O aterrador, o afogado, as chatas, o Zé Povinho, a surpresa e… o mestre

Por a 21 de Janeiro de 2021
Salvador da Cunha, CEO da Lift Consulting

Salvador da Cunha, CEO da Lift Consulting

No meio de um calendário aborrecido, onde o resultado do jogo está ditado à partida e Marcelo lá seguirá para segundo mandato sem história, estas eleições tinham tudo para serem apenas chatas comparadas com a novela americana. Mas não. Apesar de tudo, estão a ser divertidas: sem campanhas de rua, as televisões, com entrevistas e debates, estão a ser os principais meios de comunicação. Todas com orçamentos miseráveis (só nas eleições para o senado na Geórgia, foram gastos mais de mil milhões de dólares no último mês) que em conjunto não chegam a um milhão de euros.

O aterrador André Ventura entrou como um touro na arena com o mal preparado João Ferreira e marcou o tom. O outro parecia um náufrago, mal consegui meter a cabeça de fora. Sem argumentos, foi encostado às cordas do marxismo-leninismo, das ditaduras de Kim Jong-un ou de Nicolás Maduro. E não entendeu que estava a fazer campanha por André Ventura quando repetia os argumentos sobre racismo, de que o outro se orgulha.

Marisa Matias e Ana Gomes são apenas chatas. Aborrecidas. Sem nada para dizer a não ser mal dos outros e bem de uma esquerda monótona. O Tino é o maior. Gosto daquele personagem, que se está a sofisticar e de quem é impossível não sentir simpatia. Depois vem a surpresa: totalmente desconhecido, o tímido, sem voz e sem discurso Tiago Mayan, lá foi melhorando a sua performance e foi o primeiro a dar uma surra em Ventura. E depois o mestre. Marciavélico, ganhou todos os debates. Bem preparado, deixou bem explícito que a sua direita não é mesma de Ventura. É social e humanista… Deixou bem claro ser o único preparado e com dimensão institucional para ser Presidente da República. Mas não ficou à sombra do primeiro mandato. Estudou os adversários e aplicou uma boa estocada em cada um deles.

Análise de Salvador da Cunha, CEO da Lift Consulting, à comunicação das Presidenciais 2021, publicada na mais recente edição do M&P

Deixe aqui o seu comentário