“No mercado português não sentimos qualquer tipo de impacto na imagem da Corona”

Por a 8 de Junho de 2020
João Braga, director-geral da Viborel

João Braga, director-geral da Viborel

A garantia é dada por João Braga, director-geral da Viborel, distribuidora da marca em Portugal, assegurando que o atraso no lançamento da Coronita “é exclusivamente logístico”. Este mês deverá ficar concluída a entrada no segmento mini.

Inicialmente prevista para o mês de Abril, a entrada da Corona no segmento da cerveja mini no mercado português foi atrasada pelo surto covid-19, devendo ficar concluída até ao final de Junho. Esta é a expectativa da Viborel, distribuidora da marca mexicana em Portugal, assegurando que, apesar das quebras noutros mercados, a imagem da Corona não foi afectada no mercado nacional.

Meios & Publicidade (M&P): O lançamento da Coronita marca a entrada da Corona no segmento da cerveja mini, que tem um peso importante nas vendas de cerveja em Portugal. Quais os objectivos e expectativas da marca para este segmento do negócio?
João Braga (JB): A Viborel pretende com o lançamento da Coronita alargar o portfólio da empresa no segmento das cervejas premium e, a nível de linear, ter mais uma referência para atingir um target mais jovem – os young consumers – e feminino, que gostam de uma cerveja mais leve, fresca e com um valor mais convidativo. Pretendemos ainda mais visibilidade desta marca premium e líder no seu segmento no mercado português. Dar também uma outra opção de escolha ao nosso consumidor. Destacamos que o ritual da Corona se mantém com este novo produto: uma cerveja leve, bebida pela garrafa, extremamente fresca e com 1/8 de lima.

M&P: A entrada da Coronita estava prevista para Abril. É agora apontada a Junho, tendo sido atrasada devido à pandemia covid-19. O que explica esse atraso?
JB: O atraso é exclusivamente logístico. A previsão de chegada era, de facto, o mês de Abril, porém, o contexto actual impossibilitou o cumprimento deste prazo tal como previsto. A Coronita tem previsão de chegada a Portugal de forma faseada. Este mês ficará disponível nalgumas cadeias de supermercados e acreditamos que em Junho na maioria dos super e hipermercados.

M&P: Para lá de dificuldades logísticas, houve gestão do timing de lançamento em virtude das questões em torno da imagem da marca motivadas pelas confusões em torno da designação do vírus?
JB: A preparação logística de um novo produto no mercado português exige um conjunto de procedimentos que obrigam a que o processo seja feito com algum tempo de antecedência até à chegada. Neste processo em particular, estamos há cerca de um ano em operação. O produto tem de ser adaptado ao mercado de origem. A embalagem deve ser devidamente preparada, o rótulo traduzido para a língua desse mesmo país, neste caso Portugal. Todo este processo demora o seu tempo, sendo a produção, engarrafamento e distribuição para todo o mundo feitos a partir do México. É importante destacar que a Corona mantém a sua identidade de marca e características.

M&P: Qual está a ser o impacto na imagem da marca no mercado português?
JB: No mercado português não sentimos qualquer tipo de impacto na imagem da Corona. É uma marca premium e líder no seu segmento, que tem vindo a aumentar o volume de vendas em Portugal no off trade. Por isso, não há qualquer relação negativa entre esta pandemia e a marca mexicana.

M&P: Estão a preparar alguma resposta ao nível da comunicação? Que estratégia está a ser seguida ao nível do marketing e comunicação nesta fase?
JB: A Corona mantém-se com o mesmo posicionamento e mesma estratégia de marketing e comunicação como até então. Não existem quaisquer alterações em função deste contexto pandémico. A chegada da Coronita a Portugal, única no mercado nacional, porém, é que nos trouxe nova estratégia. Prevê-se um ciclo promocional com o off trade até ao final do ano e novos expositores para o recém-chegado produto. Naturalmente que a estratégia será reavaliada no próximo ano, com a possível entrada do produto em alguns espaços on trade.

M&P: A nível mundial, a marca terá registado o pior trimestre em 10 anos, com perdas a rondar os 250 milhões de euros. Como têm evoluído as vendas em Portugal? Referem um crescimento de 57 por cento nos supermercados mas uma quebra no canal da restauração, que representa praticamente dois terços do negócio. Quanto foi essa quebra e qual o balanço geral das vendas?
JB: Cerca de um terço das vendas tem lugar no canal off trade e neste aumentámos mais de 57 por cento as vendas. No restante mercado, o mais importante para a marca (o on trade), devido à actual situação vivida, houve uma quebra de vendas de cerca de 40 por cento. Recordo que falamos de uma marca premium – com um preço três vezes superior ao das cervejas mainstream – que desde o ano 2018 tem vindo a aumentar o seu volume de vendas no nosso país: mais 30 por cento em 2018 e mais 25 por cento em 2019.

M&P: Como espera que seja a evolução nos próximos meses? Quais as perspectivas?
JB: A Viborel acredita que, gradualmente, as vendas da Corona no nosso mercado vão crescer, embora com alguma timidez face às actuais circunstâncias e com diferenças no on e off trade. Acreditamos que o consumo para casa terá uma tendência crescente. No on trade, de forma mais tímida, as pessoas retomarão gradualmente ao ‘novo normal’ e consumirão em restaurantes, bares, hotéis e bares de praia.

M&P: Está prevista a chegada de novos produtos da marca a Portugal. O que pode adiantar sobre os planos de expansão da marca no mercado nacional?
JB: A chegada de novos produtos está dependente da evolução da situação actual que vivemos. Neste momento, com toda a certeza, apenas podemos dar a garantia da chegada da Coronita ao nosso mercado, embora a situação seja avaliada a cada trimestre.

Entrevista publicada na edição do M&P da última quinzena

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