“A Opto será um complemento de luxo às plataformas internacionais”

Por a 23 de Novembro de 2020
Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa
Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa

Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa

“A Opto será um complemento de luxo às plataformas internacionais. Com um preço mais baixo, mas com uma experiência de utilização e de navegação ao mesmo nível daquelas, estamos convictos de que será um sucesso, porque teremos milhares de horas de portugalidade de alta qualidade que falta aos outros”. A convicção é de Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa, que em entrevista ao M&P explica a nova aposta do grupo. O lançamento é no dia 24.

 

Meios & Publicidade (M&P): Em Portugal já temos acesso a vários serviços de streaming. Porquê subscrever a Opto SIC? Qual é o potencial da plataforma?

Francisco Pedro Balsemão (FPB): Os diversos serviços de streaming em Portugal têm em comum o facto de serem internacionais e, até certo ponto, indiferenciados. Haverá certamente produtos com qualidade em todos, mas o consumidor terá alguma dificuldade em saber se a série X está na plataforma A ou na B. Ou seja, como há muitos produtos dispersos por várias plataformas internacionais caras, o consumidor dificilmente terá o incentivo ou a capacidade financeira para subscrever todas, ou mesmo mais do que uma. A Opto prima pela diferença porque é única, é a primeira plataforma com conteúdos de qualidade falados em português e produzidos em Portugal. Não há como enganar. A Opto será um complemento de luxo às plataformas internacionais. Com um preço mais baixo, mas com uma experiência de utilização e de navegação ao mesmo nível daquelas, estamos convictos de que será um sucesso, porque teremos milhares de horas de portugalidade de alta qualidade que falta aos outros.

Temos também a vantagem de já contarmos com muito talento que será canalizado para este projecto, como jornalistas, pivots, actores, apresentadores, guionistas, produtores, etc. E ainda a vantagem de podermos usar a SIC generalista, líder de audiências, como montra para o que se poderá ver na Opto, estando planeados vários momentos de cross-promotion. Por exemplo, uma das funcionalidades em que vamos apostar, e que será um dos pilares do êxito da plataforma, será a possibilidade de se poder ver, na Opto, o episódio das novelas que estarão no ar na SIC com 24 horas de antecedência. Com isto, contamos que o nosso público da generalista e fã do género novelas venha a ter curiosidade de explorar outros formatos presentes na plataforma. O mesmo se aplica aos noticiários curtos, de 10, 15 ou 20 minutos, apresentados pelos habituais pivots da SIC, que estarão exclusivamente disponíveis na Opto.

 

M&P: Vão arrancar com uma versão base e uma premium. Como é que pretendem alimentar/enriquecer cada uma delas a curto/ médio prazo?

FPB: A gestão do portfólio far-se-á de forma dinâmica, com uma equipa alocada a fazer diária e semanalmente as alterações necessárias com base nas preferências dos utilizadores, aferidas através da recolha e processamento de dados. Trabalharemos também com um sistema de data analytics próprio para serviços de streaming, que alimentará o modelo de recomendações típico destas plataformas, e contamos com uma equipa de data scientists, gestores de produto e engagement managers para melhorar constantemente o produto e a customer experience.

 

 

M&P: As fontes de receita serão só a subscrição? Haverá publicidade em ambas as versões?

FPB: O primeiro ano da versão premium da Opto custará€29,99 euros, se se fizer a subscrição até à data de lançamento da plataforma, a 24 de Novembro. Quem subscrever a partir dessa data pagará o valor de 39,99 euros por ano. Quem preferir a versão mensal poderá subscrever o serviço por 3,99 euros/mês. No estrangeiro, apenas existe a versão com subscrição anual, com um valor de€69,99 euros/ano, já que acrescentamos, no bundle, a SIC Notícias. Na versão premium da Opto não serão inseridos pre-rolls nem mid-rolls, ao contrário do que acontece na versão gratuita da plataforma. Poderá, em qualquer caso, haver publicidade na versão premium, embora em formato não intrusivo, além de branded content.

 

M&P: A distribuição é um facto crítico nas OTT. Como é que se vai processar? Vão estar presentes também nos operadores de televisão?

FPB: A reacção do mercado à Opto tem sido muito positiva, tanto de anunciantes e agências como dos distribuidores, que vêem a plataforma como uma oportunidade para acrescentar valor ao seu portfólio, que complementará o leque de canais temáticos da SIC de que dispõem. Estamos em conversas com estes nossos parceiros e esperamos que em breve possamos anunciar a integração da Opto nos principais serviços de distribuição nacionais e internacionais.

 

M&P: A Opto no exterior terá um custo anual de 69,99 euros. O objectivo é conquistar o mercado da saudade? Qual é o potencial da plataforma no exterior? A TVI Player Internacional diz ter conquistado em cerca de seis meses 15 mil subscritores…

FPB: A OPTO não será uma SIC Memória nem pretendemos atingir o mercado da saudade no estrangeiro. É claro que vamos ter best sellers na plataforma, como Gato Fedorento, Médico de Família ou Floribella, porque sabemos que, à semelhança do que aconteceu com títulos em serviços de streaming internacionais (como Friends ou The Office), é muito importante termos conteúdos com a curadoria SIC que continuam a ter uma ressonância forte junto dos nossos púbicos. Mas a Opto será sobretudo inovadora, um espaço para se dar asas à criatividade e a novas estéticas e técnicas narrativas, sem medo de diversificar e arriscar, e daí apostarmos inicialmente na produção de conteúdos originais em géneros tão distintos como o drama histórico (A Generala), o humor na vertente sátira social (Esperança), uma série arrojada (O Clube), sketches (de Ricardo Araújo Pereira), documentários (de Bruno Nogueira e Ljubomir Stanisic) e Grandes Reportagens (Mercado Negro, de Sofia Pinto Coelho). É apenas o começo, já que estes programas serão previsivelmente todos lançados até ao final do ano. Acreditamos que com esta qualidade, diversidade e diferenciação, apelaremos tanto ao público nacional como aos portugueses espalhados pelo mundo. E, porque não, tendo em conta o sucesso da nossa ficção além-fronteiras, a audiências estrangeiras, já que muitos dos nossos conteúdos serão legendados?

 

M&P: A plataforma representa um investimento de que ordem?

FPB: O investimento em conteúdos, tecnologia e talento foi o adequado para a ambição que temos para este projecto, tendo sido também suportado nas sinergias internas que podíamos potenciar.

 

M&P: Quantos subscritores esperam no primeiro ano?

FPB: Os nossos objectivos estão traçados, são ambiciosos, mas são um tema do foro interno da empresa. Acima de tudo, temos como meta criar, a médio prazo, um novo paradigma na criação, distribuição e monetização no ecossistema audiovisual em Portugal.

 

M&P: Lançaram em Outubro uma primeira campanha de subscrição, com um valor promocional de 29,99 euros/ano. Qual a adesão?

FPB: A taxa de adesão está dentro do plano traçado.

 

M&P: Com o lançamento de uma OTT própria fica excluída a hipótese de virem a produzir para plataformas internacionais?

FPB: A SIC tem uma história de parcerias internacionais, quer pelo facto de ser a estação em Portugal que mais canais emite para o estrangeiro, quer por ter sido o primeiro operador em Portugal a distribuir para plataformas de streaming estrangeiras. Ao lançarmos a Opto, a nossa estratégia passa, nesta fase, por sermos concorrentes, no sentido em que competiremos, através da proposta de valor que apresentaremos, pela atenção dos consumidores de conteúdos audiovisuais, complementando a oferta internacional que existe com a portugalidade com qualidade da nossa plataforma. Não descartamos trabalhar com outras plataformas, mais à frente, caso isso nos seja benéfico e se enquadre na nossa estratégia.

* A entrevista faz parte da última edição do M&P. 

Deixe aqui o seu comentário