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Mudar para preparar o futuro

Por a 4 de Junho de 2021


É num moinho situado no Parque Natural da Arrábida que se situa a sede do novo projecto do criativo argentino Chacho Puebla, que já conquistou 85 leões em Cannes

Chacho Puebla está há vários anos ligado ao mercado nacional. Chegou a Portugal em 2005, para integrar a Leo Burnett Lisboa. Em 2007 assumiu a direcção criativa da agência e dois anos depois a direcção ibérica. Mudou-se para Espanha e, no início de 2020, deixou o cargo de chief creative officer da MullenLowe Europa Ocidental, que incluía Espanha, França, Alemanha, Itália e Portugal. Agora está a lançar uma nova empresa, a Felicidad, que propõe acelerar, através da criatividade, a transformação das empresas na área da sustentabilidade.

A Felicidad nasce com uma equipa de profissionais com experiência na área da tecnologia, sustentabilidade e criatividade, contando com o apoio do Fellow Founders, um fundo especializado em critérios de investimento sustentáveis e socialmente responsáveis. Este fundo está disponível para injectar capital e ajudar as empresas no seu processo de transformação. “Existem várias razões para que a Felicidad esteja sedeada num moinho em Azóia, Sesimbra. Umas são casualidade, outras nem por isso. A primeira é que agora podemos trabalhar a partir de qualquer parte do mundo. Por isso, por que não escolher um dos melhores lugares? Há anos que temos uma casa na zona e queríamos que as nossas filhas crescessem num ambiente mais natural. A decisão de vivermos aqui já estava tomada antes de criarmos a empresa. Acontece que o café deste moinho, que estava fechado há anos, ficou disponível para arrendar. Além de ser um bom símbolo para a Felicidad, o moinho é um símbolo de uso de energia de forma eficiente e não gera CO2. Por ser um dos poucos moinhos que ainda funcionam, transmite a ideia de resiliência, de adaptação”, conta ao M&P Chacho Puebla.

O fundador da Felicidad, que durante a sua passagem pela Leo Burnett Lisboa garantiu 26 leões de Cannes para a agência, argumenta que a Felicidad tem de ser consequente com o seu posicionamento, isto é, se propõe a transformação aos clientes, também tem de ser capaz de ajudar a revalorizar a zona onde está inserida e de acrescentar algo à sociedade. “Só fazemos compras em lojas locais e queremos implementar um ciclo cultural desenhado em conjunto com a Câmara Municipal. Temos muitas ideias para ajudar a revitalizar a zona”, avança. Na génese da Felicidad está a pressuposto de que a transformação das empresas rumo à sustentabilidade é um movimento obrigatório para garantir a sua sobrevivência a médio e longo prazo. A Felicidad pretende funcionar como uma impulsionadora da mudança.

Terminou o percurso profissional de Chacho Puebla ligado às agências criativas, onde arrecadou 85 leões no festival de Cannes? “Na verdade, não deixei a área das agências, criei um modelo que se adapta aos tempos que estamos a viver hoje. Estamos a viver uma mudança criativa na humanidade e quero estar perto dessa mudança. Acredito que as estruturas das agências não eram suficientes para produzir a mudança a esta escala. Por isso é que somos sete sócios, com perfis diferentes e com especialistas em cada área”. Um dos sócios é o actual ministro do Ambiente do Equador. A equipa conta com cerca de 30 consultores, sendo que no núcleo fundador encontram-se profissionais de Espanha e da América Latina. No portfólio da Felicidad constam a cerveja 23 Ríos (de Mendonza, cidade-natal de Chacho Puebla), os Prémios Lationoamérica Verde e a WeLow, que procura compensar a pegada de carbono das empresas.

Com este perfil virado para os países de língua espanhola, o objectivo é também trabalhar com empresas portuguesas? “Claro que estamos à procura de clientes em Portugal. A nossa missão é clara: ajudar as empresas tradicionais a tornarem-se empresas sustentáveis. Isto aplica-se a muitas empresas em Portugal. A Felicidad nasceu como uma empresa global, temos pessoas em quase todo o planeta para que possamos ajudar empresas em todas as suas geografias”. A Felicidad está a fechar mais parcerias, nomeadamente com as associações. “Procuramos bons parceiros, que compartilhem a mesma visão e missão. Acreditamos que há muito a fazer e não podemos fazer sozinhos, vivemos numa realidade onde a colaboração é a chave para a sobrevivência”, aponta Chacho Puebla.

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