Austrália quer que Facebook e Google paguem as notícias

Por a 21 de Abril de 2020

GoogleO Governo australiano quer que plataformas como o Google e o Facebook paguem aos meios de comunicação social pelas notícias. Para tal, explica a Lusa,  será criado um código de conduta obrigatório, que deverá cobrir questões como a troca de dados, a classificação e a visualização das notícias, o pagamento e o intercâmbio das receitas geradas, indicou o ministro do Tesouro australiano, Josh Frydember, em comunicado. O código, cuja elaboração está a cargo da comissão australiana de Competência e Consumo, vai estabelecer medidas relacionadas com o pagamento, sanções e mecanismos de resolução de disputas, de acordo com a mesma nota, também assinada pelo ministro das Comunicações, Paul Fletcher.

Prevê-se que o documento seja publicado para consulta, em Julho, antes da entrada em vigor.

A medida, prossegue a Lusa,  pretende responder às recomendações daquela comissão, divulgadas num relatório publicado em Dezembro, sobre o impacto dos motores de busca e das redes sociais no mercado publicitário e dos meios de comunicação social.

O relatório destacou que as plataformas digitais australianas concentravam, em 2017, 51% das despesas em publicidade, que duplicaram nos cinco anos anteriores às custas das publicações impressas. No mesmo período, estas últimas passaram de 33% das despesas em publicidade para 12%.

Em 2017, o Google acumulou 90% do tráfego de buscas a partir de computadores na Austrália e 98% a partir de telemóveis.

Uma forma de taxar o montante desviado dos media tradicionais para as plataformas é uma reivindicação antiga dos grupos de comunicação social, agora mais urgente, em virtude das quebras de publicidade e circulação registadas desde o início da pandemia. Recorde o que, nos últimos dias, Luís Santana, José Carlos Lourenço e Luís Ferreira escreveram sobre o assunto, que já tinha sido também abordado em entrevista a Luís Nazaré.

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