Cannes 99, as directas e outras cenas

Por a 23 de Junho de 2020
António Lobato Mello, publicitário

António Lobato Mello, publicitário

Porque este ano não há, apeteceu-me escrever sobre a experiência de ir ao Festival de Cannes.
Só lá fui uma vez.
Ali no virar do ano.
Da década. Do centenário. E do milénio.
Um privilégio, meus amigos.

Um ano em que assistimos “live” à mudança de 4 números do calendário duma só vez. 1999-2000.
Fantástico.
Foram dos melhores anos da minha vida publicitária.
Naquele ano eu tinha que ir. Mesmo.
E fui, conforme atesta a Pic deste artigo, tirada no
Cannes Lions99,
Check in,
Day one.

Ir a Cannes era e ainda é importante em termos de CV, seja lá isso o que é hoje em dia. É uma experiência enriquecedora e gratificante a todos os níveis. Vimos de lá diferentes. Cannes fazia-nos melhores publicitários e fazia-nos gostar e curtir ainda mais o nosso trabalho. Eu acredito nisso.

Nessa altura, era director-geral e previ no budget, (… o ano anterior tinha corrido de feição) uma ida (e volta) com mais quatro publicitários da minha querida agência Abrinício.

Nunca fui uma pessoa muito institucional, de ligar muito a organigramas e cargos.

Sou como o nosso presidente MRS (de quem já gostei mais). Ou seja, continuei a ser quem era, e o cargo e o poder nunca me subiram à cabeça e se calhar até fui prejudicado.
Mas isso agora não interessa nada. Niente. Nadinha. E se fosse hoje seria igualzinho.

Fizemos Lisboa-Nice. Já não havia vôo directo (a secretária distraiu-se e não fez as marcações. Claro). E também não haviam low costs na altura…

CannesForam meia dúzia de dias. Ou melhor noites, já que decidíamos em função do programa, se valia a pena ou não levantar cedo no dia seguinte… e era verão e fazia “très chaud”.

Portanto condições reunidas para uma ou outra directa.

Era difícil resistir às águas mornas e moles do Mediterrâneo. E às tantas da manhã, era mesmo o que apetecia.

E lá nos atirámos os quatro (e de agências diferentes) para dentro de água. Sim, ninguém nos empurrou. Talvez o teor alcoólico, tivesse ajudado…

Era inevitável. 6 e tal da manhã, uma noite apetecível e depois de fechados em salas e auditórios…

Parecíamos uns putos. Mesmo.

E ainda hoje tenho dezenas e dezenas de amigos do “métier”.
Amizade de SABOR AUTÊNTICO.

ONE Life. Live It Well.
Subscrevo e é a minha maneira de estar nesta vidinha maravilhosa. E confesso, tenho muitas saudades desses dias e noites.

Mudando a agulha e sendo agora um pouco mais sério. Ir a Cannes é obrigatório. No mínimo uma vez. Viver e ver grandes apresentações, peças de comunicação, numa atmosfera, onde se respira ideias e criatividade, é outro luxo.

Cannes é muito sensorial. Ali as emoções são perfumadas e estão lá todas. E claro o “glamour” e a “red carpet”.

Cannes é um lugar de culto de ideias.
Ir lá, é como ir a Fátima, ou ver o Papa.
Afecta-nos por dentro e por fora.

Até porque nós, publicitários também somos evangelizadores de IDEIAS.

 

*Por António Mello, publicitário

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