“Doze anos depois, aí estamos de novo”

Por a 31 de Maio de 2020
Susana de Carvalho, managing partner da Earth Watchers

Susana de Carvalho, managing partner da Earth Watchers

A data deste artigo podia ser 2020. Mas não é. É 2008, o ano de uma das maiores crises a nível mundial, com o epicentro nos Estados Unidos da América, mas com um efeito dominó devastador por todo o planeta.

Poderia acrescentar mais 3 paradoxos a esta lista, porque ligados a novos temas, os das redes sociais, que eram incipientes à época ou ainda não existiam (caso do Instagram, por exemplo, que aparece em 2011): Público/Privado; Off/On; Verdadeiro/Falso.

Dos paradoxos que ali estão espelhados, muitos infelizmente foram ignorados pelo “business as usual” ou mesmo se exacerbaram ao longo destes 12 anos – o curto e o longo prazo, a falta de equidade e distribuição do rendimento, os excessos da produção e consumo e a depleção de recursos naturais.

Doze anos depois, aí estamos de novo. Com algumas “nuances”, para ser suave. Na altura, a origem foi a especulação financeira, o lucro desmedido, a falta de regulação, os mercados descontrolados. Desta vez o epicentro começou na outra maior potência do mundo, a China, alastrando-se igualmente com um efeito dominó, mas com um descontrole muito maior, com consequências ainda mais devastadoras do que a economia recessiva e o desemprego: a saúde humana.

 Art.Opiniao_Anuário MP 2009_page-0001No auge desta crise, aí temos de novo a oportunidade. Avançámos ao longo destes anos, mas não o suficiente. Hoje já falamos de lucro mas com propósito, de economia mais verde, de prosperidade mais do que crescimento, da tecnologia sem esquecer a humanização.

Nunca o global e o local estiveram tão distantemente próximos. E há mais países do que as duas principais superpotências, apesar de todos precisarmos de todos.

Precisamos resolver as várias frentes interligadas e interdependentes: economia, ambiente e fundamentalmente, bem estar social. Não insistamos na insanidade de repetir os erros do passado. Temos a memória, a inteligência, os instrumentos, para, de uma vez, nos unirmos na aceleração da mudança de paradigma, no restaurar do equilíbrio tão necessário a este enorme ecossistema do qual fazemos parte. Como não me canso de repetir, estes tempos são de acção, transformação, ousar fazer diferente.

*Por Susana de Carvalho, managing partner da Earth Watchers

** O artigo original foi escrito para o Anuário da Publicidade e Comunicação em 2008. Susana de Carvalho escreveu o texto na qualidade de presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Publicidade e Comunicação. Leia o texto aqui

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