APCT: Circulação paga impactada pela pandemia apesar de reacções díspares entre os generalistas

Por a 30 de Novembro de 2020

JornaisO impacto na pandemia na circulação paga dos títulos de informação geral é evidente nos números do mais recente relatório da APCT. Correio da Manhã, Jornal de Notícias e Público, os três diários generalistas auditados pela APCT, venderam em média, e no seu conjunto, menos 30.076 exemplares por edição entre os meses de Janeiro e Setembro, uma queda na ordem dos 22,9%, que compara com quebras a rondar os 7% a 8% registadas nos últimos dois anos. Apesar de reacções distintas, na grande maioria dos títulos a tendência de quebra na circulação impressa paga foi agravada pelo contexto pandémico, que acabou por reforçar igualmente o crescimento da circulação digital paga na generalidade dos títulos.

A excepção surge entre os semanários. Embora nenhum dos títulos generalistas publicados em Portugal – diários, semanários ou newsmagazines – tenha sido capaz de contrariar a tendência descendente, o Expresso acabou por revelar uma reacção distinta à chegada da pandemia ao ver a sua circulação impressa paga crescer entre os meses de Março e Setembro em comparação com os números que apresentava nos primeiros dois meses do ano. Após ter vendido, em média, 56.648 e 53.577 exemplares por edição nos meses de Janeiro e Fevereiro, respectivamente, o semanário da Impresa regista em Março uma circulação impressa paga de 54.330 exemplares, subindo em Abril, primeiro mês completo de Estado de Emergência, para os 56.565 exemplares e chegando, em Julho, aos 63.270 exemplares vendidos, em média, por edição. Uma reacção que explica o facto de o semanário da Impresa registar uma diminuição da sua circulação impressa paga face a 2019 muito abaixo da quebra do mercado, ao perder apenas 1,9% nestes primeiros nove meses de 2020 em comparação com o período homólogo em 2019.

Já o Diário de Notícias, apesar de ter tido em Março e Abril dois dos três meses com maior volume de vendas em banca este ano, regista entre Janeiro e Setembro uma média de 3.466 exemplares vendidos por edição, o que traduz uma quebra na ordem dos 38% relativamente à circulação impressa paga obtida em igual período do último ano pelo título do Global Media Group que se prepara para regressar ao formato diário a partir do próximo dia 29 de Dezembro.

Apesar de um forte impacto provocado pela pandemia, com uma média de 59.193 exemplares vendidos por edição no último ano, o Correio da Manhã mantém o estatuto de jornal com maior circulação impressa paga no mercado português. Os números, no entanto, não escondem as dificuldades sentidas pelo título mais vendido em Portugal em contexto pandémico já que representam uma quebra de 20,3% face ao período homólogo em 2019, correspondente a menos 15.035 exemplares vendidos por edição. Entre Janeiro e Setembro do último ano, o título detido pela Cofina Media apresentava uma média de circulação impressa paga de 74.228 exemplares.

No mesmo sentido, o Jornal de Notícias desce de uma média de 39.706 exemplares vendidos por edição em 2019 para uma média de circulação impressa paga de 28.665 exemplares, uma quebra de 27,8% que coloca o título do Global Media Group pela primeira vez abaixo da fasquia dos 30 mil exemplares vendidos por edição. Também o Público regista quebras na ordem dos 22,9%, descendo de circulação impressa paga de 17.422 exemplares nos primeiros nove meses de 2019 para os 13.431 entre Janeiro e Setembro deste ano.

Entre as newsmagazines as quebras rondam os 15%. A Sábado segura a liderança do segmento, vendendo uma média de 32.867 exemplares por edição nos primeiros nove meses do ano, que comparam com 38.279 exemplares vendidos em igual período de 2019 (-14,1%). A Visão regista uma média de circulação impressa paga nos 30.949 exemplares, que comparam com 36.779 exemplares no período homólogo.

Analisando isoladamente as vendas em banca, a generalidade dos títulos regista igualmente uma perda de expressão com quebras no Jornal de Notícias (-25%), Diário de Notícias (-24%), Correio da Manhã (-21%), Visão (-19%), Público (-17%), Sábado (-10%) e Expresso (-1%).

Digital cresce mas só em alguns casos compensa as quebras no papel

O contexto pandémico terá, em sentido contrário, beneficiado a circulação digital paga da generalidade dos títulos, com vários a registar crescimentos de dois e até três dígitos. O Expresso reforça o estatuto de líder no digital ao ver a sua circulação digital paga disparar para os 40.953 entre Janeiro e Setembro deste ano face aos 26.790 em igual período de 2019, um crescimento de 52,9%. O semanário da Impresa registava uma circulação digital paga de 33.842 em Fevereiro, último mês antes da chegada da pandemia. Em Setembro, último mês com dados da APCT, situava-se nos 44.326.

O Público, que mantém também a segunda posição no digital, viu a sua circulação digital paga subir dos 23.956 registados em Fevereiro para os 35.106 em Setembro. Na comparação do período de Janeiro a Setembro de 2019 com o período homólogo em 2020, o diário da Sonaecom duplicou a circulação digital paga, passando dos 14.614 para os 30.079, um incremento de 105,8%.

Seguem-se o Jornal de Notícias, com 7.871 (+53,1%), o Diário de Notícias, com 3.978 (+148,6%) e o Correio da Manhã, único jornal a ver recuar a circulação digital paga, nos 1.527 (-3%). Entre as newsmagazines, a Sábado, também detida pela Cofina, regista uma quebra de 32%, para os 1.307, perdendo assim a liderança do segmento no digital já que a Visão mais do que duplicou a sua circulação digital paga: 2.521 entre Janeiro e Setembro (+120,8%).

Contudo, o crescimento generalizado da circulação digital paga só em alguns casos se revelou capaz de compensar as quebras registadas na circulação impressa. Público, Expresso e Diário de Notícias são os únicos títulos de informação geral a registar saldo positivo, com crescimentos também na circulação total paga. O Expresso, que lidera na soma da circulação impressa paga e da circulação digital paga, com 97.223, regista assim um crescimento de 15,5% na circulação total paga registada entre Janeiro e Setembro deste ano face aos números alcançados no período homólogo em 2019. O Público regista o balanço mais positivo, passando de uma circulação total paga de 32.036 para os 43.510, um crescimento na ordem dos 35,8%. Já o Diário de Notícias, que passa dos 7.202 para os 7.444, regista um saldo positivo de +3,4%. Com saldo negativo ficam o Correio da Manhã, com 60.720 (-19,9%) e o Jornal de Notícias, com 36.536 (-18,5%).

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