Semanário Novo tem novos donos. Rui Teixeira Santos e João Botelho de saída

Por a 5 de Maio de 2021

novoA editora responsável pelo semanário Novo voltou a mudar de accionistas e de administração. Saíram três accionistas.

A Lapanews foi constituída em 2020 com um capital social inicial de 100 euros, tendo como sócios Rui Teixeira Santos e João Botelho. No início de 2021, de acordo com o Portal da Justiça, a Lapanews passou a sociedade anónima, acompanhada pela entrada de três novos sócios (Abstract Sky, Lion Rock Investments e LFV – Des Vosges). O capital social subiu para os 600 mil euros, ficando João Botelho como presidente do conselho de administração e Miguel Corte-Real Gomes, Pedro Teixeira Santos e Francisco Oom Pimenta Peres como administradores.

Quando o jornal chegou às bancas a 16 de Abril apresentava a estrutura accionista na ficha técnica, com os fundadores Rui Teixeira Santos e João Botelho sem a maioria do capital. A Abstract Sky tinha passado a deter 47 por cento do capital da Lapanews, Rui Teixeira Santos 22 por cento, João Botelho outros 22 por cento e a Lion Rock Investiment 6 por cento. Segundo explica ao M&P fonte do jornal, a LFV – Des Voges detinha os restantes três por cento mas não constava na ficha técnica já que a participação era inferior a cinco por cento – valor a partir do qual é obrigatório declarar os titulares.

No primeiro número do Novo, a administração da Lapanews apresentava-se com João Botelho como presidente, acompanhado pelos administradores Francisco Oom Pimenta Peres (accionista de referência da Lion Rock Investment) e Miguel Côrte Real (accionista de referência da Abstract Sky).

Agora, menos de um mês após o lançamento do Novo a Lapanews surge com uma nova estrutura accionista já sem a presença de Rui Teixeira Santos e de João Botelho. O site do jornal Novo dá agora conta que a Lapanews tem agora como accionistas a Abstract Sky com 73 por cento do capital e a Lion Rock Investment com os restantes 27 por cento. Com esta nova estrutura, Francisco Oom Pimenta Peres passou a ocupar a presidência do conselho de administração e Miguel Côrte Real a presidência da comissão executiva. As informações relativas às duas recentes alterações no capital e na administração da Lapanews não constam no Portal da Justiça.

Sucessivas notícias levantaram dúvidas sobre os accionistas da Lapanews e o processo de lançamento do jornal. Recorde-se que o nome Novo e a data de lançamento do jornal só foram conhecidos menos de 24 horas de o semanário chegar às bancas. Rui Teixeira Santos e João Botelho pretendiam que o novo jornal se chamasse Sol, mas o pedido de registo foi chumbado pela ERC.

Depois, há o caso da LVG – Des Vosgues do francês Patrice de Maistre, que no início do ano constava no capital da Lapanews, como revelou então o M&P. Como recordou o Expresso no início de Fevereiro, Patrice de Maistre foi condenado em França em 2015 a três anos de prisão por abuso de confiança e branqueamento de capitais num caso que envolveu Liliane Bettencourt, dona do império L’Óreal.

No fim de Abril, a revista Sábado revelou que Mário Ramires, director do semanário Nascer do Sol, e a Newsplex, editora responsável pelo semanários e pelo diário Inevitável (ex-I), apresentaram uma queixa-crime no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) contra Álvaro Sobrinho, o seu irmão Sílvio Madaleno, Rui Teixeira Santos, os sócios da empresa Lapanews, e contra os directores do jornal Novo, Octávio Lousada Oliveira e Diogo Agostinho. Ficou também a saber-se que que o contrato de cedência da marca Sol, assinado em Novembro de 2020 entre Álvaro Sobrinho e Rui Teixeira Santos, explicitava que o novo jornal deveria “zelar pelo bom nome, honra e reputação” da Pineview, “abstendo-se de fazer quaisquer publicações cuja veracidade não se encontre devidamente comprovada e/ou que possam pelo seu conteúdos colocar em causa o bom nome e reputação” da sociedade offshore de Álvaro Sobrinho.

(Notícia actualizada com a participação da De Volges na Lapanews)

Deixe aqui o seu comentário