Estará o fim do dinheiro físico à vista?

Por a 29 de Junho de 2020
dinheiro

A história do dinheiro é a história da forma como o ser humano se relaciona entre si e com o meio que o envolve. As primeiras moedas, tal como as conhecemos hoje, surgiram no séc. VII a.C. na Lídia (atual Turquia) e, para além de valorizadas pela nobreza dos metais empregados, como o ouro e a prata, a elas estavam associados atributos de beleza e de expressão cultural. Desde muito cedo na história da civilização, o dinheiro refletia não só um valor transacionável que vinha facilitar as trocas comerciais, como se assumia como uma representação da história, da cultura, das riquezas e do poder das sociedades.

Assim foi com o surgimento dos primeiros bancos (reconhecidos oficialmente) em 1656 na Suécia e que com eles trouxeram os “goldsmith´s notes”, recibos escritos das quantias guardadas e que serviam como “moeda” de troca, ou com o nascimento do cartão de crédito pela Farrington Manufacturing Co nos Estados Unidos da América no ano de 1928.

“Suécia quer deixar de usar dinheiro vivo até 2030”, Diário de Notícias, junho de 2016

Cashless e/ou Contactless

Com o avançar dos séculos, percebe-se que o paradigma não se alterou, apenas se transformou gradualmente para se adaptar às exigências individuais e coletivas de uma dada comunidade num determinado tempo histórico. O advento de termos como “cashless” (sem dinheiro físico) e/ou “contactless” (sem contacto com dinheiro físico) são hoje a expressão natural de mais uma dessas etapas, uma jornada que começou há mais de uma dezena de anos e que, com a pandemia de Covid-19, ganhou um incrível momento.

Em 2016, altura em que as instruções de bancos centrais e autoridades de saúde ainda não aconselhavam o pagamento através de cartões ou wearables (smartphones, pulseiras, etc) com tecnologia contactless em detrimento dos meios mais tradicionais de pagamento, países como a Suécia e a Dinamarca já revelavam o desejo de acabar com as transações em dinheiro físico até 2030 tomando medidas como a abolição das notas e moedas em transportes públicos e atrações turísticas. Ao descer no mapa da Europa, encontramos vários outros exemplos no corpo de países como a Grécia ou a Holanda onde 50% dos pagamentos em loja eram, em 2019, feitos sem recurso a dinheiro físico.

 “Cartão bancário contactless irá funcionar como título de transporte no Metro e Elétricos do Porto”, Expresso, janeiro de 2020

Relativamente a Portugal, os dados relativos ao ano passado indicavam uma taxa de penetração do contactless que se cifrava nos 37%, mas com estimativas de crescimento em 2020. O apego emocional ao dinheiro e a desconfiança quanto à segurança deste tipo de pagamentos faziam, então, com que a adoção não fosse tão geral como em outros pontos da Europa, mas a mudança estava a caminho.

2020 começou com o anúncio de uma parceria entre a Unicre, os Transportes Intermodais do Porto (TIP) e a Visa para o lançamento de um projeto-piloto que permitirá ao utente efetuar o pagamento da sua viagem em qualquer meio de transporte público do Porto utilizando somente um cartão bancário contactless. Apesar de estar limitada, nesta primeira fase, à cidade do Invicta, esta solução pioneira em Portugal tem por objetivo estender-se, no curto prazo, às principais cidades do país.

Mudanças trazidas pela pandemia

Se, em janeiro, a conveniência, simplicidade e rapidez dos meios de pagamento contactless “ameaçavam” a primazia do dinheiro físico na sociedade portuguesa, o mês de março, e os meses subsequentes, esmagaram as melhores perspetivas em relação ao crescimento desta tecnologia e encostaram o dinheiro aos mealheiros.

Banco de Portugal incentiva compras online e pagamentos com cartões”, março de 2020

A pandemia não alterou apenas a forma como interagimos. Ela também acabou por modificar, talvez para sempre, a forma como encaramos o dinheiro físico. Com a declaração do Estado de Emergência e o confinamento obrigatório, a maioria das transações passaram a realizar-se online (+241% entre 1 e 13 de abril quando em comparação com o período homologo) e o contactless levou um forte impulso com as autoridades de saúde (DSG e OMS) e o Banco de Portugal a aconselharem a utilização de pagamentos contactless em detrimento do dinheiro “vivo”. Esta recomendação deve-se não só à rapidez do processo de pagamento (menos 10 segundos do que uma transação normal), como ao distanciamento social (o cartão não toca no terminal e não sai da mão do seu portador) e à higiene (notas e moedas são veículos potencialmente transmissores de vírus e bactérias) que os cartões contactless conferem.

Compras com cartões contactless disparam 115% no primeiro mês de pandemia”, ECO, maio de 2020

Com as compras, assinatura de pacotes de internet e subscrição de serviços de streaming, estes últimos a requerem frequentemente a utilização de um cartão de crédito, a serem os grandes impulsionadores do crescimento recorde experienciado pelas transações online, os cartões contactless assumiram-se como as novas estrelas dos pagamentos presenciais (farmácias e retalho) durante o confinamento, como prova o crescimento de 115% que registaram durante o primeiro mês de pandemia.

Se os pagamentos online perderam alguma força com o início do desconfinamento e a reabertura da maioria das “lojas de rua”, os pagamentos com cartões contactless continuam a vaporizar recordes de utilização já representando quase 24% do total de faturação dos negócios portugueses.

Cartão de Crédito e Crédito Pessoal com adesão 100% digital

À semelhança do que aconteceu com a Unicre e o projeto-piloto para os transportes públicos do Porto, negócios e instituições bancárias sentiram a necessidade de acompanhar as novas formas de pagamento dos consumidores em tempo de pandemia. Negócios reforçaram a aposta em soluções de pagamento digital (+333% entre março e abril face ao período homologo) e muniram as suas lojas físicas de terminais de pagamento contactless, enquanto da parte das instituições bancárias, as soluções passaram pela emissão/reforço da oferta de cartões de débito/crédito contactless e crédito pessoal com oferta 100% digital.

Tal como a casa mãe Unicre se aliou à revolução nos meios de pagamento dos transportes públicos do Porto, a sua marca Unibanco, face à necessidade de apresentar soluções amigas do consumidor em tempos de Covid-19 a que se juntou uma já antiga aposta no desenvolvimento de soluções digitais, levou-a recentemente ao lançamento da campanha “Eu conto com o Unibanco no meu dia-a-dia” que permite ao cliente contratualizar um cartão de crédito online (ou crédito pessoal) dispensando a necessidade de recorrer ao papel e de se deslocar a um balcão físico.

Para além de poderem ser contratualizados digitalmente, os cartões de crédito Unibanco vêm com tecnologia contactless integrada que permite ao seu possuidor, entre outras coisas, comprar online e ainda usufruir de 20 a 50 dias de crédito sem juros e anuidades gratuitas. A tudo isto, soma-se a oferta de cashback que permite ao cliente receber até 200€ de volta nas compras realizadas durante os primeiros 12 meses.

Estará o fim do dinheiro físico à vista?

A crescente adoção de soluções de pagamento online, contratualização de um cartão ou empréstimo pessoal de forma online ou a generalização do pagamento contactless no nosso dia-a-dia vem corroborar a afirmação com que abrimos este artigo: a história do dinheiro é a história da forma como o ser humano se relaciona entre si e com o meio que o envolve.

O dinheiro ainda não desapareceu, mas vivemos tempos de mudança que exigem uma readaptação às condições objetivas em que vivemos e nos relacionamos com os bens e serviços que pretendemos adquirir. A pandemia acelerou essa readaptação, as estatísticas mostram-no, o florescente mercado do e-commerce sustenta-o e o perfil de consumidor justifica-o. O mundo está a mudar e o dinheiro, tal como o conhecemos, não voltará a ser o mesmo.

 

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