“Não aceitamos nem pressões, nem ameaças” responde a nova administração da MC

Por a 24 de Novembro de 2020

administração media CapitalA deliberação da ERC “pode pôr em causa a sobrevivência da TVI, de cinco rádios, entre elas a Rádio Comercial, líder de audiências, a maior produtora de ficção nacional e a Media Capital Digital, também líder no seu segmento de mercado. A deliberação pode põe em causa mais de mil e cem postos de trabalho, com impactos diretos e indiretos em milhares de famílias portuguesas, num contexto socioeconómico particularmente difícil.  E que ninguém se iluda, não haverá plano B”.

A afirmação faz parte do comunicado lido por  Mário Ferreira, desde hoje presidente do conselho de administração da Media Capital, no inicio da conferência de imprensa marcada na sequência da deliberação de ontem da ERC, que punha em causa a validade das decisões tomadas na assembleia-geral marcada para hoje.

A assembleia geral acabou mesmo por se realizar, os novos órgão de gestão foram eleitos e, ao final da tarde, os nove administradores eleitos “deram a cara” pela posição que defendem, considerando que a ERC “não pode ficar sem resposta”.

E, na resposta, a grande visada foi a ERC mas também a Cofina, em especial o CM, Sábado, “Jornal de Negócios menos, e “as revistas coloridas”.

Frisando que a postura é de “colaboração”, e sem avançar pormenores sobre o lançamento ou não da OPA obrigatória determinada pela CMVM, Mário Ferreira diz que a decisão da ERC “merece o nosso mais veemente repúdio e crítica” e que “pode ameaçar a viabilidade do projeto da Media Capital”.

“Tentar inviabilizar os novos accionistas e os novos órgãos sociais de assumirem os seus papéis neste projeto, que viemos salvar, colocaria em causa a existência deste grupo de comunicação com tão forte ligação ao país e que chega diariamente a milhões de portugueses”, diz, lembrando que “a Cofina deixou cair o aumento de capital, deixou cair a OPA, disse que não estava interessada em comprar, abandonou o negócio e passadas umas semanas já estava outra vez interessada”. Entretanto, a Pluris já tinha formalizado o interesse em avançar, “contactamos a ERC e o que posso garantir é que não tivemos as mesmas regalias e direitos”. “Nunca fomos recebidos, o presidente da ERC nunca nos quis receber, sempre os informamos de tudo”, prossegue.

Assim, “estamos aqui a dar a cara por um projeto que aspira a repor na liderança do audiovisual em Portugal; uma empresa, uma televisão, um grupo empresarial de propriedade e capitais maioritariamente nacionais, que assegure o pluralismo e independência. Não nos escondemos atrás de ninguém, não procuramos capturar ou condicionar instituições nem dispomos de jornais especializados em campanhas e ameaças”, prossegue, garantindo que “faremos valer os nossos direitos. Não aceitamos nem pressões, nem ameaças, nem condicionamentos aos nossos direitos e liberdades como portugueses, como empresários e como investidores”.

“É inaceitável que haja pressões e condicionamento sobre os trabalhos da nossa Assembleia Geral de acionistas, como aliás foi expressamente declarado e reconhecido por um membro da própria ERC na deliberação tomada”, prossegue, referindo-se à abstenção de Mário Mesquita.

“Acresce que esta deliberação traz sérios prejuízos à empresa, desvaloriza as suas acções e acarreta graves consequências aos seus accionistas, que não deixarão de exigir as devidas responsabilidades”, prossegue.

“Estamos obrigados a trabalhar com a ERC, enquanto regulador sectorial, mas queremos fazê-lo numa base frontal, directa, em diálogo franco, com boa-fé, livres de pressões, de decisões esdrúxulas e infundadas que causam efectivos prejuízos à empresa, à independência e ao pluralismo dos meios de comunicação”, diz, reiterando a “intenção de recorrer a todos os meios legais ao seu alcance para fazer valer os seus direitos e exigir as devidas compensações pelos reais prejuízos já causados ao Grupo”, salienta.

“Os danos de imagem já foram feitos, com algumas parangonas em jornais tendenciosos e que foram além dos que diz a ERC”, Mário Ferreira diz que “passou pouco tempo”, mas “se forem quantificados danos reais teremos que ser ressarcidos”.

O empresário afirmou ainda que “fomos informados de que diversos accionistas que têm sido alvo de ameaças e prolongadas campanhas difamatórias usarão os devidos mecanismos legais em defesa do seu bom nome e proteção dos seus direitos”, falando das “mais de 250 notícias” difamatórias que publicadas sobre si e alguns dos novos accionistas, ideia que foi secundada por Cristina Ferreira, presente na qualidade de administradora, com exemplos concretos.

Sobre a realização da assembleia-geral de accionistas, contra o parecer da ERC, Paula Ferreira frisou que não se tratou de uma proibição. “A decisão adverte todo um grupo de que não devem tomar medidas que contrariem o espirito da lei. Não sabemos qual é, foi pedida aclaração e temos um batalhão na equipa jurídica. Mas foi uma recomendação, não houve proibição”.

Apesar da “perplexidade” de ontem com o parecer da ERC, Miguel Osório, também accionista e administrador, colocou o foco na necessidade de agora “trabalhar, proteger os postos de trabalho, ganhar o jogo da liderança e deixar as preocupações com os jogos de bastidores”.

E agora, quais as expectativas? “Muito positivas. O futuro é risonho”, diz Mário Ferreira, também numa alusão às audiências e aos número do grupo. “Estamos aqui para trabalhar para os próximos 3 anos e para os próximos 30 anos”, termina Paulo Gaspar, vice-presidente do conselho de administração.

 

 

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