O que é o vídeo-timing?

Por a 8 de Março de 2021
Ricardo Tomé, director coordenador da Media Capital Digital

Ricardo Tomé, director coordenador da Media Capital Digital

Ser inoportuno é tremendamente chato. Isto na componente social. Nos negócios pode ser verdadeiramente ineficaz. Quem quer apostar num relacionamento sério com os seus clientes no digital não pode achar que convidá-los para almoçar no fast-food é bom ou mau, da mesma forma que um menu de degustação estrela Michelin pode ser bom, ou mau. Tudo depende do timing. No vídeo isto é vídeo-timing!

 

O que é?

Adiantará de pouco fazer uma busca no Google pelo termo (deveria ter esperado pelo fim do artigo… que andou para aí a fazer e o que encontrou entretanto, caro leitor?). O termo não está disseminado e foi mesmo congeminado aqui pelo modesto autor destas palavras. Refere-se, de forma simples, ao timing certo para entregar o vídeo certo, no contexto certo, junto do seu cliente alvo. Tão simples. De facto, as definições resumem tudo e chegam a conseguir enganar-nos nessa simplicidade, ao invés da complexa aplicabilidade que esconde segredos.

 

Como se aplica?

Em 2020 a Rescue Time e a Deloitte voltaram a investigar um tópico repetidamente analisado: quantas vezes nos ligamos ao “animal doméstico electrónico” (vulgo smartphone; esse mesmo)? Já em 2012 a SimplyZesty o havia feito pela primeira vez na Europa e a Microsoft em 2017 repetiu o âmbito do estudo. As conclusões deste mais recente, de 2020, revelaram umas já não tão surpreendentes 58 vezes por dia que nos ligamos ao nosso companheiro. Qual novo tamagotchi.

Contudo, muito mais do que o número total, interessante é analisar como são essas 58 vezes.

Como são?

70% dessas sessões são abaixo de 2 minutos (!). 25% entre 2 a 10 minutos. E apenas 5% são acima de 10 minutos. O que corrobora uma vez mais uma reflexão feita e apresentada aqui há dois anos num pomposo fórum internacional, de que não há vídeos bons ou maus apenas pelo conteúdo, mas também pela duração e adequação ao contexto (da plataforma, de que aqui já falámos, mas também na duração).

 

Vá lá… como é que posso ser brilhante no vídeo timing!?

Simples, adequando a natureza e o storytelling à duração de tempo disponível dos seus clientes ao longo do dia. Vídeos em Reels, Stories ou TikToks são o que chamo de “Time Killers”. Vídeos curtíssimos que servem para ser vistos em swipe-up-mode por quem está com pressa e quer ver muita coisa em pouco tempo; muitas das vezes sem som e em modo conta-me-tudo-em-15-segundos-ou-no-máximo-30-pois-tenho-mais-que-fazer. Os períodos da manhã e horário laboral são aqueles onde este tipo de acessos se dão em maior número.

Depois temos os “Short-Breaks”. Servem estes para as pequenas pausas. Lá está. Os tais 2 a 10 minutos que temos num ‘break’ de almoço ou num qualquer “coffee-break” a meio da manhã. Algures num qualquer contexto onde até temos a disponibilidade de ligar som, headphones e sem problemas viramos o telemóvel (perdão, o animal doméstico electrónico) na horizontal. Aqui valem vídeos em 16:9, com primor na edição, feitos para o feed, em posts, para YouTube, com link na newsletter, no website e com bom CTR nas notificações.

Por fim, os mais raros, os vídeos “Triple O”. Ou seja, em modo Out-Of-Office, que é como quem diz “não me chateiem que agora quero estar sossegado a ver o que me apetece”. Encaixam aqui os vídeos de longa duração, imersivos, com 15 ou 30 minutos ou até mesmo próximos da 1h. Serão poucos, mas serão memoráveis. Ambicionam a dedicação dos tais 5% de sessões. Tal como um bom podcast. Para serem vistos/ouvidos com o seguidismo daqueles que gostam da marca, seja por causa de quem dá a cara, pelo tema, pela rubrica regular, porque é fã, porque aquilo se tornou um ritual.

 

Mestrado Executivo em Vídeo Timing com Louvor

Como corolário há mais nuances que fazem a diferença, mas o mote está dado e espero que não veja os vídeos nunca mais como apenas… vídeos. Poderá considerar o uso ou não de legendas, os enquadramentos mais em plano próximo do que em plano médio, edição mais nervosa e rápida ou mais serena… enfim. O tempo e os resultados demonstrarão o caminho. Mas, depois disto, fuja da ideia de que os vídeos bons são os virais. Esses tentam ganhar prémios. Mas o dia-a-dia faz-se dos eficazes, dos que trazem retorno – em engagement, novos seguidores, pedidos de orçamento, visitas ao e-commerce e conversão em compras. Esses é que são bons prémios.

*Por Ricardo Tomé, director coordenador da Media Capital Digital

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