Lucros da Impresa disparam 43,2% em ano de pandemia com receitas a caírem apenas 2,1%

Por a 18 de Março de 2021
Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa

Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa

Num ano marcado pela pandemia, com impacto significativo ao nível das receitas publicitárias, a Impresa encerrou as contas de 2020 com lucros na ordem dos 11,2 milhões de euros. Apesar de não ter sido imune ao contexto pandémico, registando um recuo de 2,1% nas receitas totais, sobretudo justificado por uma quebra de 6,1% no investimento publicitário captado, o grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão viu os lucros crescerem 43,2% face ao resultado líquido de 7,8 milhões de euros reportado em 2019. Resultados que, recorde-se, haviam sido apresentados nessa altura como os melhores obtidos pelo grupo dono da SIC e do Expresso nos últimos cinco anos.“Num ano atípico e tão desafiante das nossas vidas, a pandemia sublinhou a importância da informação credível e do entretenimento de qualidade”, considera o CEO da Impresa, atribuindo os resultados alcançados ao desempenho das duas marcas do grupo que lidera. Salientando que ambos “bateram recordes de audiência e de circulação”, Francisco Pedro Balsemão explica que “foi graças aos valores atingidos pela SIC e pelo Expresso que a Impresa conseguiu melhorar os seus resultados operacionais e líquidos, tendo a empresa mantido também o foco na redução de custos, que compensou a queda nas receitas publicitárias”.

Na análise ao relatório enviado esta quinta-feira à CMVM, o contributo dessa diminuição dos custos operacionais para os resultados alcançados pelo grupo em 2020 é evidente. Com um corte de 6,2%, os custos desceram para cerca de 147 milhões de euros, o que representa um peso de quase 10 milhões de euros retirado das contas da Impresa, que em 2019 reportava custos operacionais na ordem dos 156,8 milhões de euros. Uma diminuição que permitiu compensar o recuo de 2,1% nas receitas, que correspondeu a um encaixe a rondar 3,8 milhões de euros abaixo do volume de receitas gerado pelo grupo em 2019. No total, o grupo dono da SIC e do Expresso, fechou as contas de 2020 com receitas na ordem dos 178,1 milhões de euros, que comparam com aproximadamente 181,9 milhões de euros encaixados no ano anterior.

Números que permitiram à Impresa melhorar igualmente a performance financeira do grupo, com o EBITDA a subir para os 31,1 milhões de euros, um incremento de 24% relativamente aos resultados financeiros do último ano, que colocavam o EBITDA nos 25,1 milhões de euros. Considerando na análise os custos de reestruturação, a melhoria é menos expressiva, com o EBITDA fixado em 31,4 milhões de euros a comparar com 27,7 milhões de euros em 2019, traduzindo uma melhoria de 13,2%.

Analisando as fontes de receita do grupo, o destaque pela positiva vai para o desempenho ao nível das receitas de circulação e de IVR (chamadas de valor acrescentado). As primeiras registaram um crescimento de 9,5%, passando dos 9,7 milhões para os 10,6 milhões de euros, enquanto a segunda linha de receitas referida apresenta um incremento de 43,7%, com um encaixe nas receitas de IVR quase 5 milhões acima do ano anterior ao subirem de 11,3 milhões para valores na ordem dos 16,2 milhões de euros. Subidas que se revelaram insuficientes para compensar as quebras sentidas nas restantes fontes de receita, com recuos, não só nas receitas publicitárias, mas também nas receitas de subscrição de canais e no item Outras Receitas.

Receitas publicitárias caíram 6,1%

É na publicidade que se torna mais evidente o impacto do contexto que vivemos, com o grupo a indicar que “devido à pandemia de covid-19 as receitas publicitárias caíram 6,1%”. São menos 7,2 milhões de euros, com as receitas de publicidade a fixarem-se nos 111,3 milhões de euros, o que compara com os 118,5 milhões de euros investidos nas marcas do grupo em 2019. Registam-se ainda descidas de 4% nas receitas de subscrição de canais, que passam dos 34,3 para os 32,9 milhões de euros, e nas Outras Receitas, situadas nos 7 milhões de euros, um recuo de 13,1% face aos resultados deste item em 2019.

Separando a análise por segmento, a área de negócio da televisão atinge um EBITDA na ordem dos 30,5 milhões de euros no encerramento das contas de 2020, representando uma melhoria de 12,9% comparativamente aos 27 milhões de euros reportados no ano anterior. As receitas da SIC totalizaram perto de 152,2 milhões de euros, traduzindo uma diminuição de 2% face aos 155,2 milhões de euros registados em 2019. Recuo motivado por quebras em toda a linha de receitas na estação de Paço de Arcos com excepção dos IVR. O crescimento de 43,7% neste item não foi, contudo, suficiente para equilibrar a balança face às quebras de 5,6% nas receitas publicitárias, que passaram de 105,7 milhões para 99,8 milhões de euros, de 4% nas receitas de subscrição de canais e de 18,4% nas outras receitas. A nelhoria do EBITDA desta área de negócio fica assim a dever-se sobretudo ao corte do lado dos custos operacionais, que desceram dos 128,2 milhões de euros para os 121,7 milhões.

Apesar de registar igualmente uma redução nas receitas totais, o segmento de publishing, também por via de um corte na ordem dos 15,4% nos custos operacionais, vê a sua performance financeira melhorar significativamente. No encerramento das contas de 2020, esta área de negócio reporta um EBITDA de 3 milhões de euros, valor que traduz uma subida de 1005,1% em comparação com o EBITDA próximo dos 275 mil euros comunicado no último ano. Neste segmento, as receitas totais desceram 3,8%, passando de 24,2 milhões de euros para 23,3 milhões, apesar de uma subida de 9,5% nas receitas de circulação, que se fixaram nos 10,6 milhões de euros. As restantes linhas de receita registam quebras: as receitas publicitárias desceram para os 11,5 milhões de euros, uma quebra de 10,1%, as receitas de produtos alternativos caiem para quase metade, situando-se em cerca de 160 mil euros (-48,8%) e as Outras Receitas descem para um milhão de euros (-28,4%).

Para concluir, o segmento Impresa Outras, onde estão incluídos as contas da Infoportugal, o grupo encerra 2020 com um resultado negativo próximo dos -2,4 milhões de euros, uma descida de 8,1% face ao EBITDA negativo em -2,2 milhões de euros registado no ano anterior. Resultado que fica a dever-se sobretudo ao aumento de 8,5% nos custos operacionais, que passaram dos 4,6 milhões de euros para os 5 milhões, com impacto mais significativo do que o crescimento de 8,9% na receitas, que subiram de 2,4 milhões para 2,6 milhões de euros.

No que diz respeito ao endividamento, a Impresa encerrou as contas de 2020 reportando uma dívida remunerada líquida de 152,8 milhões de euros, apontado como “o valor mais baixo desde 2005, ano em que a Impresa passou a deter 100% do capital da SIC”. A dívida agora reportada pelo grupo representa uma redução de 13,6 milhões de euros face à dívida de 166,4 milhões de euros com que fechou o exercício de 2019, sendo ainda mais significativa se comparada com a dívida de 169,1 milhões de euros reportada no relatório anterior, correspondente ao primeiro semestre de 2020.

Comentando os resultados agora apresentados, e antecipando o ano de 2021, Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa, assegura que o grupo “procurará consolidar as lideranças da SIC e do Expresso e prosseguirá os objectivos definidos no âmbito do seu plano estratégico para o triénio 2020-2022, focada na produção de mais e melhores conteúdos, em várias plataformas, e procurando atingir novas e maiores audiências”.

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