“Serão vários os factores que irão influenciar a retoma do investimento”

Por a 13 de Abril de 2020
Pedro Gândara, executive director da Starcom Mediavest

Pedro Gândara, executive director da Starcom Mediavest

O ranking das agências de meios é encabeçado, no acumulado do ano, pela Carat, OMD, Mindshare, Arena Media, Wavemaker, Initiative, Havas Media e Starcom Mediavest. O M&P ouviu os responsáveis da principal agência de cada grupo sobre o momento que a comunicação atravessa, a forma como agências e marcas se estão a adaptar e as perspectivas a curto/médio prazo. Hoje, palavra a Pedro Gândara, executive director da Starcom Mediavest

 

Meios&Publicidade (M&P):  Estamos a entrar na segunda semana de estado de emergência e na terceira, para a maioria de nós, de trabalho remoto. Como é que este novo normal está a impactar a vossa actividade?

Pedro Gândara (PG): A media é uma actividade técnica e tecnológica mas também de proximidade e de relação, aspecto que se torna particularmente relevante no período que vivemos por toda a instabilidade que a covid-19 trouxe ao mercado. Se, pelo lado técnico e tecnológico, não sentimos qualquer impacto, é na proximidade e na relação (interna e para com os nossos clientes) onde colocamos o enfâse, procurando minimizar todo e qualquer efeito que a pandemia nos trouxe.

M&P: Num primeiro momento, as marcas (quase) pararam de comunicar. E agora, como é que perspectiva que reajam?

PG: É difícil fazer futurologia, nomeadamente quando estamos a viver uma situação sem precedentes, quer na sua abrangência quer no seu impacto. Creio que serão vários os factores que irão influenciar a retoma do investimento – quanto tempo levaremos a voltar à nossa vida normal (sendo que o normal poderá não ser exactamente igual ao que tínhamos antes e trazer inclusive novas oportunidades); se estamos perante um surto pontual ou se existem riscos de o voltarmos a viver no próximo Inverno; quais as medidas de estímulo à economia que irão ser postas em prática; e quão rapidamente se restabelece a confiança dos consumidores. E, por fim, quão e de que forma está o negócio de cada marca exposto à envolvente externa.


M&P:  Que conselhos dá, hoje, aos seus clientes? Em termos de comunicação.

PG: Que mantenham pontos de contacto com as pessoas (para dentro e para fora das suas organizações), que mantenham a marca viva, mas que o façam de forma relevante e, sobretudo, respeitando a situação que vivemos.

M&P:  Como é que a retracção do investimento se vai sentir nos diferentes meios e, em sua opinião, porquê?

PG:
O estado de emergência levou muitos de nós para casa e, com isto, a uma alteração dos nossos hábitos de consumo de meios. Desde logo, o exterior e o cinema perdem o seu impacto e, com isto, a capacidade de atrair investimento. Não é claro o que está a acontecer às audiências de rádio, mas assiste-se a uma retracção por parte das marcas, assumindo que a redução do drive time tem um reflexo proporcional no consumo do meio. Pelo incremento de procura por parte das pessoas, TV e digital recolhem a grande maioria do investimento.
M&P: Consegue destacar alguma marca/campanha, nacional ou internacional, particularmente interessante e produzida já “em modo” covid-19?

PG: Felizmente são vários os exemplos e provavelmente muitos outros existirão, que não são notícia, e que pugnam pelo bem-estar de todos nós nestes tempos difíceis. O meu destaque e bem haja vai para todos aqueles que investiram no sentido de proteger (a saúde e os postos de trabalho) os seus funcionários, Proteger a todos nós enquanto procuramos assegurar necessidades básicas, de mitigar a (nossa) ansiedade e de agradecer e motivar os que se expõem para garantir o bem-estar dos outros.

*Esta entrevista faz parte da última edição do M&P. Para assinar o jornal clique aqui.

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