É investimento, não custo

Por a 11 de Maio de 2021

“O sustentável é o novo lucrativo”. Esse tem sido o principal conselho do futurista Gerd Leonhard, autor renomado, ouvido por milhões de pessoas sintonizadas com o que há de mais disruptivo na economia. Os seus insights têm inspirado organizações como IBM, Google e a União Europeia nos planeamentos que mudam – para melhor – o rumo dos negócios. Focado nas pessoas, na prosperidade e no planeta, Leonhard aponta uma grande oportunidade para a próxima década: a descarbonização dos negócios. Não é idealismo nem utopia, mas uma actualização do modelo de negócios com base em factos.

Se a mais recente e violenta onda de transformações foi provocada pela pandemia, a próxima, ainda mais relevante, será a das mudanças climáticas, alerta Leonhard. Praticamente todos os líderes e chefes de Estado abordaram o tema em seus discursos na Cúpula do Clima.

E qual o papel das empresas nesse processo? Elas não podem mais ignorar essa transformação nas suas estratégias de negócio. Conceitos como economia circular, o capitalismo de stakeholders (em que todos os públicos devem ser ouvidos e respeitados) e os negócios sustentáveis são mandatórios, se não quiserem desaparecer num futuro breve. As organizações com visão clara do seu propósito, que implementam acções alinhadas a ele e geram impacto positivo na sociedade fortalecerão seus negócios e a sua reputação. Serão promissoras.

É imprescindível que as empresas se preocupem hoje com a sustentabilidade, com a geração de impacto social positivo na sociedade onde atuam e com a governança em suas atividades. É o tal ESG. A sigla vem do inglês “Environmental, Social and Governance” e, em português claro, são os investimentos e acções que combinam lucro com propósito. Já passou da hora das empresas incorporarem acções ESG nas suas estratégias de negócio. Algumas organizações fazem isso bem e colhem resultados. Muitas tentam, mas de forma desestruturada, sem inserir suas iniciativas na estratégia do negócio, como se pertencessem a um mundo paralelo. Outras precisam fazer – até querem – e não têm ideia por onde começar.

Comece pelos públicos de interesse: colaboradores, governo, empreendedores, comunidade, investidores. Envolva-os nas estratégias de Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa de acordo com as possibilidades oferecidas pela empresa. Ligue os pontos. De um lado os compromissos da organização, do outro as suas áreas de actuação. Se houver compromisso sem ressonância interna, há algo errado, ou algo que não está a ser feito. Nesta etapa, chame os profissionais de Comunicação. São eles que pensarão no “como”. Como inserir o tema na agenda da sociedade? Como mobilizar os convertidos, conquistar os indiferentes e influenciar os tomadores de decisão? A comunicação é fundamental para fortalecer as causas defendidas por empresas e organizações, melhorando os resultados do negócio.

Todas as empresas buscam reconhecimento do mercado, dos investidores, dos consumidores, dos colaboradores e da comunidade. Querem ser percebidas  como empresas “do bem”, solidárias, sustentáveis, que se preocupam com a comunidade e o meio ambiente, são boas empregadoras, bem administradas e lucrativas. Essa mensagem de confiança só terá visibilidade se houver uma comunicação profissional, criativa e bem informada na empresa. Elaborar mensagens de confiança requer estratégia, planeamento e, sobretudo, coerência entre o discurso e a prática. Caso contrário, a imagem da empresa ficará frágil e a sua reputação, em risco.

Para garantir a longevidade de um negócio, comece a mudar agora. Mais do que um logótipo, a sua organização é constituída por um conjunto complexo de emoções, ideias, percepções e experiências que contam a história de quem você é e o que representa. Conectar-se com os corações e mentes de seus públicos estratégicos requer sensibilidade e experiência. Não resulta de um passe de mágica, mas de um processo desafiador que, para ser sustentável, deve contar com o comprometimento do C-Level e profissionais de comunicação. O desembolso inicial é mais do que recompensado, ainda mais se levarmos em conta que este futuro de novos negócios sustentáveis e lucrativos está mais perto do que se imagina. Tudo isso é investimento, não custo.

Artigo de opinião de Sandro Rego, estratega de comunicação na Priori – Comunicação com Propósito

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