Media Capital reduz prejuízos em 80% mas volta a encerrar no vermelho em 2020

Por a 14 de Maio de 2021

A Media Capital encerrou as contas de 2020 com prejuízos a rondar os 11,1 milhões de euros, valor que representa, ainda assim, uma melhoria na ordem dos 80% face ao resultado líquido reportado pelo grupo dono da TVI no ano anterior. Em 2019, recorde-se, o saldo negativo registado pela Media Capital ascendeu aos 54,7 milhões de euros, situação que foi atribuída na altura ao “reconhecimento de imparidades de goodwill, bem como do desempenho operacional”. Apesar de se ter revelado insuficiente para retirar o grupo do vermelho, a melhoria do desempenho financeiro, sustentada em larga medida por uma acentuada redução dos gastos operacionais, permitiu à Media Capital encerrar 2020 com um EBITDA positivo, passando dos 40,4 milhões de euros negativos reportados em 2019 para os 463 mil euros.

Resultado que, salienta o grupo dono da TVI no comunicado enviado esta quinta-feira à noite à CMVM, corresponderia a um EBITDA na ordem dos 6,2 milhões de euros se “ajustado de gastos com provisões e reestruturações e perdas por imparidade de goodwill. No entanto, considerando o mesmo EBITDA ajustado reportado pelo grupo em 2019, o EBITDA registaria um recuo de 67% já que compara com um valor próximo dos 18,6 milhões de euros apresentado no ano anterior. No comunicado endereçado à CMVM, a Media Capital destaca, contudo, “a recuperação do segundo semestre, onde o grupo registou rendimentos operacionais de 82,3 milhões de euros e um EBITDA ajustado de gastos com provisões e reestruturações e perdas por imparidade de goodwill de 16,1 milhões de euros, o que compara com 78,7 milhões de euros e 3,7 milhões de euros no período homólogo de 2019, respectivamente”.

Analisando o desempenho financeiro do último, segundo o relatório agora divulgado, os rendimentos operacionais no encerramento das contas de 2020 fixam-se nos 137,6 milhões de euros, o que representa uma quebra de 17% relativamente às receitas na ordem dos 165,1 milhões de euros alcançadas no ano anterior. Os gastos operacionais situaram-se nos 137,1 milhões de euros, número que traduz um corte de um terço da despesa do grupo (-33%), comparativamente aos gastos operacionais de aproximadamente 205,6 milhões de euros que o grupo dono da TVI reportava em 2019. Mesmo excluindo amortizações, depreciações, gastos com provisões e reestruturações e perdas por imparidade de goodwill, os gastos foram reduzidos em 10%, dos 146,5 milhões para os 131,4 milhões de euros.

O impacto da pandemia não é alheio à evolução negativa dos rendimentos operacionais do grupo ao longo de 2020, com quebras em todos os segmentos e linhas de receita. As receitas publicitárias caíram 14%, passando dos 112,3 milhões de euros em 2019 para os 96,9 milhões de euros, o que corresponde a menos 15,4 milhões de euros encaixados pelo grupo em 2020 no que diz respeito a investimento publicitário. Ainda assim, indica a Media Capital no comunicado enviado à CMVM, “é de sublinhar o aumento de 12% no segundo semestre, quando comparado com o período homólogo de 2019”. No que diz respeito aos outros rendimentos operacionais, que englobam os rendimentos de produção audiovisual, serviços multimédia, rendimentos de cedência de sinal e venda de conteúdos, a quebra foi de 23%, passando de 52,8 milhões de euros em 2019 para os 40,7 milhões de euros no último ano. Uma redução que, justifica o grupo, fica a dever-se sobretudo “a uma quebra nos rendimentos associados a serviços multimédia e direitos de sinal”.

Analisando os resultados do grupo por área de negócio, o segmento de televisão, onde está concentrada a grande maioria das receitas da Media Capital, fecha o ano com rendimentos de 113,7 milhões de euros, com a publicidade a descer 10%, passando de 87,9 milhões de euros para 78,9 milhões, enquanto o item Outros Rendimentos desce 21% para aproximadamente 34,8 milhões de euros. Do lado dos gastos operacionais, a área de televisão, que além da TVI conta com canais cabo como TVI24, TVI Ficção e TVI Reality, regista uma diminuição de 36%, passando de 182,6 milhões de euros em 2019 para os 117,2 milhões de euros entre Janeiro e Dezembro do último ano, incluindo perto de 3,9 milhões de euros de gastos com reestruturações. Mesmo sem esses valores, os gastos foram reduzidos em 10%, descendo dos 126,3 milhões de euros para os 113,3 milhões.

Números que, embora insuficientes para retirar o segmento de terreno negativo, permitiram à área de televisão encerrar o exercício de 2020 com o resultado operacional de -7,9 milhões de euros, uma melhoria de 86% face aos prejuízos na ordem dos 55,2 milhões de euros reportados em 2019. Também o EBITDA se mantém negativo, nos -3,5 milhões de euros, mas a registar uma melhoria de 93% relativamente aos 50,8 milhões de euros negativos registados no ano anterior. Excluindo os gastos com reestruturações e imparidades, embora fosse suficiente para entrar no verde, o EBITDA do segmento de televisão registaria uma queda na ordem dos 93%, passando dos 5,5 milhões de euros para apenas 387 mil euros.

Tal como na área de televisão, o segmento de produção audiovisual, onde o grupo detém a Plural, regista uma evolução negativa das receitas. Os rendimentos operacionais desta área de negócio rondaram os 28 milhões de euros em 2020, o que representa um recuo de 15% face às receitas de 33,1 milhões de euros alcançadas no período homólogo em 2019. Do lado dos gastos operacionais há uma diminuição de 17%, passando dos 37,2 milhões de euros para os 30,8 milhões. O corte seria de 14% considerando o registado dos gastos com provisões e reestruturações. O segmento encerra igualmente o ano de 2020 no vermelho, tal como em 2019, apesar de registar uma melhoria de 18% nos resultados ao registar prejuízos na ordem dos 5,9 milhões de euros (registava -7,3 milhões no ano anterior). Também o EBITDA melhora 32%, embora se mantenha em terreno negativo, passando de -4.1 milhões de euros para -2,8 milhões. Considerando os gastos com provisões, reestruturações e imparidades de goodwill, o EBITDA seria de -1,9 milhões de euros, o que traduz uma diminuição de 5% relativamente a 2019.

No segmento de rádio, que continua a ser o terceiro na linha de receitas da Media Capital, a quebra nos rendimentos operacionais chegou aos 33%, passando dos 24,5 milhões de euros alcançados em 2019 para os 16,3 milhões de euros em 2020. Nesta área de negócio, as receitas publicitárias sofreram uma queda de 28% dos 20,9 milhões de euros para cerca de 15 milhões de euros. Já o item Outros Rendimentos recua 64%, passando de perto de 3,6 milhões de euros para 1,3 milhões de euros, situação que, justifica o grupo, “reflecte a menor actividade de eventos e de produção de spots e, adicionalmente, o efeito extraordinário da alienação de activos tangíveis que teve um impacto de cerca de um milhão de euros em 2019”. Do lado dos gastos regista-se uma descida de 17%, dos 12,8 milhões de euros para os 10,6 milhões de euros. Feitas as contas, a performance financeira desta área de negócio, constituída pela Media Capital Rádios, dona das estações Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM, resulta num EBITDA de 5,6 milhões de euros, uma quebra na ordem dos 51% face ao EBITDA de 11,6 milhões de euros registado em 2019. O resultado operacional cai 60%, dos 10,1 milhões de euros para os 4,1 milhões.

No segmento que inclui as restantes actividades, como a operação digital, a holding e os serviços partilhados, o grupo encerra o ano de 2020 com um EBITDA de 243 mil euros, o que traduz uma queda de 80% face a 2019, quando este segmento apresentava um EBITDA de 1,2 milhões de euros. O recuo seria de apenas 22% se considerados os gastos com provisões, reestruturações e imparidades de goodwill, passando de 1,7 milhões de euros para 1,3 milhões. O segmento viu os rendimentos operacionais descerem 1%, de aproximadamente 16,1 milhões de euros para 15,9 milhões de euros.

Encerradas as contas de 2020, a dívida líquida da Media Capital situava-se, em Dezembro, nos 80,1 milhões de euros, o que representa uma diminuição de 8,4 milhões de euros em comparação com a dívida reportada no final de 2019, na ordem dos 88,5 milhões de euros.

Os números apresentados, ressalva a Media Capital no comunicado endereçado à CMVM, correspondem a “informação financeira preliminar”, não podendo “ser considerada informação definitiva e final porquanto não foi a mesma aprovada pelos competentes órgãos sociais da sociedade, nem se encontram concluídos os trabalhos de auditoria pelos auditores da sociedade”. Trata-se, por isso, de “informação financeira resumida e parcial” que ainda poderá ser alvo de “alterações, correcções ou aditamentos”.

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