E-commerce para todos

Por a 3 de Junho de 2020

internet shoppingMais do que as grandes marcas, são as empresas de menor dimensão que agora sentem maior urgência de colocar em marcha uma digitalização adiada e que pode significar a diferença entre salvar o negócio ou encerrar. O cenário actual veio dar um empurrão e surgem iniciativas para apoiar a transição digital das PME

“Neste contexto de pandemia que todos vivemos foi urgente para algumas empresas assegurar a venda dos seus produtos, nomeadamente através dos canais online, para fazer face ao encerramento dos espaços físicos durante o estado de emergência”. A necessidade é sublinhada por Miguel Salema Garção, director de comunicação e sustentabilidade dos CTT, empresa que colocou em marcha, logo na primeira semana do confinamento, um programa de apoio à criação de lojas online com o objectivo de ajudar as empresas a acelerar a digitalização do negócio. “Somos um importante ponto de contacto e de apoio ao negócio das nossas PME”, justifica o responsável, referindo que é nesse enquadramento que “os CTT, em cooperação com o Ministério da Economia e Transicção Digital, no âmbito das medidas criadas pelo governo para apoiar as PME, lançaram novos serviços e condições especiais para as pequenas e médias empresas, ajudando a promover a sustentabilidade do tecido empresarial nacional no contexto de pandemia”.

Nesse sentido, explica, o serviço Criar Lojas Online “permite que as PME ligadas ao retalho ou venda de bens físicos criem lojas online com grande facilidade, para a venda dos seus produtos”. Desenvolvido em parceria com a startup Shopkit, este serviço “garante a construção de uma loja online de forma simples e intuitiva, aliada a soluções de distribuição CTT”, esclarece Miguel Salema Garção, assegurando que “as empresas não necessitam de conhecimentos técnicos de desenvolvimento de sites, sendo tudo efectuado através de uma interface web intuitiva e amigável”. “Esta oferta pode ser complementada com os sistemas de expedição dos CTT, com as soluções de logística e a oferta de pagamentos, permitindo às PME ter um único parceiro no seu negócio digital”, acrescenta o responsável, considerando que “a simplicidade da solução, com um único parceiro em toda a cadeia, da criação da loja, aos pagamentos, distribuição e devoluções, permite às PME o foco no seu negócio e na segurança e bem-estar dos seus colaboradores”.

O apoio à transição digital das PME foi uma prioridade igualmente assumida pela Altice Empresas, que, em parceria com a Páginas Amarelas, disponibilizou a Go-Online, uma solução integrada de marketing e vendas online, com a possibilidade de gestão através de app mobile, que permite às PME a criação de websites com funcionalidades de e-commerce, promoção e venda dos produtos e serviços da empresa, a par de uma gestão centralizada da presença em redes sociais, ao mesmo tempo que garante a integração segura com os principais meios de pagamento via Altice Pay e acesso a serviços de entregas. “O e-commerce ganhou muita expressão e relevância durante este período, o que tornou esta oferta ainda mais pertinente e requisitada pelo tecido empresarial, uma vez que vem em resposta a uma necessidade que não tinham conseguido colmatar perante todas as condições que lhes são agora impostas”, explica ao M&P Paulo Rego, director de produto e pré-venda da marca da Altice para o segmento empresarial, acreditando que “a acentuada procura deve-se, não só à possibilidade de experimentar esta solução sem qualquer custo associado, mas também à garantia de acompanhamento por parte de uma equipa especializada ao longo de todo o processo, permitindo a qualquer pequeno empresário a venda dos seus produtos e serviços online de forma rápida e sem qualquer risco associado, numa altura em que a migração para o canal digital pode ditar a sustentabilidade de alguns negócios”.

Um primeiro balanço

Para já, ambas as iniciativas registam uma adesão significativa. Através do serviço Criar Lojas Online, adianta ao M&P Miguel Salema Garção, “já foram criadas mais de 900 lojas”, sendo “de salientar que estas empresas antes não tinham presença online e, com esta oferta dos CTT, rapidamente passaram a estar online, encontraram novas formas de fazer o seu negócio e aumentaram o mercado potencial porque deixaram de estar restritas  à sua zona de influência e agora comunicam e vendem para o mundo”. Traçando o retrato do tecido empresarial apoiado até agora nesta transição digital, o responsável refere que “as principais categorias de produto das lojas criadas são o vestuário e calçado, produtos alimentares, utensílios para o lar, equipamento electrónico e informática, higiene e cosmética, produtos farmacêuticos e similares, livros e filmes”.

Já Paulo Rego avança ao M&P que, no caso do serviço Go-Online, “pouco mais de uma semana após o lançamento desta solução, já foram efectuados perto de uma centena de registos por parte de PME de todo o país”. Até 31 de Maio, antecipa, “prevemos atingir entre 300 a 500 websites ou lojas online já disponíveis, todos na sequência da oferta inicial da Go-Online”, sendo que “após o término da campanha de lançamento a solução continuará disponível para todo o tecido empresarial português de pequenas e médias empresas”. Questionado sobre quais as prioridades apontadas pelas empresas que têm procurado esta solução, bem como as expectativas que colocam neste processo de digitalização, o director de produto e pré-venda da Altice Empresas afirma que “a principal prioridade das empresas neste momento é garantir a continuidade dos seus negócios, na expectativa de poderem, não só manter a venda dos seus produtos e serviços junto dos seus actuais clientes, como chegar a novos potenciais clientes através de uma série de ferramentas disponibilizadas pela solução Go-Online”.

“Nas actuais circunstâncias, em particular com as restrições impostas a muitos pequenos negócios que vivem de lojas físicas e serviços que até agora só conheciam a vertente presencial, o online revela-se uma porta sempre aberta e sem barreiras físicas, permitindo que muitas das interacções possam ser efectuadas por essa via”, argumenta Paulo Rego, lembrando que “estamos a falar de muitos pequenos negócios que não tinham previsto nos seus planos incorporar a vertente digital, que não julgaram até ao momento necessária pela natureza da sua actividade (prestação de serviços presenciais e/ou venda de produtos em loja física), mas também de muitas empresas que tinham já planos concretos para, a médio-prazo, digitalizarem os seus negócios, e que tiveram apenas de acelerar esse processo”. “A nossa expectativa é que a Go-Online possa ajudar as empresas a gerar vendas/facturação durante este período mais conturbado vivido em Portugal e no mundo, contribuindo ainda indiscutivelmente para que as empresas possam dar passos concretos no âmbito da transformação digital do tecido empresarial português”, aponta o responsável.

Do centro comercial físico para o digital

Ajudar a manter as vendas num período de encerramento forçado é também o objectivo da Sonae Sierra, que estabeleceu uma parceria com a plataforma de e-commerce Dott para permitir aos lojistas dos centros comerciais encerrados que mantivessem o seu negócio através de vendas online. Com esta parceria, é disponibilizada aos lojistas que ainda não tenham canal de vendas online uma plataforma de adesão gratuita, com a garantia de que até ao final de Maio não existirá qualquer comissão sobre as vendas. “Toda a operação do marketplace para marcas de lojistas geridos pela Sonae Sierra em Portugal foi concretizada em apenas nove dias, o que representou um esforço muito significativo, quer da parte da nossa equipa quer do nosso parceiro Dott, tal como da parte dos lojistas”, conta ao M&P Manuela Calhau, innovation & IOW director para a Europa e novos mercados da Sonae Sierra. A possibilidade de os lojistas aderirem ao marketplace Dott, explica a responsável, “permitiu-lhes passar a ter um canal de venda adicional, e para alguns é a primeira vez que têm um canal de venda online, mas também uma nova resposta em termos logísticos, de pagamento e cobrança”.

No caso desta solução, disponibilizada ainda durante o primeiro estado de emergência, “os resultados até à data são muito encorajadores”, assegura Manuela Calhau, revelando que “mais de 50 por cento dos lojistas elegíveis manifestaram desde logo o seu interesse e temos actualmente 70 marcas activas no marketplace, com mais 71 em processo de adesão”. “O feedback que temos por parte dos lojistas e do Dott é também muito positivo”, afirma, destancando “dois lojistas de diferentes sectores de retalho que, até à data, não tinham um site próprio de e-commerce e que, de uma forma muito ágil, conseguiram capitalizar muito bem nesta solução, a Farmácia D’Arrábida e a Hussel”. “Outro exemplo de sucesso é a Imaginarium, que também não vendia em marketplaces e está agora a expedir desde Espanha para o Centro Comercial Online através da plataforma Dott”. Embora o período sem fee de adesão e sem comissões termine no final deste mês, Manuela Calhau acredita que “esta solução tem, no entanto, potencial para continuar a ser desenvolvida após 31 de Maio. Estamos a trabalhar de forma muito acelerada e assertiva nessa direcção.”

Artigo publicado no âmbito de um dossier especial dedicado ao e-commerce que integra a edição número 861 do M&P

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