Pode um vírus apagar a luz de uma marca?

Por a 25 de Março de 2020

Nicole FerreiraOs últimos dias trouxeram-nos dúvidas, ânsias e aprendizagens que nunca  julgámos precisar. Por mais que a História seja cíclica, a verdade é que não temos  memória nem experiência de um tempo semelhante.  Os decisores políticos e os  especialistas tentam quantificar os resultados e as probabilidades das suas opções com  os dados que têm e nós acompanhamos, diariamente, desassossegados.  Um bichinho apenas visível no microscópio veio para deixar uma civilização de  pernas para o ar. Logo nós, que raramente nos abalamos.

Vivemos tão intensamente,  numa rotina precipitada, em que não nos permitimos parar. Mas há uns dias acordámos
e estava tudo diferente: passámos a tomar o café da manhã em casa, longe dos  transportes públicos e do trânsito caótico da segunda circular. Agora as avenidas estão  desertas, libertas de trânsito. O senhor João já não está na mercearia e as praias estão  vazias. O peso do mundo parece ter dissipado e ficou apenas o essencial. Percebemos que  conseguimos ser solidários. Que não podemos tomar nada como garantido e que é,  realmente, um dia de cada vez. E isto requer paciência, porque o imprevisível é sempre  o mais desafiante.

A directiva é clara: praticar o isolamento social. Contudo, nunca abrimos tanto as  portas de casa como nos últimos dias – aos nossos colegas, chefes, clientes, professores,  amigos. Os horários deixaram de ser a prioridade, porque o que mais queremos é garantir  que o mundo continua a funcionar. Que quando o desassossego acabar e sairmos à rua,  lá fora se manteve tudo de pé.

Por enquanto, estamos por casa a viver a primeira pandemia numa época  digital, permanentemente ligados ao ciberespaço. E em permanente tentativa de não  sufocar pelas constantes notícias que nos relembram da nossa frágil condição. E o  marketing? Como é que pode ajudar? Quando as empresas têm de pagar ordenados,  para que se possam alimentar as famílias, não o conseguirão bem melhor com um  marketing eficaz? A verdade é que sim, porque mais que nunca as mensagens têm de  ser transmitidas de forma apropriada. Nesta fase, em que nos pedem para viver um dia  de cada vez, é essencial olhar para as estratégias a longo prazo. Porque o Covid-19 vai  passar e vamos todos deixar o café da manhã em casa. E quando isso acontecer e os  clientes regressarem, a marca vai lá estar, de pé? Terá dado o exemplo durante os dias  mais difíceis?

Neste momento, as empresas têm uma rara oportunidade de sair da crise  não apenas vivas, mas à frente.  Mantenha a luz da marca acesa porque o custo de a recuperar será sempre  muito superior. Cuide-se, cuide da sua marca e juntos vamos superar.

Artigo de opinião de Nicole Ferreira, copywriter da Boost Your Digital (BYD)

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