“Este é o tempo de unirmos esforços em torno dum sector fundamental”

Por a 1 de Abril de 2020
João Epifânio, chief sales officer business to consumer da Altice Portugal

João Epifânio, chief sales officer business to consumer da Altice Portugal

Vivemos tempos inéditos, sem precedentes nos últimos 100 anos, motivados pela expansão descontrolada do Covid-19, que coloca em causa quer vidas humanas quer o nosso bem-estar social e que nos obriga ao recato social como forma de combater a propagação do vírus. Repentinamente, crianças, adolescentes e pais encontram-se em casa e com tempo (bem raro) para ocupar, ávidos de consumo de conteúdos em particular de carácter informativo e entretenimento.Com o objectivo de ajudar as pessoas a tirar mais utilidade do seu tempo, o Meo lançou recentemente a campanha “É tempo de estar em casa”, uma campanha que nasce em 72 horas fruto de teletrabalho e por isso materializa aquilo que é o novo contexto social de milhões de portugueses. Se por um lado esta campanha procura sensibilizar as pessoas para a importância de ficarem em casa e lhes mostra tudo o que de positivo possa daí advir, por outro, quisemos que fosse também uma call to action a todas as empresas e grupos económicos, para que não abandonem o investimento nos media portugueses.

O sector de media tem vivido, ao longo dos últimos anos, uma situação difícil, que ganha agora uma nova dimensão com o cenário que estamos a viver devido ao surto de Covid-19. Esta situação veio intensificar a crise vivida pelos órgãos de comunicação social portugueses, levando inúmeras empresas a desistir dos investimentos orçamentados para publicidade, a grande fonte de rendimento da comunicação social, e provocando, consequentemente, uma queda abrupta nas receitas.

Estamos a falar de vários milhares de profissionais que, tal como tantos outros cuja actividade permite que continuemos, dentro do possível, a fazer a nossa vida “normal”, possibilitam o acesso à informação, um bem que temos tendência a subestimar até ao momento em que nos é negado ou impedido o acesso.

A crise pela qual estamos a passar requer, por parte das marcas, um esforço adicional de adaptação e uma rápida resposta a novos contextos, numa altura em que a comunicação é talvez mais necessária do que nunca.

A capacidade de nos adaptarmos é extraordinária e hoje, no meio de todos os impactos dramáticos do Covid-19, assistimos ao emergir de uma sociedade transformada, mais conectada, mais digital e até mais sustentável na medida em que a abrupta alteração de hábitos de consumo induziu comportamentos mais sustentáveis. Fruto da necessária reclusão social, reduzimos substancialmente as deslocações, que se mostram agora desnecessárias, adoptámos práticas de teletrabalho, de reuniões à distância, de utilização de videochamadas e plataformas colaborativas, de ensino a distância e de e-learning, entre muitos outros hábitos ainda em mutação, reduzindo por esta via o consumo de combustíveis e de tempo.

O mundo assiste àquele que será, provavelmente, o maior movimento de transformação que as actuais gerações já enfrentaram e que induzirá alterações nos hábitos de consumo das pessoas.

Esta pode ser também uma grande oportunidade para o sector dos media em Portugal. As primeiras semanas evidenciam um aumento exponencial do consumo de conteúdos de carácter informativo multiplataforma.

Este é o tempo dos media fazerem valer o elevado nível de atenção de que dispõem por parte das pessoas, nomeadamente desenvolvendo propostas de valor diferenciadas que promovam a sua sustentabilidade futura.

Este é o tempo de unirmos esforços em torno dum sector fundamental para a nossa sociedade, possibilitando-lhes as ferramentas para que continuem a prover aos portugueses uma das ferramentas mais poderosas do nosso século: o acesso à informação.

*Por João Epifânio, chief sales officer business to consumer da Altice Portugal

Deixe aqui o seu comentário