Setembro é já… hoje!

Por a 18 de Setembro de 2020
Ricardo Tomé, director coordenador da Media Capital Digital

Ricardo Tomé, director coordenador da Media Capital Digital

A TVI arrancou neste mês de Setembro com novidades na sua programação. Novos conteúdos, novos rostos, rostos que regressam, surpresas aos fins de semana e… bom, outras surpresas que não convém aqui estragar. Tudo isto parece apenas próprio de uma empresa de media. Mas porque não ver a sua empresa também como uma empresa de media? Pode ser assim tão distante?

Tenho defendido nos últimos anos em variados grupos de formação, debate, reflexão, conversa e partilha de conhecimento entre colegas, pares e gente com quem também muito aprendo e partilho que esta década será sem dúvida marcada (já é) pela publicidade programática, inteligência artificial e o eContent. Sobre este último, cada negócio não deixará de encetar avidamente, e bem, nas suas campanhas de performance e notoriedade – mas caberá como próximo passo desenvolver em paralelo uma estratégia de conteúdos à boa maneira de uma empresa de media.

Poderíamos elaborar aqui em metodologias como a RACE (conteúdos orientados às fases de Reach, Act, Convert e Engage) ou ainda no modelo Hub & Spoke, ou ainda em mais uns quantos inglesismos e modelos para nos dar alguma ajuda – mas, no essencial, não há assim uma tão grande distância entre desenvolver uma grelha de programação de TV com uma grelha de programação omnicanal para um negócio.

Alinhamento com a cultura e os valores da marca
Nenhum negócio deve (aliás, não pode – ponto) desviar-se do seu ‘brand purpose’. Ser fiel a si mesmo é o primeiro passo a alinhar interna e externamente nos que vão conceber a estratégia e nos que vão desenvolver e produzir os conteúdos regularmente.

Objectivos. Audiência, pois claro! Ora essa
Não é o que queremos todos? Nos generalistas o país por inteiro. No cabo alguns targets em específico. E no final conseguir fidelizar esse nosso público fã, ou curioso, ou que agora despertou aos nossos produtos e serviços, para que nos considere mais e passe a palavra do excelente trabalho que desenvolvemos e dos bons produtos que nos esforçamos por fazer.

Estratégia de programação
Nos media a nossa audiência está dispersa ao longo do dia de formas diferentes na TV. Algumas faixas etárias mais na manhã. Outras mais no late-night. Algumas classes sociais mais num canal cabo e outras mais no OTT. Da mesma forma para uma marca B2C ou B2B também terá, muitas vezes, os decisores mais presentes no Linkedin, os prescritores mais no website, os fãs e consumidores no Instagram ou Facebook ou na TV, ou Rádio (porque não na TVI ou Rádio Comercial, pois claro!, que este vosso autor, aqui confesso, já o perceberam, trabalha nesta casa). Assim, pois, da mesma forma caberá ao responsável de conteúdos da marca estruturar quais deverão ser produzidos para engagement, promoção de produto ou conversão em vendas em cada canal, de acordo com os targets nele presentes, adaptando-os.

E os influenciadores?
Comecemos por dentro. Pois que o CEO, directores e os colaboradores serão os rostos mais influentes. Tem pensado neles como as suas estrelas da estação? Siga apenas depois para a adicção de nomes ‘de fora’, mas não deixe de lado quem de dentro dará voz e forma a muitos dos seus programas. Isso mesmo. Sem medo de o afirmar. Programas.
Pensar numa estratégia de conteúdos numa marca não precisa de orçamentos de Hollywood. O paralelismo que aqui provoco é uma forma de estímulo à reflexão. Com estratégia e planeamento, os resultados no médio e longo prazo são sólidos (nalguns casos até no curto prazo, pela forte poupança de custos no rasgar de muito desperdício..!).

Setembro não é amanhã para nós na TVI; já arrancou e já só queremos que passe rápido para poder mostrar todas as surpresas que aí vêm. E Setembro metaforicamente falando, pois claro, pode também ser hoje para qualquer negócio. Mas para isso retire a ideia das campanhas e pense mais além, reflicta em como cada canal tem um papel na relação com os seus clientes e como, todos os dias, essa relação precisa ser ‘conectada’ através de conteúdo – clipes, fotos, lives, tiktoks, stories, artigos…. Mas neste erro de ver avulsamente a chusma de conteúdos amontoada como sendo um todo coerente, pare para pensar, analisar e estruturar se, de facto, a sua “grelha de programação” não deve ter direito a uma merecida rentrée.

Artigo de opinião assinado por Ricardo Tomé, director coordenador da Media Capital Digital

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