Media… até quando?

Por a 2 de Maio de 2021
Luís Santana, administrador executivo da Cofina Media

Luís Santana, administrador executivo da Cofina Media

Há décadas que os grupos de media estão entre os mais penalizados por cada crise que atravessamos. A pandemia covid-19 é a segunda grande crise em apenas 10 anos. Em cada crise há um arrefecimento da actividade económica e com ele uma redução da actividade comunicacional e promocional das empresas. Esta realidade tem um impacto imediato nas receitas dos media, que é ainda mais acentuada na imprensa escrita.

Os factores predatórios

A acrescer às crises conjunturais, desde há vários anos, assistimos à implementação de modelos de negócio predatórios sobre as receitas publicitárias remanescentes. Estes modelos, assentes na captação de investimento publicitário, concorrem de forma desleal com os grupos de media, na justa medida em que têm sido capazes de escapar a qualquer regulamentação, nomeadamente fiscal por parte do Estado Português e até da própria União Europeia.

A desigualdade de oportunidades

 A diversificação dos media poderia ser uma opção. Mas não em Portugal. Como sabemos, Portugal é um país onde a iniciativa privada está condicionada. Não há exemplo de democracias europeias onde apenas subsistam, em pleno século XXI, duas estações de televisão privadas free-to-air , mais a estatal RTP, que acabam por absorver a maior parte do bolo publicitário sobrante. Em Portugal não basta querer investir, é necessário que os poderes instituídos permitam e autorizem esse investimento, num condicionalismo à actividade económica e jornalística típico de outros regimes que não uma democracia plena.

Hoje, o panorama televisivo free-to-air demonstra uma pobreza total, grelhas de programação que se mimetizam, em que a qualidade deixou de ser um requisito. Não havendo oportunidade de concorrência, não há expectativa que surjam outros modelos de televisão.

A Cofina, que lidera claramente a imprensa escrita em Portugal, quer em formato impresso quer no digital, tem vindo a fazer um esforço de diversificação, tendo lançado uma estação de televisão, exclusivamente nas plataformas pagas, que tem tido um enorme sucesso, sendo líder incontestada na informação há vários anos.

Criação de valor para os leitores e clientes

 A nossa aposta, no sentido de continuarmos a assegurar a sustentabilidade dos nossos projetos, passa por manter uma total e absoluta independência editorial, que permita manter a credibilidade editorial dos nossos meios junto dos leitores e espectadores, mas ao mesmo tempo inovar nos formatos de comunicação, de modo a acrescentar valor para os nossos clientes investidores.

Nesse sentido, já em 2021, apresentámos ao mercado uma nova unidade de negócio, a Cofina Boost Solutions. Uma forma inovadora e que tira partido da nossa capacidade de comunicar. Com esta plataforma ajudamos as marcas dos nossos clientes a comunicar num contexto segmentado – eventos, activações, digital, criação de conteúdos, publicidade – ou em todos os meios, de forma integrada e multiplataforma, incluindo televisão, imprensa e digital numa estratégia de 360º.

Estamos igualmente atentos a outras oportunidades que o mercado possa oferecer, permitindo o desenvolvimento do nosso portfolio de meios.

Regulação é uma necessidade

Ao contrário do que acontece em outros mercados, onde a imprensa saudável e fundamental para uma democracia plena, em Portugal, não há qualquer regulação que defenda a imprensa, nomeadamente a imprensa escrita.

Além dos projetos de media que há décadas dão prejuízo e que continuam diariamente a concorrer, sem qualquer viabilidade ou sustentabilidade económica, e sem se entender como é que continuam no mercado, há outras questões que importaria relevar.

O Estado soube criar uma taxa que obriga os portugueses a suportar para manter uma miríade de canais de rádio e de televisão que cada vez têm menor expressão, mas que custam anualmente mais de 180 milhões de euros. Mas, esse mesmo Estado, tem sido incapaz de impor às plataformas de redes sociais e agregadores de noticias  qualquer taxa que possa contribuir para nivelar o mercado em termos de concorrência.

Não somo adeptos da subsidio dependência nem de outros  modelos de favorecimentos, mas a inacção do Estado quer em termos de liberdade de iniciativa privada em televisão, quer em termos de ausência de regulação de actividades predatórias, tem como reflexo um contínuo enfraquecimento do panorama dos media em Portugal e logo: MEDIA… até quando?

*Por Luís Santana, administrador executivo da Cofina Media

** Este artigo faz parte da edição nº 882 do M&P

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