RTP: “A abordagem em multiplataforma não é compatível com a alocação exclusiva de orçamentos a canais”

Por a 1 de Abril de 2021

hugo figueiredo+nicolau santosA produção de conteúdos multiplataforma é um dos principais objectivos dos novos administradores da RTP, Nicolau Santos, que assumirá a presidência, e Hugo Figueiredo.

Segundo o Projecto Estratégico com o qual se candidataram à administração da RTP (2021-2023), a que o Expresso teve acesso, os responsáveis defendem que “a abordagem em multiplataforma não é compatível com a alocação exclusiva de orçamentos a canais”. “É necessário criar maior transversalidade e flexibilidade nas decisões, por exemplo, que seja possível ver ou recuperar episódios de uma série completa no RTP Play, quando no canal TV é exibido apenas um episódio por semana; ou ainda, adquirir direitos desportivos para canal aberto de uma seleção nacional e simultaneamente negociar os restantes jogos desse evento para a plataforma digital RTP Desporto”, indicam no mesmo documento.

Para a RTP Play, Nicolau Santos e Hugo Figueiredo defendem que “são necessárias novas funcionalidades, a melhoria contínua da usabilidade e a negociação de inclusão nativa nas plataformas dos operadores de cabo”. “Devem ainda ser ampliadas as soluções de distribuição via OTT dos conteúdos, uma tendência que se acentuará e que também se encontra em marcha em vários operadores da EBU [European Broadcasting Union]”, refere o Projecto Estratégico.

Para os novos administradores, a RTP1, enquanto canal generalista e familiar, deverá “aumentar a diversidade e o rigor da informação”, apostando em mais filmes, séries, documentários, mais programas de humor e para as famílias, mas também grandes eventos musicais, desportivos, culturais e políticos, incluindo programas de talentos, concursos de cultura geral, divulgação das tradições e grandes eventos desportivos. Já a RTP2, marcada por uma forte componente cultural, deve ter “mais cultura e produção própria”.

A RTP Desporto, refere o Expresso citando o mesmo documento, deve “apostar na diversidade das modalidades e dos escalões, “nas modalidades femininas” e “fazer acordos com as federações para a transmissão do máximo número de eventos”, enquanto a RTP Palco deverá “apostar em produção própria e estabelecer parcerias para aumento de arquivo”.

Para a RTP Memória ainda não há uma proposta concreta. De acordo com o Expresso, o Projecto Estratégico refere apenas: “A revisitar no âmbito do novo contrato de concessão. A transformar numa RTP 4 em articulação com a RTP 2?”

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