Comunicar A.C. e D.C.

Por a 12 de Maio de 2020
Susana Coerver, CEO da Fuel

Susana Coerver, CEO da Fuel

É curioso como se diz que as grandes agências de publicidade são transatlânticos difíceis de mudar, mas se há afirmação que no Grupo Havas e Fuel conseguimos provar contrária nesta fase, foi essa, pois fomos os primeiros a conseguir pôr campanhas na rua quando fomos para a fase de confinamento.

Campanhas que falavam da importância de ficarmos em casa, das regras de higiene e distanciamento, da importância de cuidarmos de nós e dos outros, da nossa alimentação, da nossa saúde e da importância dos que estavam na rua a trabalhar por nós. Para o bem de todos o melhor de cada um. Esta foi a fase inicial da comunicação em que também quisemos acalmar as pessoas e dar confiança de que nada iria faltar.

A seguir entrámos na fase de “o que estamos a fazer pela sociedade e por si”, seja as entregas em casa, customer service e encomendas pelo WhatsApp levando as compras directamente para o porta bagagens dos carros, consultas on-line, horários especiais para profissionais de saúde e idosos, aplicações reforçadas (Continente Siga), pagamento via telefone (Continente Pay), campanhas de solidariedade para a Cruz Vermelha, Banco Alimentar, Amnistia, da Casa que a Santa Casa é para milhares de pessoas, ou com a Gulbenkian que angariamos computadores e internet no projeto StudentKeep para os alunos que ainda não estão na escola.  Falamos e falámos de empatia, de humanismo, de Público que foi o primeiro a abrir gratuitamente a sua paywall para as notícias do covid e como a resposta dos leitores no dia a seguir foi assinaturas multiplicadas por cinco.

Entramos na fase três e mais uma vez fomos os primeiros a sair à rua, passando confiança e segurança nas formas de o fazer, garantindo desinfeções e reforço de medidas, mas também aliviando a carga emocional de que já todos estamos cansados, que nos trouxe a pandemia e também alguma comunicação, passando a dar mais esperança e até alguma alegria quando por exemplo o senhor da Carris nos fala das saudades que tem do senhor engravatado que sai no Marquês, ou a senhora sorridente da Alameda.

A questão é esta. Estamos todos a viver coisas pela primeira vez e, por isso, por mais que tentemos, é impossível adivinhar o futuro. Por isso as estratégias vão sendo feitas semana a semana, ainda que possamos em paralelo fazer estratégias de médio prazo que surgirão como reflexo de alteração de comportamentos que vimos acontecer e que acreditemos que venham para ficar, como por exemplo:

– Aumento das compras on-line, pagar sem passar pela caixa ou pagamentos mobile

– Aumento das experiências mais imersivas de realidade virtual

– Maior preocupação com a imunidade, alimentação saudável e saúde

– Consultas, escola, mentoria, terapia, ginástica e até histórias para dormir, tudo on-line

– Home office e a adaptação das casas e redução dos escritórios

– Inovação aberta e cultura colaborativa

– DYI – todos somos barbeiros, cabeleireiros, padeiros, chefs, empregados de limpeza, professores.

Acredito que as marcas que reviram ou continuaram a sua estratégia e que mostraram ter impacto na comunidade e adaptação ao momento, aquelas que se mostraram que estavam sentadas em casa com os consumidores, também mostrando identificação com os seus sentimentos, e que continuam a acompanhar os consumidores nesta fase de sair de casa com consciência, serão marcas que continuarão a ter um lugar especial nas prateleiras dos consumidores.

Nesta fase, o que é mais importante?

Dar confiança aos consumidores e para isso precisamos de conhecer e reduzir os seus receios, por exemplo, em como será voltar a ir jantar fora ou experimentar uma peça de roupa. Outros dois pontos que também são muito importantes são:

-voltar a fazer os consumidores rir, algo que todos precisamos.

-continuar a ajudar, Pois com o aumento do desemprego vão haver ainda mais famílias a precisar de ajuda.

#empatia #humanismo #sustentabilidade

*Por Susana Coerver, CEO da Fuel

 

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