“A marca própria é fundamental para o crescimento de vendas do Minipreço, principalmente nas categorias de alimentação e limpeza do lar”

Por a 19 de Janeiro de 2021

Helena GuedesHelena Guedes, directora comercial DIA Portugal, analisa o impacto da pandemia da covid-19 no comportamento dos consumidores, a par das alterações no interior dos supermercados Minipreço, da estratégia para as marcas próprias e para as vendas online.

Meios & Publicidade (M&P): Assiste-se a mudanças estruturais nas compras efectuadas pelos portugueses?
Helena Guedes (HG): Desde o início da pandemia do covid-19 que antecipámos o excesso de procura de alguns bens alimentares e o nosso principal foco foi garantir uma excelência operacional que minimizasse algumas falhas momentâneas que pudessem ocorrer em algumas categorias que registaram aumentos de vendas na casa dos três dígitos, nomeadamente, os produtos enlatados, os congelados, produtos lácteos, papel higiénico e a mercearia salgada. Garantimos também o adequado fornecimento de algumas categorias que já apresentavam subidas constantes a dois dígitos, e que mantiveram a mesma dinâmica durante este período, onde se incluem os produtos de pequeno-almoço, os frescos, ovos e produtos de limpeza do lar.

M&P: E nesta nova fase da pandemia?
HG: Estimamos que nos próximos tempos a procura dos produtos destas categorias mantenha esta dinâmica, por força do distanciamento social, dos constrangimentos na restauração e do confinamento. Muitas refeições que tradicionalmente eram feitas fora de casa, são agora feitas em casa e isso é algo que não vai mudar nos próximos tempos.

M&P: A crise económica que se avizinha é uma oportunidade para o crescimento das marcas próprias?
HG: Ainda que o crescimento da marca própria aconteça em todas as categorias, ainda existe uma grande margem de crescimento numa nova realidade. Desde sempre que as marcas próprias estiveram conotadas com preços baixos com uma predominância bastante superior à qualidade ou ao valor acrescentado. Num contexto de crise económica em que vivemos, as marcas próprias, por natureza, crescem mais do que as marcas de fabricante e será um dado adquirido que esta tendência se vai acentuar. Se acrescentarmos a este dado um reforço da qualidade e do valor acrescentado das marcas próprias, conjugamos os três factores para que este cenário se concretize: preços mais competitivos, com qualidade superior e em benefício do consumidor.

M&P: Sendo que no caso do Minipreço, as marcas próprias têm um peso significativo no total das vendas…
HG: A marca própria é fundamental para o crescimento de vendas, principalmente nas categorias de alimentação e limpeza do lar. Estamos a trabalhar também intensivamente nas marcas próprias, que representam um activo cada vez maior das insígnias de retalho. A DIA foi pioneira no lançamento de um conjunto alargado de soluções de marca própria em várias categorias e temos um longo histórico nesta matéria. Neste momento, estamos numa fase de transformação de toda a nossa oferta neste domínio, que garantam a maior qualidade possível, numa proposta de valor altamente atractiva para o consumidor. É um projecto transversal que inclui toda uma nova abordagem em termos de design, packaging e posicionamento que estamos convictos que contribuirá para uma nova dinâmica comercial das nossas marcas próprias.

M&P: A pandemia levou, de alguma forma, à reorganização das lojas?
HG: A DIA Portugal iniciou em 2019 um plano de transformação do seu modelo de negócio que inclui um redimensionamento do seu parque de lojas. No caso concreto de Portugal, esse plano contemplou o encerramento de lojas deficitárias e a aposta em lojas com maior rentabilidade, com reflexos em todo o ano de 2020. A 31 de Dezembro de 2019, tínhamos uma rede de 576 lojas em Portugal e, actualmente, temos um parque de 567 lojas. Este esforço de redimensionamento tem permitido uma concentração de recursos nas lojas mais rentáveis que incluiu reformas em 125 lojas no primeiro semestre deste ano para favorecer o arranque do nosso plano de otimização de sortido. Em suma, durante o ano de 2020, e de acordo com o plano traçado em 2019, as prioridades de transformação do negócio incluíram o redimensionamento do nosso parque de lojas para potenciar o desenvolvimento de uma nova proposta de valor comercial da DIA, com reforço da oferta de marca própria e da venda online, juntamente com a contínua eficiência operativa.

M&P: Que balanço faz da aposta do Minipreço nas vendas online?
HG: Neste momento, o nosso comércio online já abarca toda a região da Grande Lisboa e do Grande Porto e temos serviços de entregas rápidas disponíveis em 78 lojas através de alianças estratégicas em diferentes regiões. Sentimos que os nossos clientes estão a responder à nossa atractiva oferta de proximidade e às nossas capacidades de venda online e os números positivos das vendas comparáveis constituem um bom indicador desse progresso. A nossa operação online está a ser alvo de contantes ajustes relacionados com o crescimento que temos tido nesta área, muito acima do que projectámos inicialmente. Estamos em constante crescimento nas geografias que servimos que, actualmente, já cobrem Lisboa, Cascais, Amadora, Porto, estando previstas, para breve, a abertura de mais lojas com a possibilidade de entregas domiciliárias e cobertas pela nossa plataforma minipreco.pt. Além disso, continuamos a reforçar as nossas parcerias de entregas domiciliárias, contemplando outras parcerias que se somarão às já existentes com a Glovo, Dott e 360hyper.

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