O nosso futuro: Mudar e inventar para continuar a comunicar

Por a 23 de Março de 2020
Manuel Falcão, membro do conselho executivo da Nova Expressão

Manuel Falcão, membro do conselho executivo da Nova Expressão

No Brasil uma empresa de media afixou uma campanha, de grande formato, com uma legenda: “Eu tô aqui porque sou um outdoor. E você, tá fazendo o quê na rua?”. Este é o melhor exemplo que vi nos últimos dias sobre a necessidade de manter a comunicação e reforçar as mensagens. Em Portugal e no estrangeiro sucedem-se adiamentos e cancelamentos de campanhas. Mas há também marcas que resolveram até fazer novas campanhas. Umas mostram a sua presença, outras sugerem como podem contribuir para melhorar as coisas numa situação como esta. Nesta nossa indústria da publicidade os escritórios estão hoje vazios, mas está toda a gente a trabalhar. Um dos clientes da Nova Expressão, a Associação de Turismo da Madeira, agarrou a ideia de uma campanha assim: “Stay Home Now, dream online, visit us later”. A concepção, o copy, a filmagem, a edição e a colocação foi tudo feito a partir de localizações diferentes, numa conjugação de várias empresas e pessoas daquela região autónoma e do continente, com a agência de publicidade Nossa, num tempo record. Podem ver o resultado no YouTube.

IMG_6883Vem isto a propósito de duas coisas: em primeiro lugar, da criatividade que levou a agência brasileira a fazer aquela publicidade de rua a chamar a atenção para a necessidade de todos colaborarmos na prevenção da pandemia; e em segundo lugar do sentido de urgência e das possibilidades de colaboração e concretização que o digital nos trouxe. Os primeiros números que existem sobre a evolução do tráfego de internet em Portugal na semana passada são impressionantes. E um olhar atento às audiências de televisão mostra que os canais generalistas não crescem excepto nos seus blocos noticiosos, que o cabo só cresce nos canais informativos e que aquilo que cresce mesmo a sério é o streaming, seja de canais de televisão (Netflix, HBO, etc) seja de jogos on line. Não sabemos nem quando nem como esta crise vai acabar. Mas começamos a ter algumas certezas sobre o futuro – na economia da nossa indústria de comunicação, de que a publicidade é parte importante, o digital vai ter cada vez maior peso – uma dupla importância na realidade: como meio de comunicação, de informação e de entretenimento; mas também como uma forma de captação de clientes para as operações de venda online que neste período estão a experimentar um crescimento exponencial. E, de repente, uma agência de meios que há pouco mais de uma década estava centrada na televisão, na imprensa, no outdoor e na rádio, é agora o ponto charneira virtual de união entre marcas, consumidores e circuitos de distribuição. Neste futuro que se está a desenhar ganhamos novo relevo, já não somos intermediários, somos agentes de inovação.

Quando tudo isto acabar vai consolidar-se um processo de mudança e nessa altura não chega só a capacidade de liderança organizativa, será fundamental capacidade criativa para encontrar novas soluções para a nova situação. Cada vez mais será importante prever o que vai acontecer e agir em conformidade. A vida de uma empresa é feita de planificação e de circunstâncias. Agora as circunstâncias bateram a planificação e o sucesso será ditado pela capacidade de adaptação e mudança. Como diz um amigo meu, mudar e inventar deve ser o programa. Este é o optimismo necessário.

 

*Por Manuel Falcão, membro do conselho executivo da Nova Expressão

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