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Como se gere a comunicação de um unicórnio português

Por a 21 de Maio de 2021


Igor Carvalho é o novo head of global communications da Feedzai, empresa com sede em Coimbra avaliada em mais de mil milhões de dólares

A Feedzai revelou no fim de Março que tinha fechado uma ronda de 200 milhões de dólares, fazendo com que a sua avaliação ultrapassasse a barreira dos mil milhões de dólares. Desta forma, entrou no grupo restrito de empresas portuguesas ou fundadas por portugueses, onde se encontram a Farfetch, a OutSystems e a Talkdesk, a ostentar o estatuto de unicórnio. “O novo investimento será usado para acelerar a expansão global da companhia, desenvolver a oferta de produtos, reforçar a estratégia de parceiros e o posicionamento como uma das melhores soluções de prevenção e gestão de risco financeiro no mercado”, explicou a empresa liderada por Nuno Sebastião.
Desde Abril que Igor Carvalho assume a responsabilidade pelo departamento de comunicação da empresa a nível global. Com um percurso profissional ligado a agências de comunicação (Atrevia e YoungNetwork), Igor Carvalho integrou a Feedzai como PR & communications manager da região EMEA em 2017. “Venho das agências, sempre a trabalhar a área das tecnologias com grandes empresas como a Dell ou a Ericsson, mas também com startups e empresas portuguesas. Fui-me especializando em tecnologia e em comunicação B2B”, refere ao M&P.

A Feedzai desenvolve tecnologia que ajuda bancos e outras empresas financeiras a prevenir fraudes em pagamentos ou outras actividades ilícitas. Em Portugal, as equipas encontram-se distribuídas por Lisboa, Porto e Coimbra, trabalhando para clientes globais como o Citi ou o Lloyds. Ao todo, a Feedzai monitoriza empresas com mais de 800 milhões de clientes em 190 países. “A Feedzai tem um footprint global, com pessoas nos Estados Unidos, na Europa, na América Latina e na Ásia-Pacífico mas onde temos mais pessoas é em Portugal e nos Estados Unidos, com escritórios em Silicon Valley, Atlanta e Nova Iorque.” “Somos uma multinacional com 500 pessoas. A empresa nasceu com esta ideia de criar um produto tecnológico com escala global para vendê-lo a instituições financeiras em todos os pontos do mundo. Por isso, também temos pessoas na Alemanha, França, Hong Kong, Singapura ou Austrália”, descreve.

No entanto, os mercados movem-se a velocidades distintas. Uma das grandes tendências deste sector são os pagamentos em tempo real, mas cada país tem as suas tecnologias, o seu estádio de adopção da tecnologia e apresenta um ecossistema e um sistema regulatório próprios. “Significa que as mensagens da empresa não podem ser definidas globalmente. Há, naturalmente, mensagens globais, mas em cada um dos mercados é necessário ter esta capacidade de mergulhar no ecossistema e perceber quais são os problemas, os desafios e como se adapta a estratégia de comunicação para que aquele público-alvo entenda qual é a nossa proposta”, refere o profissional.

A dispersão geográfica dos negócios da Feedzai tem impacto na forma como Igor Carvalho organiza o dia. “Na parte da manhã dedico-me à produção de conteúdos e ao trabalho mais estratégico. A tarde é para reuniões com as equipas dos Estados Unidos”. É também apoiado por uma agência de comunicação no Reino Unido e outra nos Estados Unidos. A equipa do marketing tem 15 pessoas, mas a comunicação está centralizada em Igor Carvalho, que coordena o trabalho com agências de comunicação e parceiros para as várias regiões. “Há agências com que trabalho permanentemente e outras mais pontualmente. Se for necessário organizar algo no mercado brasileiro ou asiático, por exemplo, temos um conjunto de parceiros que sabemos que são de confiança”, ilustra.

Numa empresa com estas características faz sentido vincar o ADN português? “A empresa tem sede fiscal em Portugal e parte substancial das equipas e o centro de desenvolvimento estão cá. Esse ADN português está presente, mas o facto é que a empresa tem crescido muito a partir dos Estados Unidos”, admite Igor Carvalho, que destaca a importância daquele país no processo de internacionalização das empresas portuguesas. “Muitas empresas testam o mercado espanhol e depois os países da CPLP. A América Latina é um passo natural quando já se tem um footprint em Espanha. Está-se a falar de um circuito conhecido, mas do ponto de vista do marketing e da comunicação começa a haver agora uma escola muito contagiada pelo mercado norte-americano. Há agora uma vaga de profissionais em Portugal que, por trabalharem em empresas com esta proximidade ao mercado norte-americano, aprendem a fazer as coisas de forma diferente. Há 10 ou 15 anos não se encontravam, ou encontravam-se menos, profissionais com competências para ajudar as empresas a expandir as suas operações a nível global. Hoje já existem”, assegura.

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