A busca da felicidade como motor do marketing

Por a 21 de Julho de 2020

JOANA TEIXEIRANão vou começar mais um texto desta Era covid-19 com a frase “vivemos tempos difíceis”. Já o sabemos. Vivemo-lo desde o momento em que tiramos o pé da cama e começamos o nosso dia. Vivemo-lo, sobretudo, desde o momento em que ligamos a TV ou abrimos a app das notícias e somos bombardeados com todos os factos que podem levar a nossa ansiedade a picos para lá do normal e saudável.

Mas o objectivo não é parecer derrotista, pelo contrário. Os tempos difíceis são absolutamente cruciais na nossa vida. Sempre existiram, vão continuar a existir. São eles que determinam pontos de viragem e que nos permitem dar valor às coisas boas. São eles que dão rumo e propósito.

Tanto assim é que, ao contrário do que Hollywood e a Disney nos fizeram acreditar, o final feliz é uma utopia. É um momento, que é mutável, variável e inconstante. Depois do “corta”, o filme continua e ainda há cenas para viver, que trazem consigo milhares de acontecimentos imprevisíveis, bons e maus, aos quais a nossa percepção e consequente reacção vão influenciar e ditar tudo o resto.

Mas, se sabemos que o final feliz é uma utopia, por que é que vivemos numa batalha constante para lá chegar?
O problema é que a felicidade é muito complexa. Como não sabemos bem o que ela é, pelo menos não em todos os momentos da nossa vida, andamos de tentativa em tentativa a tentar descobri-la. Pode ser um chá quente num dia frio, uns sapatos novos para o closet ou o emprego de sonho. Pode ser o amor da nossa vida, conseguir fazer um bolo sem deixar queimar ou fazer as pazes com o nosso passado. E, na maioria das vezes, é tudo isto e, ao mesmo tempo, não é nada disto. Porque, nós seres humanos, temos esta tendência esquisita de querer sempre mais. E, por isso, a busca continua.

É precisamente aqui que entra a importância da psicologia e do estudo do comportamento humano para o dia-a-dia de quem trabalha em marketing e comunicação. Porque, no seu sentido mais lato e abrangente, o marketing eficaz é aquele que, no final do funil, conduz as pessoas à felicidade, seja porque lhes apresenta um produto único que trará algum benefício ao seu dia-a-dia, seja porque defende causas em que acredita, seja porque contribui para um mundo melhor, seja porque faz rir, seja por qualquer outro motivo.

Desde o início dos tempos que vivemos numa busca constante pela felicidade e, ao mesmo tempo que as marcas alimentam esta busca, também ela é um dos principais motores de funcionamento do marketing. A relação entre a felicidade e o marketing é bidireccional. É a busca pela felicidade, assuma ela que forma assumir, que nos faz ser consumidores. É por isso que compramos um voo para umas férias inesquecíveis, ou que vamos buscar um gelado depois de um dia difícil. É para nos sentirmos felizes que escolhemos aquele restaurante ou que passamos a noite a ver filmes e séries. É para guardar bons momentos que queremos o telemóvel com a melhor câmara e que marcamos um salto de paraquedas. E por aí fora.

A busca pela felicidade é uma verdade universal e inegável, sejamos nós ricos ou pobres, louros ou morenos, engenheiros ou agricultores. É uma verdade que todos temos de compreender, integrar e materializar nas nossas estratégias e campanhas de forma a dar-lhes um objectivo e um propósito concretos.
E, se esta verdade é intrínseca e real em todos os momentos da nossa vida, toma proporções ainda maiores quando vivemos uma crise como a que estamos, infelizmente, a viver agora. Não só a busca pela felicidade se torna mais urgente como as motivações e os factores que nos levarão à felicidade mudam. Os factores da felicidade estão em constante mudança. (Ninguém disse que o trabalho do marketeer é fácil, certo?)

Mais do que nunca, as pessoas precisam de se sentir felizes. As marcas que souberem interpretar o que vai neste momento na cabeça e no coração dos seus consumidores, quais as suas necessidades e motivações; as marcas que conseguirem dar um nome e uma materialização ao conceito de felicidade, vão certamente ser, também elas, felizes.
Não é fácil. Mas, tal como são os tempos difíceis que nos moldam e nos dão estrutura, também são as coisas mais complicadas de fazer aquelas que têm mesmo de ser feitas e que nos podem catapultar para um outro patamar de felicidade. Seja ele qual for.

Agora, como dizia um grande senhor, vamos todos, marcas e consumidores, fazer o favor de sermos felizes.

Artigo de opinião assinado por Joana Teixeira, social media coordinator da Fullsix

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