André Sentieiro deixa a Partners e cria o DOGU

Por a 2 de Junho de 2020
André Sentieiro, founder and creative director do DOGU

André Sentieiro, founder and creative director do DOGU

André Sentieiro deixou a Partners, onde, nos últimos quase 7 anos, na segunda passagem pela agência, foi  director criativo digital e design, director de design, head of branding e director criativo outra vez, para criar um estúdio próprio, o DOGU. Em japonês, a palavra  designa todos os objectos feitos, desenhados e melhorados pelas pessoas, explica ao M&P.

“Em português não só dá nome ao estúdio como me lembra o porquê de ter dado este passo. É um passo empresarial que junta num só lugar, e em dedicação exclusiva, a minha paixão pelo design e pelas marcas. É um passo focado no propósito de melhorar tudo o que nos rodeia, com especial destaque para as empresas que falam connosco através do design. Eu acredito que nas ligações marca – audiência, acredito no propósito de cada marca, e trabalho para criar essas ligações, esses propósitos, através da imagem e da palavra, como é óbvio, mas acredito acima de tudo que essas ligações podem ser feitas, desenhadas e melhoradas aqui mesmo, no DOGU”, justifica.

“Ao longo da minha carreira tenho trabalhado em praticamente todas as ditas disciplinas da comunicação: publicidade, digital, activação de marca, arquitectura, design gráfico, branding. Isso levou-me a perceber que a minha grande paixão estava – e está – na criação de marcas. Na folha em branco. Na definição do propósito.

O design é uma ferramenta poderosa, tem toda uma metodologia por trás desse trabalho e isso faz com que o resultado mexa com várias áreas do nosso pensamento. Uma área mais abstracta, mais sensitiva, mas também mais funcional. Isso fascina-me.  Também percebi que para me conseguir focar totalmente nessas paixões teria que criar a minha marca sob a forma de uma empresa. Dei esse passo agora”, prossegue, quando questionado sobre o motivo da decisão.

Do DOGU, é sócio único. “Ninguém chega longe sozinho. É preciso criar o ambiente certo, construtivo, exigente, disciplinado e livre para aparecer bom trabalho. Por isso a minha abordagem foi sempre trabalhar com pessoas de várias formações e vidas. Do ponto de vista da coordenação na criatividade do estúdio, pelo menos para já, serei eu o único sócio a ter essa responsabilidade. Faz sentido que assim seja”.  “Já trabalho com colaboradores (copys, estrategas, programadores e designers), todos eles talentos muito séniores, alguns em portugal e outros na Europa, sempre em regime teletrabalho”, prossegue.

Quanto ao tipo de projectos e clientes, André Sentieiro diz que “vão variar muito mas a linha comum são as marcas. Se reparar, todo o mundo da comunicação gira à volta das marcas. É esse o núcleo. Vamos trabalhar marcas em vários patamares, desde a criação da identidade, estratégia, comunicação, espaços – sejam eles físicos ou digitais – sites, aplicações e design gráfico. E o que mais o mundo criar. Se não conhecemos fronteiras nos clientes também não as vamos procurar nos projectos”.

A internacionalização, faz parte dos objectivos. “Sempre defendi que as empresas portuguesas deviam exportar mais design. Muitas têm conseguido, e a Partners é um bom exemplo, mas eu queria mais. A ideia por trás da marca DOGU é precisamente exportar 50% do trabalho para outros países e continentes, nomeadamente Europa e América do Norte. Devo essa exigência ao trabalho que fiz e que quero fazer”, adianta. Sentieiro já está a trabalhar uma marca nos EUA, sobre a qual, por enquanto, não adianta detalhes.

Sobre o momento da saída, “sim, deu-se num momento complicado mas a decisão não, e isso é mais importante”, diz. “Este momento complicado serve para reflexão de muitas empresas. Essa reflexão certamente que se reflectirá na relação com os seus colaboradores, clientes e o seu propósito. Portanto, até antevejo aqui espaço para intervir e ajudar estas marcas nestas relações”.

“Também o facto de estarmos em casa e termos de trabalhar em teletrabalho acelerou do meu lado a conquista de outros mercados já habituados a trabalhar neste sistema. Portugal soube lidar com a situação muito bem, dentro dos limites, e vamos continuar a lidar, e isso vai-se reflectir de alguma forma positivamente nos próximos tempos que claro serão complicados na mesma. O risco existe sempre,  e sem ele nós não evoluímos. Basta olhar para os grandes sucessos nacionais ou internacionais e vemos que todos arriscaram”, prossegue.

No momento do lançamento da nova empresa, uma palavra para a Partners: “Obrigado”.  “Deixei amigos e uma equipa que mais parecia uma família. Soa a cliché, mas é honesto”, diz. “Sem a etapa Partners nunca teria começado o capítulo DOGU”.

O site da DOGU já pode ser consultado aqui.

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