Três perguntas a Pedro Sousa

Por a 2 de Agosto de 2020
Pedro Sousa, director do 11

Pedro Sousa, director do 11

Meios&Publicidade (M&P): O canal 11 foi lançado no dia 1 do ano passado. Que balanço faz deste primeiro ano?
Pedro Sousa (PS):
 Um balanço positivo, pois considero que atingimos plenamente os nossos objectivos para este período. Apesar da adaptação a que a pandemia nos obrigou depois de oito meses de vida, mostrámos que há mercado para competições que tinham menos visibilidade. O trabalho de muita qualidade que se fez no Campeonato de Portugal, na Liga BPI, na Liga Placard ou na Liga Revelação, por exemplo, ficou à vista de todos, assim como o que é levado a cabo nas diversas selecções masculinas e femininas de futebol, futsal e futebol de praia. Conjugar isto com transmissão de provas onde brilham jogadores e treinadores portugueses e ainda com momentos protagonizados por personalidades de dimensão mundial – como a entrada em directo de Cristiano Ronaldo no dia do seu 35º aniversário – vinca bem a identidade do 11: um canal que dá voz a todos os que fazem do futebol uma indústria de sucesso e de indiscutível importância social. O primeiro passo está dado: a comunidade dos agentes do futebol e futsal (praticantes, treinadores, dirigentes, encarregados de educação) sente que o canal é seu. Não poderíamos desejar mais. O futuro passa por mostrar a mais adeptos equipas, jogadores e treinadores que são menos conhecidos, mas onde há boas histórias, muito talento e paixão pelo jogo.

M&P: Assumiu a direcção do canal no início de Janeiro. Em Março, por força da pandemia, o futebol e restantes modalidades pararam. Quais foram os principais impactos no 11?
PS:
Como em todas as actividades, procurámos encontrar soluções rapidamente. Ganhámos tempo porque desde o início apostámos em entrevistas via Whatsapp para termos as pessoas mais disponíveis. Aí a adaptação estava feita. Depois apostámos em dois grandes valores: recordar finais da Taça de Portugal e caminhadas de sucesso das equipas portuguesas que estiveram em finais de competições europeias neste século. Investimos ainda em passar 20 jogos de Cristiano Ronaldo, 10 pelo Manchester United e 10 pelo Real Madrid. Tudo isto é importante para as gerações mais jovens, que não têm memória e ficam com um conhecimento mais profundo de muitas referências do futebol actual – não apenas em Portugal, mas em todo o mundo. Sendo sempre fiéis à identidade do canal, não hesitámos quando nos últimos meses tivemos oportunidade de transmitir competições de países como Grécia, Israel, Suíça ou Polónia – todos com forte presença de jogadores e treinadores portugueses. Este período exigiu um esforço adicional de todos os profissionais que trabalham connosco mas os resultados foram recompensadores.

M&P: “Este projecto nasce para trazer mais rapazes e raparigas para o futebol. Isso significa mostrar mais o jogo, agregar, criar comunidade e fazê-lo, por certo, com as transmissões, mas também com vídeo, com média e grande reportagem”, dizia ao M&P Nuno Santos, primeiro director do 11, antes do arranque do canal. E agora, qual é o propósito do canal?
PS:
O que queremos é angariar mais praticantes, esse foco não mudará. Nesse sentido, a nossa matriz de crítica construtiva, de uma abordagem distinta da habitual no desporto em geral e, particularmente no futebol, exige também uma organização e metodologias muito específicas. Para além das transmissões de jogos – muitas vezes mais de 100 por mês antes da pandemia – vamos continuar a encontrar espaço e tempo para trabalhos sobre todas as questões estruturantes ou fracturantes, gerando reflexão e permitindo que as pessoas se sentem à mesma mesa a trocar ideias. Acreditamos nisto e não nos temos dado mal com essa forma de pensar. Agora a intenção é continuar a consolidar este projecto ao longo dos próximos anos, vincando o nosso posicionamento não apenas através do próprio canal, como também das diversas plataformas digitais que lhe estão associadas e que ajudam muito ao sentimento de dever cumprido com que terminámos este primeiro ano.

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