Dia Mundial da Rádio: “Celebremos juntos esta prova superada”

Por a 13 de Fevereiro de 2021

PedroRibeiro_10Este Dia da Rádio acontece depois de um ano de pandemia, que, uma vez mais, pôs à prova a tenacidade e a vocação única para a adaptação. De repente, nada de trânsito, que é o habitat natural da rádio. E o que aconteceu? As rádios viraram-se para a internet, para as aplicações, para as Smart TV, para as redes sociais, e tocaram no ombro do ouvinte, de outras maneiras, para que não se esquecesse.

O “mercado”, como sempre, levou mais tempo que o consumidor, a perceber que sim, a rádio continuava viva, relevante na vida dos ouvintes, presente em tempos difíceis. Aliás essa é uma marca histórica da rádio. Em tempos de incerteza, de crise, de guerras até, rádio no ar, sempre.

Nesta batalha coletiva do mundo contra um vírus, a capacidade das vozes e das músicas da rádio chegarem ao coração de quem ouve, serem aconchego, companhia, cumplicidade, refúgio, foram amplamente comprovadas. Das rádios locais, essas fundamentais estações de vizinhança, até às maiores, no alcance da sua cobertura, a rádio disse presente.

Neste Dia Mundial da Rádio, renova-se toda a virtude mágica e única deste meio, mas, de novo, a incerteza. Os anunciantes retraem-se, mas os ouvintes estão lá. Entendem que foi, e é, preciso, voltar a procurar novas maneiras de fazer rádio: das transmissões a partir das casas dos animadores, a equipas em espelho, a transmissões nas redes sociais, a equipas dos programas colectivos arrumadas cada uma no seu estúdio. Nós, pela nossa parte, aperfeiçoámos ainda mais as nossas rádios digitais, melhorámos o site, as apps, a fiabilidade dos nossos streamings, a oferta de podcasts, a coerência e eficácia das notificações, o foco da nossa redação a produzir notícias para os noticiários e para as nossas redes, a diversidade e riqueza de conteúdos.

Não parámos com o nosso programa de entrevistas, os nossos animadores tentaram, ainda mais, ir ao encontro da exigência destes meses, procurámos sempre o equilíbrio entre a obrigação de não fazer de conta que a vida seguia normal, porque não seguia, mas, ao mesmo tempo, não renegar nunca a tarefa do entretenimento.

A rádio aprendeu com estes meses? Com certeza que sim. É um meio elástico, moldável, inconformado, provocador até. Pisca o olho, respira fundo e faz-se ao caminho.

A maneira como a Linha da Frente fez e faz chegar às rádios o testemunho da sua importância é esmagadora e comovente. Médicos, bombeiros, enfermeiros, técnicos de saúde, forças de segurança, portageiros, camionistas, funcionários de mercearias, super e hipermercados, farmacêuticos, o exército de entregadores de comida em take away, funcionários e utentes de lares, trabalhadores da recolha de lixo… a lista é enorme, dos heróis destes meses, que, muitas vezes esgotados, a entrar ou sair de turnos gigantes de duríssimo trabalho, encontram consolo, força e alento numa canção que deu na rádio, numa palavra que se ouviu a alguém, numa qualquer hora de emissão, numa mensagem de outro ouvinte, que gerou empatia.

Familiares isolados uns dos outros, ouviram a mesma musica e combinaram ligar o rádio à mesma hora. Médicos em quartos alugados, para protegerem as famílias, ligaram a rádio no telemóvel e ali ficaram, agarrados a esse fio de normalidade e constância. E conseguiram muitas vezes sorrir, enfim. Em unidades de cuidados intensivos houve quem nos perguntasse que musica estava a dar quando um doente que tinha estado mesmo mal, acabou por ter alta.

Nos momentos mais duros, em que familiares não puderam despedir-se dos seus, procuraram a rádio e aí encontraram algum conforto. Emigrantes que viram, ao longo deste ano, a saudade apertar ainda mais, comoveram-se com a lembrança da sua rádio de sempre , que falou deles e para eles também. Estamos todos juntos nisto. Sempre que políticos, cientistas e técnicos se reuniram para tomar duras e difíceis decisões, foram e vieram das reuniões com o rádio ligado.

Pensemos num meio que tenha sempre estado lá, com toda a gente. A rádio. Como sempre.

Não há como os ouvintes sentirem a sua estação de rádio como sendo sua mesmo, tão parte daquilo que são como as suas próprias famílias, o sitio onde nasceram ou moram, os seus melhores amigos.

Neste Dia Mundial da Rádio, celebremos juntos esta prova superada. Das rádios de nicho às nacionais. Quota de resiliência diária? 100%.

Em casa, no carro, em todo o lado.

*Por Pedro Ribeiro, director da Rádio Comercial

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