Dia Mundial da Rádio: “A rádio está mesmo forte”

Por a 13 de Fevereiro de 2021
António Mendes, director de programas da RFM

António Mendes, director de programas da RFM

Começar um texto sobre o Dia Mundial da Rádio a falar sobre a RFM, sendo o director de programação da mesma, é um ângulo demasiado óbvio. Mas o facto da RFM ter sido identificada, pelo quinto ano consecutivo, como o meio de comunicação social português com maior índice de relevância e reputação emocional (RepScore/ONSTRATEGY) é apenas o pretexto para falar de rádio, e de como ela é forte, a propósito deste dia.

É que é o facto da RFM ser o meio de comunicação com maior reputação que pretendo relevar. É o facto de, na paisagem de media que nos cerca, nesta terceira década do século XXI, a rádio se destacar assim, de uma forma tão regular, dos restantes meios de comunicação.

E não há lugar para dúvidas, a rádio está mesmo forte. Estudo após estudo, a mesma conclusão. Num cenário povoado por Spotify’s, YouTubes, Facebooks e Podcasts, é na rádio que as audiências depositam confiança e é a ela que atribuem credibilidade. Segundo o estudo da Trust in Media da EBU (European Broadcast Union), na Europa e em Portugal, nenhum meio detém o nível de confiança da rádio. A rádio lidera destacada o Net Trust Index, índice que mede a diferença entre as pessoas que confiam e as que não confiam num meio.

Estes são dados que deixam muitos analistas a coçar a cabeça. Como é possível que, num mundo que atravessa uma forte disrupção digital, que proporciona uma diversa multitude de fontes de entretenimento e de informação, a rádio continue a ter este protagonismo? Como é possível que a rádio, que já devia ter morrido umas tantas vezes, siga tão forte?

Há os que encontram na clássica frase de Steve Allen, “Radio is the theatre  of the mind, television is the theatre of the mindless”, fundamento para explicar o sucesso da rádio. Entre tantos meios que nos mostram o mundo de forma crua, a rádio continua a proporcionar espaço para a imaginação. As vozes da rádio falam-nos ao ouvido e deixam espaço para pintarmos o resto da imagem. E cada um de nós pinta-a como mais gosta. Faz parte da intimidade da rádio. Ela fala para cada um de nós individualmente, quer estejamos a conduzir ou a trabalhar, mesmo que apenas em fundo.

Mas há também aqueles que, como Richard Glover, um radialista australiano, vêem a rádio como um meio verdadeiramente disruptivo. Por tudo aquilo que oferece e pela forma como nos liga uns aos outros. É verdade que as plataformas de streaming permitem a cada um de nós fazer a sua própria playlist e ouvir até aquela música que mais nenhum dos nossos amigos quer ouvir. E também é verdade que podemos encontrar podcasts que nos falam dos nossos interesses. Mas só a rádio feita ao vivo e em directo tem a força de nos ligar ao espaço em que vivemos, num sentido de comunidade e partilha.

Glover pede-nos para fazer um exercício giro. Imaginar como seria se a rádio tivesse aparecido depois dos podcasts e dos serviços de streaming. Não resisto a partilhar a ideia porque a acho poderosa. Os comentários poderiam ser qualquer coisa como Glover pensou; “esse sistema no qual uma transmissão ao vivo é enviada aos carros e cozinhas das pessoas. Não requer cabos ou conexões Wi-Fi: (…). Ah, e os ouvintes podem interagir com o dispositivo, fazendo perguntas e comentários, que são então imediatamente transmitidos a outros usuários, proporcionando uma espécie de praça da cidade em que os assuntos do dia são discutidos”. Uma ideia poderosa, não é?

Acresce que a rádio de hoje capitaliza em tudo aquilo que a tornou famosa e usa sem cerimónias as tecnologias e plataformas digitais, para estar mais próxima das pessoas. Penso que é por tudo isto que a rádio é um meio tão relevante.

Para a Unesco, o tema do Dia Mundial da Rádio deste ano, “New World, New Radio”, é uma ode à resiliência deste meio e à sua capacidade de perpétua adaptação. Para a Unesco, o mundo muda e a rádio evolui, adapta-se e une pessoas. Na RFM acreditamos que são estas características que tornam a rádio tão relevante e permitem que a RFM seja a marca de comunicação com maior índice de relevância e reputação emocional.

Feliz Dia Mundial da Rádio!

*Por António Mendes, director de programação da RFM

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