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“Queremos posicionar-nos entre as três Forbes mais relevantes da Europa”

Por a 15 de Julho de 2021


Nilza Rodrigues, directora editorial das edições lusófonas da Forbes

Está nas bancas a primeira edição da Forbes desde que o licenciamento do título, até Abril detido pela ZAP, passou para as mãos da Emerald Europe, subsidiária do Emerald Group que já detinha 30 por cento do Polígrafo. A nova vida da Forbes explicada por Nilza Rodrigues, directora editorial do título

Nilza Rodrigues, que assumia a direcção executiva da Forbes Portugal, a par da coordenação das plataformas digitais das edições de Portugal e Angola na sequência de uma reformulação da estratégia levada a cabo pela ZAP no último ano, manteve-se na direcção do título após a transição da licença para o Emerald Group. Agora directora editorial da publicação, assume igualmente responsabilidades sobre a Forbes África Lusófona, passando a liderar a redacção partilhada pelas duas edições. Ao M&P, traça das principais mudanças numa altura em que o título se apresenta com uma nova linha editorial focada no jornalismo de proximidade e grafismo reformulado.

Meios & Publicidade (M&P): A Forbes chegou ao mercado português há cerca de seis anos mas não terá conseguido, até agora, replicar por cá a expressão que a marca alcançou no segmento de economia e negócios noutros mercados. A edição que agora chega às bancas assinala uma nova etapa na vida da publicação, com nova linha editorial e grafismo, depois de o Emerald Group ter assumido o licenciamento. Acreditam que as mudanças realizadas permitirão ao título vingar em Portugal?
Nilza Rodrigues (NR): Sem dúvida que sim. Carregamos a responsabilidade de uma marca com mais de cem anos de história e com uma reputação mundial que exige de cada um de nós um esforço de superação diário. Assumimos o compromisso de fazer diferente e, três meses após o licenciamento cedido pela Forbes Internacional, já mostramos o nosso ADN. A revista está nas bancas, marca uma nova fase da Forbes em português e o feedback tem sido extraordinário.

M&P: A continuidade do título no mercado português esteve, em algum momento, em risco? Foi a insatisfação dos detentores da marca com o desempenho do título que abriu à porta ao Emerald Group para avançar com a aquisição da licença?
NR: O que determinou a cedência da licença ao Emerald Group foi, em primeiro lugar, a idoneidade do grupo, e depois a consistência, a sustentabilidade e a inovação do projecto apresentado.

M&P: Mas os resultados alcançados até aqui são suficientes para garantir a continuidade da edição portuguesa da Forbes ou o Emerald Group pega no licenciamento com a condição de fazer a marca crescer no mercado português?
NR: O Emerald Group não assumiria este compromisso se não fosse para elevar a marca ao nível das suas congéneres pelo mundo. O estatuto da Forbes em português não pode ser diferente daquele que a marca possui nas restantes 27 línguas em que é editada. Não aceitamos por menos. Ao nível da Europa, queremos posicionar-nos entre as três Forbes mais relevantes do continente.

M&P: Há uma meta traçada, em termos de circulação impressa paga? A Forbes não é auditada pela APCT. Quantos exemplares eram vendidos em média por edição e quais são os vossos objectivos para esta nova etapa da publicação?
NR: A nossa meta número um, aquela que priorizamos nesta fase de arranque, é a qualidade. Fazer um produto diferenciado no mercado nacional, com preocupações que têm a ver com uma informação exclusiva e fidedigna de empreendedores, negócios e doing business. Queremos fidelizar o leitor existente e conquistar muitos, muitos mais, numa parceria win-win. Essa é a nossa estratégia. Os números serão uma consequência natural deste investimento.

M&P: A periodicidade será bimestral, decisão justificada “dada a actual conjuntura”. Não há mercado em Portugal para uma publicação de economia e negócios com periodicidade mais regular ou esse é um objectivo que não excluem no médio prazo?
NR: Face aos constrangimentos da pandemia e aos parâmetros de qualidade que pretendemos, não há margem, nesta fase, para sermos mensais. E não tem a ver especificamente com o mercado português. É uma conjuntura mundial. A Forbes dos Estados Unidos também adoptou a mesma periodicidade. Neste momento, o projecto está pensado para ser bimestral até 2022.

M&P: A revista que agora chega às bancas assume uma nova estratégia editorial que passará, segundo referia recentemente, por apostar “numa dinâmica forte de jornalismo de proximidade e de impacto, num compromisso assumido entre o digital e a edição impressa”, dedicando mais espaço, não só às grandes empresas, mas também às startups ou pequenos inovadores. Na prática, o que podemos esperar desta nova vida da Forbes?
NR: Uma Forbes com uma postura disruptiva em que ousamos falar de grandes negócios ao lado de pequenos empreendedores, de grandes nomes ao lado de inovadores quase anónimos, porque temos como foco dar a conhecer boas histórias que inspirem a mudança. Somos inclusivos, de boas práticas e aspiracionais. Privilegiamos na revista uma leitura demorada, diríamos de luxo, com um layout muito clean assinado pelos +2designers, onde a fotografia ganha protagonismo, como uma mais-valia à escrita. Temos secções novas, das quais destacaria três: o 30 Minutes Pitch, onde passamos a palavra ao nosso entrevistado para um discurso directo com os leitores sobre uma ideia, uma empresa, uma acção; o Bussinez, que trata a tecnologia por tu e abrange as novas formas de se fazer negócio na internet, é o admirável mundo novo; e a Voz, onde asseguramos que as mulheres tenham sempre um espaço privilegiado, o nosso contributo para a igualdade do género. Sustentabilidade, governance, inclusão e inovação são áreas em que nos posicionamos, editorial e institucionalmente também.

M&P: Tendo em conta as mudanças ao nível da estratégia de conteúdos, onde posicionaria agora a Forbes? Qual o perfil de leitor que pretendem alcançar e que publicações identificam como sendo os vossos principais concorrentes?
NR: O nosso target são os empreendedores, homens e mulheres de negócios, os inovadores, os curiosos, todos aqueles que se inspiram com uma boa leitura e se movem por ideias dinâmicas, pela pro-actividade de fazer algo pela nossa economia e, logo, por uma sociedade melhor. Não há um concorrente directo da Forbes. Mas há vários que tocam em nichos do nosso mercado e, ao final do dia, sobretudo no digital, concorremos todos.

M&P: Quando foi conhecida a aquisição da licença por parte do Emerald Group, antecipavam que a publicação seria relançada com “uma forte aposta no mercado lusófono”. De que forma se irá materializar essa aposta no mercado lusófono? A Forbes Angola dá lugar à Forbes África Lusófona. Será um título muito diferente daquele que era publicado até agora?
NR: A Forbes África Lusófona é a grande inovação. Pela primeira vez, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau e Equatorial e São Tomé e Príncipe têm um título internacionalmente reputado a olhar para o seu mercado. É indicativo da sua importância e da potência económica que se podem tornar se capitalizarem o que têm em comum. A começar pela língua e depois tudo o resto, como uma classe média em significativa expansão, diversidade de recursos naturais, população jovem e inovadora, afinidades históricas e culturais, resumindo um activo sociocultural e económico que une mais de 76 milhões de pessoas distribuídas por seis países, com um PIB perto dos cem mil milhões dólares americanos (dados FMI/2021). A revista será bimestral, distribuída em todos os seis países e queremos que imponha um novo dinamismo ao tecido empresarial e melhore o ambiente de negócios na comunidade. Faremos esse caminho.

M&P: A equipa que produz a Forbes Portugal e a Forbes África Lusófona será a mesma, sob a sua coordenação. Até onde irão as sinergias entre os dois títulos?
NR: Temos uma única redacção com dois pólos geograficamente afastados, Lisboa e Luanda. Para além de jornalistas espalhados pelos outros cinco países da África Lusófona e também nos Estados Unidos. As sinergias irão até onde a língua portuguesa nos deixar. Em primeira instância, é o que nos une. Por isso, vamos também nós tirar partido dela, tendo o céu como limite, que é como quem diz os 261 milhões de falantes de português que existem espalhados pelo mundo. Não esquecer também que é a terceira língua mais falada no Facebook.

M&P: A presença nestes mercados será assegurada exclusivamente através da Forbes África Lusófona ou equacionam, no longo prazo, o lançamento de títulos dedicados a alguns destes mercados?
NR: A Forbes África Lusófona nasce com o objectivo de assegurar a cobertura desses cinco mercados. Esse é o espírito. Uma revista única que abrange esta geografia que pode, e deve, ser potenciada enquanto espaço único económico.

M&P: Além da Forbes Portugal e da Forbes África Lusófona, estão ainda previstas duas edições por ano da Forbes Life. Como se posicionará esta publicação?
NR: A Forbes Life é a revista de luxo da marca. E por luxo entende-se todas as novas tendências que celebram o melhor da vida, da gastronomia às viagens, das griffes seculares às jovens marcas, dos carros à bicicleta, da moda à arquitectura, da arte aos artistas. Será uma revista fresca, senhora de si, muito alinhada com os princípios da sustentabilidade, do novo luxo, das novas formas de se estar que impõem outro ritmo às nossas vidas.

M&P: A estratégia para esta nova etapa da revista, antecipavam recentemente, passaria igualmente por “reforçar a sua dinâmica digital, site e social media, de modo a ter um maior alcance no seu compromisso de projectar e promover o que de melhor se faz no mundo empresarial lusófono”, com as três publicações em banca complementadas por “uma plataforma digital multiconteúdos”. Até aqui, a presença digital da Forbes não era muito expressiva. O que vai mudar com esta plataforma, quando será lançada e que tipo de conteúdos serão para aí canalizados?
NR: A nossa plataforma digital está a ser desenhada para ser sincronizada a 360º com site, redes sociais e app, apresentando informação que se complementa entre os canais. E friso o ‘complementa’ por não ser um copy/paste de notícias que os leitores recebem por vias tecnológicas diferentes. Temos posicionamentos diferenciados dentro de um grande chapéu que é o da diversidade informativa. A revista tem um foco mais profundo, grandes entrevistas, jornalismo de investigação, dossiers. No site contaremos boas histórias do dia-a-dia de empreendedores e negócios. O Instagram será o sítio das boas notícias, das memórias, das imagens que nos fazem felizes. Apostamos neste pluralismo informativo para dar mais ao leitor, de acordo com o seu perfil e até do seu estado de espírito, criando o máximo de interactividade possível… É disto que falamos quando dizemos que o jornalismo de proximidade será o nosso core.

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