Receitas da Media Capital disparam 32% e prejuízos recuam 41%

Por a 22 de Julho de 2021

Mário Ferreira, presidente do Conselho de Administração da Media Capital

Apesar de encerrar o primeiro semestre em terreno negativo, com prejuízos a rondar os 8,5 milhões de euros, a Media Capital regista uma melhoria de 41% face ao resultado líquido reportado no semestre homólogo em 2020. No último ano, recorde-se, com um primeiro semestre muito marcado pelo impacto da pandemia nas contas do grupo, a dona da TVI viu os seus rendimentos operacionais consolidados caírem 36% (37% no caso das receitas publicitárias), atirando os resultados líquidos para prejuízos na ordem dos 14,4 milhões de euros.

Já nestes primeiros seis meses de 2021, apoiado numa recuperação das receitas para valores mais próximos do pré-pandemia, de acordo com o relatório enviado à CMVM esta quarta-feira à noite, o grupo liderado por Mário Ferreira reduziu os prejuízos para quase metade, reportando também uma evolução positiva da performance financeira, com um EBITDA negativo de aproximadamente 4,5 milhões de euros, valor que traduz uma melhoria de 60% face aos -11,2 milhões registados no exercício relativo ao primeiro semestre de 2020. Uma performance que seria ainda mais expressiva se excluída dos gastos com provisões e reestruturações, o que colocaria o EBITDA consolidado nos 2 milhões de euros negativos, representando uma melhoria na ordem dos 80%.

A contribuir para estes resultados esteve sobretudo a evolução positiva das receitas do grupo dono da TVI, cujos rendimentos operacionais dispararam 32% neste primeiro semestre, recuperando uma parte significativa das perdas sofridas no primeiro semestre do ano anterior ao passar dos 55,3 milhões de euros para perto de 72,8 milhões de euros. “Esta forte evolução positiva dos rendimentos operacionais foi alavancada, não só na recuperação do mercado publicitário, mas também na melhoria dos indicadores de audiência, que permitiram ao grupo o reforço das suas quotas no mercado publicitário”, justifica a Media Capital no comunicado endereçado à CMVM, sublinhando a recuperação de 34% nas receitas publicitárias do grupo. Nestes primeiros seis meses de 2021, esta linha de receitas foi responsável por um encaixe financeiro muito próximo dos 50 milhões de euros, que comparam com os 37,3 milhões de euros captados em publicidade no semestre homólogo. Valores mais próximos do pré-pandemia mas, ainda assim, sem recuperar na totalidade a quebra sofrida na primeira metade do último ano face a um primeiro semestre de 2019 em que o grupo reportava receitas totais de 88,4 milhões de euros.

“Os valores de investimento publicitário nos mercados de televisão em sinal aberto, cabo e digital apresentam uma tendência de convergência para os valores pré-pandemia, sendo que no caso do digital a tendência é até de superação. Já no caso do mercado das rádios, assiste-se a uma maior resistência da retoma nos valores de investimento, que continuam consideravelmente inferiores aos pré-pandémicos”, salienta o grupo liderado por Mário Ferreira, destacando, ainda assim, “os sinais positivos de aceleração da recuperação do investimento nos últimos meses”.

Já do lado dos gastos operacionais, estes situaram-se nos 77,3 milhões de euros, um aumento de 16% comparativamente aos gastos operacionais de 66,5 milhões de euros que o grupo dono da TVI reportava no semestre homólogo. Mesmo excluindo amortizações, depreciações, gastos com provisões e reestruturações, as despesas do grupo aumentaram 15%, dos 65,2 milhões para os 74,8 milhões de euros.

Analisando mais detalhadamente o desempenho financeiro do primeiro semestre desde ano, segundo o relatório agora divulgado, a recuperação face aquele que foi o primeiro exercício impactado pela pandemia verifica-se em todos os segmentos de negócio e linhas de receita. Além do crescimento das receitas publicitárias, regista-se igualmente uma evolução positiva dos outros rendimentos operacionais, que englobam os rendimentos de produção audiovisual, serviços multimédia, rendimentos de cedência de sinal e venda de conteúdos, onde o aumento foi de 27%, passando de quase 18 milhões de euros no primeiro semestre de 2020 para os 22,8 milhões de euros na primeira metade deste ano.

Olhando para os resultados do grupo por área de negócio, o segmento de televisão, onde está concentrada a grande maioria das receitas da Media Capital, fecha o primeiro semestre com rendimentos de 61,4 milhões de euros (+33%), com a publicidade a crescer 37%, passando de 30,4 milhões de euros para 41,5 milhões, enquanto o item Outros Rendimentos aumenta 26%, para cerca de 19,9 milhões de euros. Ao nível dos gastos operacionais, a área de televisão, que além da TVI conta com canais cabo como TVI24, TVI Ficção e TVI Reality, regista também um aumento de 21%, passando de 56,6 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2020 para perto de 68,5 milhões de euros, incluindo 1,4 milhões de euros de gastos com reestruturações.

Estes resultados, embora insuficientes para retirar o segmento de terreno negativo,fazem com que a área de televisão encerre este primeiro semestre com o resultado operacional de -9,3 milhões de euros, uma melhoria de 25% face aos prejuízos de 12,4 milhões de euros reportados no semestre homólogo. Também o EBITDA se mantém negativo, nos -7,1 milhões de euros, mas a registar uma melhoria de 32% relativamente aos 10,3 milhões de euros negativos registados no ano anterior. Excluindo os gastos com provisões e reestruturações, embora continuando a não ser suficiente para retirar o segmento do vermelho, o EBITDA da área de televisão registaria uma melhoria de 39%, passando de -9,3 milhões de euros para -5,7 milhões de euros.

Tal como na área de televisão, o segmento de produção audiovisual, onde o grupo detém a Plural, regista uma evolução positiva das receitas. Os rendimentos operacionais desta área de negócio rondaram os 16,5 milhões de euros neste primeiro semestre, o que representa um crescimento de 48% face às receitas de 11,1 milhões de euros alcançadas no período homólogo em 2020. Do lado dos gastos operacionais há um aumento de 12%, passando dos 13,8 milhões de euros para os 15,4 milhões. O corte seria de apenas 9% considerando o registado dos gastos com provisões e reestruturações. Este segmento encerra igualmente o primeiro semestre no vermelho, tal como em 2020. No entanto, aproxima-se significativamente de terreno positivo ao registar uma melhoria na ordem dos 87%, com prejuízos de apenas 549 mil euros que comparam com um saldo negativo de -4,3 milhões no semestre homólogo. Já o EBITDA chega mesmo ao verde, passando de -2,7 milhões de euros para um resultado positivo de um milhão de euros. Considerando os gastos com provisões e reestruturações, o EBITDA subiria para 1,6 milhões de euros.

No segmento de rádio, que continua a ser o terceiro na linha de receitas da Media Capital, os rendimentos operacionais subiram 17%, passando dos 6,2 milhões de euros para os 7,3 milhões. Nesta área de negócio, as receitas publicitárias recuperaram 13%, dos 5,9 milhões para perto de 6,7 milhões de euros. Já o item Outros Rendimentos dispara 103%, duplicando dos 317 mil euros para os 644 mil euros. Números que, destaca o grupo, resultam “de maiores rendimentos de produção de spots e rendimentos associados a direitos musicais”. Os gastos operacionais, fixados nos 5,3 milhões de euros, não registam mudanças significativas. Apurados os resultados, a performance financeira desta área de negócio, constituída pela Media Capital Rádios, dona das estações Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM, resulta num EBITDA de 2 milhões de euros, uma melhoria na ordem dos 117% face ao EBITDA de 934 mil euros registado no primeiro semestre de 2020. Ajustado de gastos com provisões e reestruturações, o EBITDA apresentaria uma melhoria de 123%. Já o resultado operacional dispara 730%, dos 151 mil euros para aproximadamente 1,3 milhões de euros.

Analisando o segmento que inclui as restantes actividades, como a operação digital, a holding e os serviços partilhados, o grupo encerra os primeiros seis meses deste ano com um EBITDA de 651 mil euros, o que traduz um crescimento de 568% face ao semestre homólogo em 2020, quando este segmento apresentava um EBITDA de apenas 97 mil euros. Uma melhoria que atingiria os 600% se considerados os gastos com provisões e reestruturações, passando de 153 mil euros para perto de 1,1 milhões de euros. O segmento viu os rendimentos operacionais subirem 23%, dos 7 milhões de euros para quase 8,6 milhões de euros e fecha o semestre em terreno positivo, passando de um saldo negativo de -106 mil euros para 454 mil euros.

Encerradas as contas do primeiro semestre de 2021, a dívida líquida da Media Capital fixa-se em 85,7 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 7,8 milhões de euros em comparação com a dívida reportada no final do semestre homólogo mas traduz um aumento de 5,5 face ao endividamento apresentado pelo grupo no encerramento das contas de 2020.

No que diz respeito ao endividamento, a Media Capital destaca ter alcançado “a conclusão do processo de refinanciamento da dívida bancária do grupo, que permitiu a recomposição da mesma, com a extensão de maturidades e o alinhamento do plano de reembolsos com a tendência de crescimento da actividade do grupo, visando a segurança e conforto financeiro nos próximos tempos”.

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