Nicolau Santos: Contrato de concessão da RTP exige “análise muito aprofundada dos impactos do ponto de vista financeiro das orientações que nele estão contempladas”

Por a 4 de Maio de 2021

hugo figueiredo+nicolau santosAs orientações incluídas no novo contrato de concessão do serviço público de rádio e de televisão, que estará em consulta pública até ao final do mês, podem levar a “uma situação de recursos escassos a diminuírem e despesas a aumentarem para tentar produzir o mesmo ou ainda mais”, aponta Nicolau Santos, presidente indigitado da RTP. “Diria que o novo contrato exige seguramente, e nós estamos a fazer isso, uma análise muito aprofundada dos impactos do ponto de vista financeiro das orientações que nele estão contempladas”, referiu Nicolau Santos, em resposta aos deputados, durante a audição dos membros indigitados do novo Conselho de Administração da RTP na comissão parlamentar de Cultura e Comunicação.“Há uma preocupação evidente” já que “se a orientação neste momento é de tirar a publicidade em todos os canais da RTP, ficando apenas a RTP1 com essa publicidade, e, se ao lado, são aumentadas as responsabilidades da RTP com TDT e com outras actividades de apoio à produção independente, programas infanto-juvenis”, isso levanta “uma situação de recursos escassos a diminuírem e despesas a aumentarem para tentar produzir o mesmo ou ainda mais”, explicou Nicolau Santos. “Obviamente, tentaremos que seja possível compatibilizar tudo, mas esta é seguramente uma preocupação”, sublinhou, admitindo a possibilidade de o contrato de concessão agora em consulta pública vir a ser ainda objecto de alterações.

“Suponho que, quando há uma consulta pública, pode haver seguramente contributos que levem a que no final não seja exactamente igual ao projecto inicial”, afirmou, reiterando que a situação apontada “levanta um problema de gestão que eu suponho que terá de ser muito bem acompanhado e muito bem equacionado para se se conseguir chegar a uma resposta concreta”.

No que diz respeito à rádio pública, Nicolau Santos assegurou que “há uma preocupação da nossa parte de que o serviço público de rádio seja, efectivamente, cumprido em todo o país, há projectos já em curso no sentido de renovar a precisamente a infraestrutura que permite à rádio cumprir esse objectivo e nós olharemos para essa situação com muita atenção e procuraremos que seja, até ao final do nosso mandato, possível cumprir esse desiderato”.

Já Hugo Graça Figueiredo, outros dos membros indigitados para a nova administração e que transita da administração anterior, abordou a questão da a alienação de activos, afirmando que “uma boa prática de gestão é que os activos sejam produtivos”. “É conhecida a posição que está reflectida no plano de actividades e orçamento de que alguns desses activos que não têm contribuição produtiva pudessem ser alienados”, indicou, lembrando que “a decisão final não cabe sequer ao Conselho de Administração ou à RTP”, estando a decisão do lado do gabinete do primeiro-ministro. “O Conselho de Administração fará as suas propostas e estas serão certamente avaliadas e cumpriremos aquilo que é a vontade também do accionista nesta matéria”, concluiu.

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