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A hora das bebidas espirituosas light

Por a 16 de Junho de 2021


É uma nova categoria que emerge à boleia das novas tendências de consumo saudável e dos limites horários impostos pela covid-19

A Pernod Ricard está a promover os novos Beefeater Light e Ballantine’s Light, que se apresentam com metade do álcool (20º em vez de 40º) e das calorias (55Kcal em vez de 110Kcal por 50ml) face à versão original de cada marca. Portugal é o segundo país do mundo a receber estas bebidas espirituosas light, depois de a Pernod Ricard ter lançado a nova categoria em Espanha no início do ano.

Estas inovações, que demoraram mais de um ano a ser desenvolvidas, vão ao encontro de tendências de consumo acentuadas pela covid-19. “Há uma procura por um estilo de consumo mais saudável. A prova disso é que tudo o que seja segmento de vida saudável, bio e heatlh está a explodir em várias categorias. A covid-19 acelerou ainda mais essa necessidade de uma vida mais saudável e equilibrada. Assiste-se também a um consumo mais cedo. Ao nível das bebidas espirituosas havia um consumo muito elevado no período do late night, mas tem vindo a crescer essa tendência para o chamado after work, pelo final de tarde, início de noite, por exemplo, beber cocktails antes do jantar. Era já uma tendência em Lisboa, Porto e Algarve antes da covid. Agora é normal que essa tendência acelere ainda mais. Isto só veio solidificar a procura por produtos de menor teor alcoólico”, aponta ao M&P Joana Franco, head of marketing da Pernod Ricard Portugal.

Os novos Beefeater Light e Ballantine’s Light pretendem chegar a dois tipos de público: “Um é o consumidor actual de Beefeater e Ballantine’s, ou de gin ou de whisky, que tem a preocupação em ter uma vida mais equilibrada. Beber um uísque ao fim do dia é algo que não é muito apetecível, se calhar o consumidor prefere fazê-lo ao final da noite. Com esta proposta abrem-se novas oportunidades de consumo para o consumidor actual. Por outro lado, há a possibilidade de ir buscar consumidores que habitualmente não consomem whisky ou gin porque o teor alcoólico é elevado. Por isso, há aqui uma oportunidade de ir buscar consumidores a outras categorias, nomeadamente à da cerveja, que em Portugal é enorme”, considera Joana Franco. A título de exemplo, um gin tónico apresenta um teor alcoólico de oito por cento, com Beefeater Light passa para quatro graus. “Comparativamente, com uma cerveja, somos até mais equilibrados, além de que reduzimos as calorias para metade”.

De acordo com dados Nielsen citados pela mesma responsável, a Pernod Ricard fechou 2020 com uma quota de 18,9 por cento, o que representa um crescimento de 0,5 pontos. No entanto, “em termos de vendas, todas as categorias foram fortemente impactadas. Em Portugal 70 por cento do consumo era feito no mercado Horeca. Por isso, todas as categorias foram muito impactadas, desde o whisky, que é a maior categoria e que vale 50 por cento, até à vodka, que é especifica da noite. Houve umas categorias que conseguiram algum crescimento no off-trade, como o whisky ou gin mas ainda assim não foi suficiente para colmatar a perda que existiu no canal Horeca”, descreve Joana Franco, que recorda que o sector vinha a apresentar “uma tendência muito positiva”. “2019 foi um ano fantástico, com a ajuda do turismo. Agora, com o regresso do on trade e do canal Horeca à actividade, há uma oportunidade, mas não vai ser no imediato. As discotecas continuam fechadas e os bares e restaurantes têm muitas limitações”, ressalva.

Daí que o actual contexto pandémico tenha imposto uma mudança nos planos habituais de lançamento dos Beefeater Light e Ballantine’s Light. “Pela primeira vez estamos a fazer este lançamento no canal off-trade, ou seja, na grande distribuição. O mercado de bebidas espirituosas sempre teve o canal Horeca, os bares e os restaurantes, dependendo do produto, como o canal-chave para qualquer lançamento e comunicação de marca. No entanto, achamos por bem fazer agora o lançamento focado no off-trade, até porque o canal tem tido uma explosão de consumo bastante interessante. Não compensa as perdas do on-trade mas é um canal que criou dinamismo e que está muito disponível para receber este tipo de inovações”, remata a head of marketing da Pernod Ricard Portugal.

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