A campanha da pandemia

Por a 18 de Janeiro de 2021

Luis Paulo RodriguesA pandemia tem desafiado a resiliência de todos e os candidatos presidenciais, que deveriam estar preparados para comunicar com eficácia em condições diferentes, falharam. Fazem campanha como se estivéssemos sem a pandemia, confiando nas entrevistas e nas notícias dos meios de comunicação. Enquanto o governo recomenda às empresas que ponham os seus colaboradores em teletrabalho, os candidatos presidenciais aparecem com propostas de campanha ultrapassadas, não investindo numa produção de conteúdos nos meios digitais bem planificada, integrando texto, som e imagem de forma atraente e inovadora.

Balanceado pelo trabalho como líder do Chega, André Ventura é o campeão da comunicação digital, contando com a adesão militante dos seus fiéis na disseminação. Só no Facebook tem três espaços: um perfil seguido por mais de 110 mil pessoas e duas páginas, uma com 129 mil seguidores e outra, a oficial para a campanha, com mais de 7 mil). Mesmo assim, limita-se a difundir as suas ideias, a partilhar notícias que lhe são favoráveis e pouco mais. Os restantes candidatos, e tendo como exemplo o Facebook, apresentam números muito modestos. Faltam vídeos, transmissões em directo, entrevistas, depoimentos de apoiantes em vídeo, no fundo falta utilizar as redes
sociais como meio de substituição dos contactos de rua. Falta um trabalho planificado e com tempo. Uma candidatura presidencial não se constrói em apenas três meses. Assim, Marcelo não precisa de campanha: tem muitos anos de rádio e televisão e é Presidente, podendo prescindir de site, comícios, outdoors ou redes sociais.

As candidaturas deveriam ter em conta a importância da televisão e da rádio. A impossibilidade de comícios, arruadas e outras concentrações de pessoas deveria ter instigado as direcções de campanha a tratarem com imaginação, inovação e profissionalismo os tempos de antena disponíveis na televisão e na rádio. Infelizmente, os tempos de antena continuam a ser desprezados. Não se compreende.

Análise de Luís Paulo Rodrigues, CEO da LPR Comunicação, à comunicação das Presidenciais 2021, publicada na mais recente edição do M&P

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