Anunciar em tempos de crise

Por a 18 de Março de 2020

Manuel Soares de OliveiraSoube de um canal de TV que está com a melhor audiência de sempre pois as pessoas estão em casa com a televisão ligada e, no entanto, os anunciantes estão a cancelar as exibições dos seus anúncios, apesar do canal ter baixado o preço para níveis quase oferecido.

Devem os anunciantes cancelar campanhas numa altura destas? Se o consumidor não pode comprar o produto ou serviço, deveremos continuar a anunciar?

Durante o Blitz em Londres, na Segunda Guerra Mundial, alguma marcas continuaram a anunciar, mesmo tendo suspendido a produção de alguns dos seus produtos. Há histórias de outdoors que eram bombardeados e as companhias iam lá arranjá-los. Mas se os produtos não estavam disponíveis, para quê anunciar?

São várias as razões apontadas. A primeira é uma visão mais prática. A crença de que a guerra iria acabar e quem estiver no top of mind do consumidor largará na pole position.

A segunda razão é mais emocional. As marcas que não desaparecem quando há problemas são as marcas que merecem a confiança dos consumidores. Os britânicos com a sua inigualável fleuma buscavam ter uma normalidade no meio dos bombardeamentos e dentro dessa normalidade estava a publicidade. Quando a população via um outdoor a ser reconstruído isto dava-lhes uma sensação de segurança e fé no futuro. Havia racionamento de chá mas as marcas continuavam a comunicar.

Neste momento, no nosso país, estamos a viver uma experiência desafiante e que nos obriga a olhar para a história e aprender. E quando esta tempestade passar, pois vai passar, vamos ver quais as marcas que estarão na pole-position e no coração dos portugueses.

Artigo de opinião de Manuel Soares de Oliveira, CEO da agência Mosca

 

Devem os anunciantes cancelar campanhas numa altura destas? Se o consumidor não pode comprar o produto ou serviço, deveremos continuar a anunciar?

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