APCT: Expresso contraria tendência de quebra na imprensa generalista e torna-se o jornal com maior circulação impressa paga no mercado português

Por a 31 de Agosto de 2021

Após um ano em que a imprensa foi fustigada pela pandemia, agravando uma tendência de erosão da circulação impressa paga que já se fazia sentir há vários anos, a recuperação continua a ser uma miragem. No primeiro semestre deste ano, praticamente todos os títulos de informação geral voltam a perder expressão nas bancas. A excepção continua a ser o Expresso, título que, depois de ter sido aquele que melhor resistiu à covid-19 em 2020, surge agora como caso isolado ao ser o único generalista a crescer, quer na circulação impressa paga quer nas vendas em banca.

Indicadores positivos que permitem ao semanário da Impresa assumir pela primeira vez o estatuto de jornal com maior circulação impressa paga no mercado português, com uma média de 56.802 exemplares vendidos por edição nos primeiros seis meses de 2021. Números que traduzem uma recuperação de 3,3% face à média de 54.993 exemplares vendidos por edição no período homólogo em 2020, marcado pelo impacto da pandemia na circulação da imprensa portuguesa. No primeiro semestre de 2020, recorde-se, o Expresso registava uma quebra de 4,3% na circulação impressa paga comparativamente ao semestre homólogo em 2019 e no encerramento do último ano começava a estabilizar, apresentando ainda uma diminuição de 0,13%.

O crescimento de 3,3% agora alcançado pelo semanário da Impresa, num contexto de quebra generalizada nos restantes títulos de informação geral, coloca o título à frente do Correio da Manhã, que historicamente tem mantido ao longo dos anos o estatuto de jornal nacional com maior circulação impressa paga. O diário da Cofina, que no primeiro semestre de 2020 vendeu em média 59.574 exemplares por edição, uma quebra na ordem dos 19,1% face aos à média de 73.668 exemplares que vendia no semestre homólogo em 2019, volta agora a ver a sua circulação impressa paga recuar para os 51.544 (-13,5%).

O Jornal de Notícias, que continua a ser o terceiro jornal mais vendido, apresenta igualmente uma evolução negativa. O título detido pelo Global Media Group desce de uma média de 29.486 exemplares vendidos por edição entre Janeiro e Junho do último ano para uma média de circulação impressa paga de 23.226 exemplares nestes primeiros seis meses de 2021, uma quebra de 21,2% que sucede à diminuição na ordem dos 26% traduzida pelos números de um primeiro semestre de 2020 marcado pela chegada da pandemia da covid-19. Também o Público, que tinha registado uma descida de 21% no primeiro semestre de 2020 para uma média de 13.517 exemplares vendidos por edição, regista agora uma quebra de 13,2%, recuando para uma circulação impressa paga de 11.733 exemplares entre Janeiro e Junho deste ano.

Após uma quebra de 36,9% registada no primeiro semestre de 2020 para os 3.604 exemplares vendidos por edição, o Diário de Notícias volta a sofrer uma diminuição de 24% entre Janeiro e Junho deste ano, encerrando o período com uma média de 2.739 exemplares vendidos por edição. No entanto, recorde-se, o título do Global Media Group regressou ao formato diário desde o passado dia 29 de Dezembro, pelo que os números agora registados na circulação diária comparam com números de vendas de uma edição com periodicidade semanal no período homólogo em 2020.

Os números do mais recente relatório da APCT, relativos ao primeiro semestre deste ano, revelam que o mercado está ainda longe de recuperar dos danos infligidos pelo contexto pandémico sobre a venda de jornais. Correio da Manhã, Diário de Notícias, Jornal de Notícias e Público, os quatro diários generalistas auditados, venderam em média, e no seu conjunto, menos 16.939 exemplares por edição, o que representa uma queda na ordem dos 16% relativamente à circulação impressa paga registada entre Janeiro e Junho de 2020.

Entre as newsmagazines as quebras rondam os 20%. Apesar de uma redução de 8,7%, dos 29.820 para os 27.226 exemplares vendidos por edição, a Visão assume a liderança do segmento já que a Sábado, que vendia em média 33.369 exemplares por edição no primeiro semestre de 2020, cai para os 23.335 exemplares vendidos em média no período entre Janeiro e Junho deste ano, o que representa uma quebra na ordem dos 30% para a publicação detida pela Cofina.

Analisando isoladamente as vendas em banca, o Expresso volta a surgir em contraciclo, sendo o único título de informação geral a ver aumentar as suas vendas num ano em que a generalidade dos títulos regista igualmente uma perda de expressão nas bancas, agravada pelas restrições à circulação e pelo encerramento de alguns pontos de venda em virtude do contexto pandémico. O semanário da Impresa regista uma subida de 6,9% nas vendas em banca. Em sentido contrário, com quebras na ordem dos dois dígitos, estão o Diário de Notícias (-39,3%), Jornal de Notícias (-16,9%) e o Correio da Manhã (-12,6%). Com quebras menos acentuadas surgem a Sábado (-8,69%), o Público (-7,4%) e a Visão (-6%).

Tendência de crescimento no digital sai reforçada mas ainda não compensa para todos

São vários os títulos que continuam a trilhar um caminho de crescimento no digital, que, ao contrário daquilo que aconteceu com as edições impressas, terá mesmo sido impulsionado na sequência da pandemia. O Expresso reforça o estatuto de líder no digital ao ver a sua circulação digital paga atingir os 49.098 no primeiro semestre deste ano, uma subida de 26,5% relativamente ao período homólogo do ano anterior. Nessa altura, recorde-se, a circulação digital paga do semanário da Impresa disparou 48,6%, passando dos 26.126 no primeiro semestre de 2019 para os 38.818 entre Janeiro e Junho de 2020.

O Público, que permanece na segunda posição no digital, encerra os primeiros seis meses deste ano com uma circulação digital de 39.989, que compara com os 27.743 registados no primeiro semestre do último ano. Entre 2019 e 2020, recorde-se, o diário da Sonaecom duplicou a circulação digital paga, passando de uma média de 13.744 em 2019 para os 27.743.

No terceiro lugar mantém-se o Jornal de Notícias. No entanto, a circulação digital paga de 3.696 registada pelo título do Global Media Group traduz uma quebra na ordem dos 47,4% face aos 7.032 que alcançava no período homólogo em 2020. O mesmo aconteceu com o outro título do grupo, o Diário de Notícias, que cai 35%, dos 3.335 para os 2.168, sendo ultrapassado na circulação digital paga pelo Correio da Manhã, com o diário da Cofina a crescer 53,4%, dos 1.547 entre Janeiro e Junho de 2020 para os 2.373 nos primeiros seis meses deste ano. Entre as newsmagazines, a Visão, que assumiu a liderança do segmento na circulação impressa, cede, por outro lado, a liderança no digital. A publicação editada pela Trust in News vê a sua circulação digital paga subir 14,3% para os 2.442, números insuficientes para suster o incremento alcançado pela Sábado, detida pela Cofina, que dispara 176,2% no digital, passando de apenas 1.472 para 4.066.

No entanto, o crescimento generalizado da circulação digital paga só em alguns casos se revelou capaz de compensar as quebras registadas na circulação impressa. Expresso e Público são os únicos títulos de informação geral a registar saldo positivo, com crescimentos igualmente ao nível da circulação total paga, sendo que no caso do semanário da Impresa a evolução seria sempre positiva já que regista igualmente um crescimento na circulação impressa. No caso do Expresso, que lidera na soma da circulação impressa paga e da circulação digital paga, com 105.900, o crescimento na circulação total paga situa-se nos 12,9% nestes primeiros seis meses de 2021 quando comparada com os números alcançados no período homólogo de 2020 (93.811).

Também com balanço positivo, o Público, compensa a quebra de 13,2% na circulação impressa paga graças a um crescimento de 44,1% na circulação digital que coloca a circulação total paga nos 51,722, uma subida de 25,4%. Com saldo negativo ficam o Correio da Manhã, com 53.917 (-11,8%), o Jornal de Notícias, com 26.922 (-26,3%) e o Diário de Notícias, com 4.907 (-29,3%). Nas newsmagazines, também com saldo negativo, a Visão lidera com 29.668 (-7,2%), seguida pela Sábado, com 27.401 (-21,4%).

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