minha actividade profissional limitou-se (nos dias em que houve alguma coisa para fazer, pois na maior parte deles em nada pude contribuir para a antena da TSF, embora sujeito a cumprir horário), a uns telefonemas de circunstância e à recolha de curtas declarações telefónicas gravadas a respeito de temas correntes, frequentemente sem qualquer relevância noticiosa.”, afirmou também o jornalista sobre as funções que desempenhou nos últimos  meses.

“Na TSF a direção não tem, na grande maioria dos temas, qualquer intervenção direta nos assuntos que chegam aos noticiários da rádio, sendo essa seleção feita, sobretudo, pelos editores. Numa rádio como esta, as equipas de turno são responsáveis pelo principal produto da TSF, os seus noticiários. E isto pode implicar contactos simples e chamadas telefónicas rápidas relacionadas com notícias do dia a dia, algo que, de resto, é desempenhado pela generalidade dos jornalistas da TSF, inclusive jornalistas com décadas de casa.”, esclarece agora o CR, acrescentando que “CVM, alegando razões de saúde que derivam do quadro de pandemia, optou pelo regime de teletrabalho tornando mais restrito o leque de tarefas que lhe podiam ser sugeridas, excluindo, por exemplo, o género nobre da reportagem, tão caro ao antigo jornalista da TSF”.

“Vários colegas que trabalharam com Carlos Vaz Marques relatam que este estava presente, por videochamada, na reunião inicial do turno, mas raramente ou nunca lhe ouviram qualquer crítica positiva ou negativa sobre o trabalho que lhe era atribuído e, sobretudo, qualquer proposta ou ideia para abordar ou desenvolver qualquer trabalho ou tema diferente. Podia tê-lo feito, já que CVM sabe, melhor do que ninguém, que a apresentação de propostas e ideias é comum neste tipo de reuniões”, acrescenta o Conselho de Redacção, referindo que “Carlos Vaz Marques assumia, no essencial, uma postura passiva de fazer aquilo que lhe era pedido, notando-se algum desconforto. CVM chegou a pedir a um editor que lhe indicasse as perguntas que devia fazer, numa atitude pouco comum para um jornalista com tanta experiência”.

Os representantes dos jornalistas referem também as ausências de Carlos Vaz Marques. “Desde que as novas instalações foram inauguradas em 2016 e até ao final de 2020, quando foi convocado para uma reunião pelo novo diretor da TSF, a sua ausência foi particularmente evidente”, afirmam. “Contactado pelo novo diretor no final de 2020, que na altura recusou a proposta feita por Carlos Vaz Marques do regresso à antena da rubrica “O Livro do Dia”, a nova direção da TSF estimou que o “Governo Sombra” ocuparia 40 por cento do tempo de trabalho de CVM, pelo que no restante tempo – três dias por semana – o jornalista seria integrado, a partir de 1 de março, numa equipa dos noticiários, nomeadamente aquela que está ao serviço das 9 às 16 horas, de segunda a quarta-feira”, prosseguem, lembrando  as críticas aos caminhos seguidos por várias administrações do Global Media Group e o facto de a redação da TSF viver uma situação de escassez de recursos humanos que se tem agravado, o que aumenta a estranheza pela não presença do apresentador do Governo sombra.

“Perante todo o historial antes descrito, é perfeitamente justificada a indignação sentida por muitos jornalistas da TSF depois de lerem o texto de Carlos Vaz Marques. O jornalista colocou publicamente em causa a dignidade e competência profissional dos seus pares e em alguns casos até o seu carácter”, acusam, “lamentando ter de debater em público problemas internos”.

Entretanto o Governo Sobra regressa hoje à SIC, mas agora com o nome O programa cujo nome estamos legalmente impedidos de dizer.

 

Governo Sombra regressa com outro nome e sem TSF

Deixe aqui o seu comentário