Cofina encerra primeiro semestre no vermelho com prejuízo de 1,3 milhões

Por a 11 de Setembro de 2020
Octávio Ribeiro, Luís Santana e Paulo Fernandes (Cofina)

Octávio Ribeiro, Luís Santana e Paulo Fernandes (Cofina)

A Cofina fechou as contas do primeiro semestre deste ano com prejuízos de aproximadamente 1,3 milhões de euros. A quebra de 141,6% relativamente aos lucros de três milhões de euros alcançados no semestre homólogo de 2019 justifica-se, segundo o grupo liderado por Paulo Fernandes, pela “pandemia covid-19 e pelos custos não recorrentes da operação de aquisição da Media Capital”. “Os resultados do primeiro semestre de 2020 ficaram marcados pela pandemia covid-19, a qual teve um impacto relevante nas receitas dos grupos de media, tendo-se assistido a quedas significativas em todas as rubricas que constituem as receitas”, explica o grupo em comunicado enviado à CMVM, apontando sobretudo “a forte contracção dos investimentos publicitários” e “receitas de circulação afectadas pela implementação das medidas de confinamento entre Março e Maio, o que se traduziu no encerramento de muitos dos pontos de venda ao público das publicações e, consequentemente, nas receitas associadas a marketing”.

A quebra nas receitas totais do grupo que detém, entre outros títulos, o Correio da Manhã, Jornal de Negócios, Record ou o canal CMTV, situou-se nos 20,3% nestes primeiros seis meses de 2020, fixando-se nos 34 milhões de euros, o que se traduz num encaixe financeiro reduzido em cerca de 8,7 milhões de euros face às receitas operacionais na ordem dos 42,7 milhões de euros obtidas em igual período de 2019.

O recuo das receitas fez-se sentir em toda a linha mas foram as receitas publicitárias que mais se ressentiram em termos percentuais, descendo dos 12,8 milhões de euros para os 9,2 milhões, uma quebra de 28,8%. Seguiram-se as receitas de circulação, a descer dos 20,9 milhões de euros para os 16,6 milhões (-20,7%), a maior quebra em valor absoluto, e as receitas de produtos de marketing alternativo e outros, de 8,9 milhões para 8,3 milhões de euros (-7,1%). Analisando os resultados por área de negócio, o relatório mostra que o segmento de imprensa foi o mais castigado, com uma quebra de 23,9% nas receitas, de 35,5 milhões de euros para 27,1 milhões, enquanto o segmento de televisão resistiu melhor, recuando 2,3% para receitas próximas dos 7 milhões de euros.

Do lado dos custos operacionais, o grupo tem levado a cabo uma série de medidas de redução, tendo encerrado os primeiros seis meses de 2020 com menos 5,1 milhões de euros de custos, o que corresponde a um corte de 14,7% para os 29,8 milhões de euros. “Nos últimos anos, a Cofina tem vindo a implementar um plano que visa preparar o grupo para a realidade futura, garantindo a sua sustentação e níveis de rentabilidade adequados. De forma a gerir os impactos da pandemia, o grupo reforçou as medidas de contenção de custos, das quais se destacam, a revisão das tiragens dos produtos (ou seja, número de exemplares impressos), a redução do número de páginas, a redução dos custos editoriais, a redução de acções de marketing, a cessação temporária da distribuição do jornal Destak (gratuito) e a implementação de medidas de contenção de outros custos (que não relacionados com a protecção dos nossos colaboradores)”, informa o grupo em comunicado, argumentando que “estas acções se vão consubstanciar numa redução de custos e auxiliar no processo de controlo dos impactos na actividade decorrentes da pandemia”.

O cenário económico actual e o impacto consequente nas receitas do grupo estão assim na origem de um recuo na performance financeira do grupo, com a Cofina e fechar as contas do primeiro semestre com um EBITDA de 4,2 milhões de euros, valor que representa um decréscimo de 45,5% comparativamente ao EBITDA de 7,7 milhões de euros reportado no semestre homólogo em 2019. Números que se agravam caso sejam considerados igualmente os custos não recorrentes, que o grupo atribui na sua maioria “a custos de transacção da operação de aquisição do capital social da Media Capital”, a que corresponderão cerca de 1,6 milhões de euros, o que empurraria o EBITDA para os 2,6 milhões de euros neste período, traduzindo-se numa quebra de 66,8%. Na análise por áreas de negócio, o EBITDA do segmento de televisão regista uma melhoria de 7,7%, subindo de 1,6 milhões de euros para perto de 1,8 milhões. Já no segmento de imprensa, o EBITDA caiu 59,8%, passando dos 6,1 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2019 para os 2,4 milhões de euros neste primeiro semestre de 2020.

Encerradas as contas deste primeiro semestre, a dívida nominal líquida da Cofina situa-se nos 44,1 milhões de euros, valor que representa uma diminuição de 800 mil euros relativamente à dívida de 44,9 milhões de euros comunicada à CMVM no encerramento do exercício de 2019.

Antecipando perspectivas relativamente ao segundo semestre, a Cofina reconhece que “o contexto actual continua marcado por um elevado nível de incerteza”. “Relativamente às receitas, tem-se vindo a assistir a uma recuperação face aos níveis atingidos no período de confinamento. A equipa de gestão da Cofina está, tal como tem vindo a fazer ao longo dos anos, enfocada na sustentabilidade das operações e na segurança de todos os colaboradores”, refere o grupo no comunicado endereçado à CMVM.

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