Não tenham medo do teletrabalho

Por a 14 de Abril de 2020
Bruno Mota,  CEO Bold by Devoteam

Bruno Mota, CEO Bold by Devoteam

Ainda se lembra das suas rotinas antes desta pandemia? Acordar, levar crianças à escola, ouvir música no carro ou transportes, irritar-se com o trânsito ou com a carruagem do metro que está demorada, chegar ao local de trabalho, abrir o computador, seguir o plano para o dia conversar com os colegas, depois sair para almoçar e voltar a cumprir as suas reuniões e obrigações num escritório. Parece que foi há muito tempo que a nossa vida mudou, pois ninguém estava preparado para uma ameaça sem rosto.

Para muitos foi o primeiro contacto com a realidade do teletrabalho e não podemos esquecer que a prioridade era colocar todos os colaboradores em segurança, porque a saúde é o bem essencial para cada indivíduo e sem ela não há capacidade de entrega nem de resposta às solicitações dos clientes.

Depois, já muitos agarraram numa citação de John Kennedy que lembrava que o ideograma chinês da palavra crise tinha também o significado de oportunidade. Acredito que este acontecimento inesperado irá ter impacto na aceitação do teletrabalho no futuro. Por um lado, será mais utilizado pelos empresários de diversos sectores que compreenderão que a digitalização e modernização das empresas irá substituir exércitos de papel e burocracias, bem como agilização da resposta dos recursos humanos aos diversos compromissos, mas também será aceite por muitos trabalhadores que poderão poupar bastante tempo e dinheiro com o trabalho remoto e levar uma vida mais calma e com menos riscos, pois não estaremos livres num futuro próximo de novas crises sanitárias.

Na minha empresa são 750 colaboradores e temos experiência com teletrabalho, fruto dos serviços que prestamos para clientes de diferentes países, isso deixou-nos na vanguarda em termos de capacidade de resposta no momento actual, mas nem todos estavam preparados. Então como podemos ultrapassar estes momentos e melhorar a nossa qualidade de vida em teletrabalho?

Primeiro, ter a noção que, na globalidade, as pessoas se vão sentir mais cansadas pois o grau de exigência não baixou, pelo contrário. Quem pensava que o teletrabalho seria um regime encapotado de férias rapidamente se apercebeu da realidade. Segundo, construir novas rotinas e, se possível, manter um plano que permita definir horários, refeições e pausas porque, para quem tem crianças em casa, o grau de concentração pode ser menor. É fundamental impormos a nós próprios uma disciplina apertada e mantermos hábitos.

E sobretudo, e isso é responsabilidade dos líderes, estabelecer ferramentas tecnológicas que permitam uma boa comunicação entre as equipas, pois não estando todos no mesmo local, não pode haver enviesamentos das mensagens e muito menos dos objectivos que fazem parte da carta de princípios que nos regem nas relações com quem confia em nós.

Numa perspectiva tecnológica, estamos a assistir a uma reinvenção dos negócios e a uma introdução premente de ferramentas colaborativas. Porque estando longe não podemos deixar de estar próximos. O distanciamento não é sinónimo de descanso ou despreocupação. Não tenham medo do teletrabalho, aprendam a lidar com ele e a aproveitar as suas virtudes.

*Por Bruno Mota,  CEO Bold by Devoteam

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