Mário Ferreira obrigado a lançar OPA sobre a Media Capital (em act.)

Por a 18 de Novembro de 2020

Mário Ferreira 5Mário Ferreira tem cinco dias para lançar uma OPA sobre as acções não detidas pela Pluris na Media Capital.  Em causa está agora perto de 70% do grupo, A decisão da CMVM considera que “a Pluris e a Vertix exerceram, de forma concertada (e até à alienação pela Vertix da totalidade da sua participação), influência dominante sobre a Media Capital, no contexto e em execução dos acordos entre si celebrados”, afirma o supervisor no comunicado divulgado esta quarta-feira ao final da tarde.

A decisão é agora definitiva. “Demonstrado o exercício concertado de influência dominante sobre a Media Capital, entre a Prisa e a Pluris, até à alienação integral da participação da Prisa em 3 de novembro de 2020”, a CMVM decide “determinar, nos termos do art. 187.º, n.º 1, do Código dos Valores Mobiliários (de ora em diante, Código), a divulgação de anúncio preliminar de oferta pública de aquisição obrigatória da Pluris sobre todas as ações da Media Capital por si não detidas, no prazo de 5 dias úteis”.

“Analisados os documentos remetidos pela Pluris e as diversas diligências probatórias desenvolvidas, a CMVM concluiu pela afirmação da existência de um exercício concertado de influência, relevante para efeitos do art. 20.º, n.º 1, al. h) do Código, entre a Pluris e a Prisa, assente num conjunto de acordos celebrados entre as partes, tendo por objeto, entre outros, a vinculação recíproca das partes no que se refere ao financiamento da Media Capital, à reformulação do seu plano de negócios, à recomposição do seu órgão de administração e à transmissibilidade das ações da Media Capital”, escreve a CMVM.

“A implementação de tais acordos moldou, reestruturou e redefiniu muito significativamente a sociedade Media Capital, revelando a existência de uma política interventiva comum na condução dos negócios da sociedade, com reflexos na recomposição do seu órgão de administração, na redefinição do seu plano estratégico e na tomada de decisões relevantes, em particular no que respeita à política de recursos humanos e de financiamento”, prossegue a CMVM.

“Em sequência, a influência dominante sobre a Media Capital, até então exclusivamente imputável à Prisa (devidamente legitimada na sequência de oferta pública de aquisição obrigatória laçada em 2007), passou a ser conjuntamente imputável à Prisa e à Pluris”, afirma o supervisor.

A decisão hoje conhecida determina que “a oferta que a Pluris deverá anunciar, destinada a permitir que os restantes acionistas, querendo, possam alienar a sua participação perante a alteração de controlo verificada, deverá incidir sobre todas as ações da Media Capital não detidas pela Pluris (ou seja, 69,78%)”.

O anúncio preliminar da oferta deverá ser divulgado pela Pluris “o mais rapidamente possível e, em qualquer caso, no prazo de 5 dias úteis, ou seja, até 25 de novembro de 2020″.

Esta decisão lembra que ” à presente data, encontra-se em curso uma outra oferta pública de aquisição sobre a Media Capital, anunciada pela Cofina, SGPS, S.A.”, pelo que a contrapartida mínima a oferecer no contexto da oferta pública de aquisição que a CMVM notificou a Pluris deve “ser superior em pelo menos 2% à contrapartida aplicável à oferta preliminarmente anunciada pela Cofina” e ser “pelo menos igual ao maior preço pago, ou acordado pagar pela Pluris por ações da Media Capital”

“Em qualquer dos casos, a definição final da contrapartida encontra-se dependente do resultado da avaliação de auditor independente, pelo que a presente informação apenas pode ser concretizada por referência ao valor que por este venha a ser definido”, conclui.

Na última semana, recorde-se, foram conhecidos os nomes propostos pelos novos accionistas para o conselho de administração da Media Capital. A assembleia geral está marcada para o próximo dia 24.

 

Deixe aqui o seu comentário