Notas de Abril

Por a 23 de Abril de 2021
Vítor Cunha, administrador da JLM&Associados

Vítor Cunha, administrador da JLM&Associados

1 – A Pordata é, para amadores e profissionais da curiosidade, um dos melhores amigos possíveis, daqueles de quem sentimos falta mesmo quando estamos com eles. A organização do conhecimento e da informação, a descoberta de singularidades, a confirmação ou infirmação de impressões, ou o simples apelo da dúvida, levam-nos por florestas de gráficos e tabelas a perder de vista. Convido à visita recreativa, mas alerto que o produto pode ser viciante.

Como é notório, interesso-me muito pelo tema do acesso à informação e ainda estou muito longe de estar convencido da morte do “papel”, apesar dos múltiplos obituários. De resto, os dados sobre o último ano de vendas agregadas em banca e assinaturas digitais comprovam a resistência de alguns títulos, apesar de prognósticos mais reservados.

No gráfico publicado nesta página procurei ver como é que venda de publicações, rendimento médio das famílias e banda larga se cruzam. Como se percebe, compra de jornais e rendimento são temas que não se relacionam à primeira leitura. Talvez o preço dos jornais em papel esteja ainda muito baixo e possa subir.

De 2000 para cá temos assistido a uma crescente erosão das vendas em banca, um fenómeno que não é exclusivo deste produto. O comércio online de bens e serviços veio para se expandir e quase tudo pode ser comprado por esta via.
Cada vez mais, as plataformas e os serviços pós-venda estão mais adequados às nossas procuras, o mesmo se passando com os jornais, que oferecem serviços em complementaridade por preços muito aceitáveis.

No gráfico detectamos outro dado interessante: banda larga e rendimento crescem a par. Agora que o 5G está a chegar – vamos ver a que preços e com que qualidade, já que muitos serviços de fibra actualmente não são fiáveis e as oscilações de sinal lamentáveis – será interessante acompanhar a forma como a informação passará a ser consumida e em que formatos. E como vai afectar certos meios.

 2 – O trabalho em comunicação pressupõe cada vez mais métricas, seja na solução de problemas ou na prestação de contas. Mas a relação com os clientes, fornecedores ou outros parceiros terá sempre, e ainda bem, uma carga relativa ao sujeito que não vai desaparecer.

Ferramentas desenvolvidas com base na experiência pretérita, o recurso a inteligência artificial e soluções informáticas avançadas vão estar cada vez mais presentes nas nossas vidas. Em gestão de crise, por exemplo, é possível estimar o reach de uma notícia e também o seu potencial de crescimento nas redes. O press release (que não morreu) em poucos anos será feito, em parte, por uma aplicação e muitas notícias de jornal poderão quase não ter intervenção humana.

Jornalistas, cientistas sociais e profissionais de comunicação precisam, cada vez mais, de conhecer melhor os seus públicos, o mundo que os cerca, e precisam de ser capazes de lidar com dados que orientem nas decisões. É certo que a experiência (conhecimento acumulado) ajuda muito, mas a velocidade das transformações (sociais, de comportamento e de técnicas) facilmente nos colocam longe da realidade.

O profissional de comunicação do futuro não será um robot, mas convirá ter um à mão para nos facilitar a vida, poupar tempo e oferecer soluções mais adaptadas ao que o mercado é – e não àquilo que imaginamos ser.

*Por Vítor Cunha, administrador da JLM & Associados

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